sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Um brasileiro em Damasco, livros hindus na Sibéria

Hoje publicamos uma interessante entrevista com um seminarista brasileiro em Damasco. Philippe Gebara dá uma ideia do ambiente naquela cidade, bem diferente do que vemos diariamente nos noticiários, e da posição dos cristãos face ao conflito no país.

Em Israel agora foi a vez de rabinos ortodoxos criticarem a segregação de mulheres em algumas comunidades ortodoxas, comprovando que há diferentes facções entre estes. Leia aqui para perceber melhor.

Boas notícias para os hindus: o livro sagrado Bhagavad Gita foi ilibado num tribunal na Sibéria. Parece inventado, mas não é.

E por fim, se ainda não tem planos para a passagem de ano, que tal este local com fantástica vista sobre o Tejo e Lisboa?

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Abade preso, retaliação cristã e vigília pró-vida em Lisboa

Começo por chamar a vossa atenção para uma reportagem que publicamos ontem, depois de eu ter enviado o mail, sobre a vigília de oração frente à Clínica dos Arcos

Bento XVI nomeou hoje D. Manuel Clemente para o Conselho Pontifício das Comunicações Sociais.

Da Grécia chega-nos a notícia de um abade que passou directamente da sua cela monástica para uma cela prisional. Saiba quais os contornos da história aqui.

Duas notícias envolvendo cristãos e muçulmanos, uma boa outra má. Na Nigéria 9 muçulmanos ficaram feridos, incluindo seis crianças com menos de nove anos, no que parece ter sido uma retaliação por parte de cristãos pelos ataques da passagem de ano.

A notícia boa vem da Indonésia onde um grupo de voluntários muçulmanos protegeu os cristãos de Java Ocidental na noite de Natal, evitando que o grupo fosse atacado por extremistas.

Haja espírito de Natal!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Novos cardeais e monges à pancada

Poderemos ter nomeações de novos cardeais já em Fevereiro de 2012. Saiba quantos e quem poderão ser.

Na sequência dos confrontos que mataram 40 cristãos na Nigéria na noite de Natal, a mais alta autoridade islâmica estende a mão aos cristãos num gesto de paz.

E por fim, mais um triste mas sempre fascinante episódio de monges à pancada. Desta vez foi na Igreja da Natividade e opôs arménios a gregos. Nada como assinalar a época de Natal como uma guerra de vassouras ecuménica! (Video aqui)

"Que sejam um, como nós somos um" Jo. 17,11

Assim rezou Jesus ao Pai na hora da sua paixão. A frase é a pedra angular de todo o movimento ecuménico internacional.

Algo me diz que não era isto que Ele tinha em mente...


É triste quando os "purificadores do Templo" têm de ser polícias palestinianos de cacetete na mão.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Genocídio, Israel e votos de Páscoa feliz!

A situação social em Israel está em polvorosa. Há muito que existe um conflito latente entre a comunidade religiosa ultra-ortodoxa e a maioria secularista. Nos últimos dias tem havido agressões e detenções. Hoje uma manif deverá juntar mais de 10 mil pessoas…

Genocídio, sim ou não? Em França vai passar a ser crime negar o genocídio dos arménios na Turquia em 1915. Na Turquia é crime o contrário. Em Israel discute-se a criação de um “dia de memória” para as vítimas do tal genocídio.

No blogue publiquei hoje um texto do prof. Luis Filipe Thomaz sobre este assunto. Deixa bem claro que sim, houve genocídio, mas discorda da lei francesa.


Para terminar, um agradecimento da minha parte ao Primeiro-ministro do Kosovo (na imagem), que no dia 25 de Dezembro desejou uma “Páscoa feliz” a todos os católicos.

Genocídio, crime e liberdade de opinião

Nos últimos dias falou-se bastante do genocídio praticado pela Turquia contra os arménios, no início do século XX.

Recentemente o Governo francês tomou medidas no sentido de criminalizar a negação desse genocídio. Tal negação já é crime na Eslovénia e na Suíça. Na Turquia é crime o contrário... Em Israel discute-se a criação de um dia em memória do genocídio e no congresso americano o debate é recorrente.

Sobre estes últimos desenvolvimentos transcrevo agora, na íntegra, um texto da autoria do historiador Luis Filipe Thomaz que, concordando com o facto de se ter verificado um genocídio, opõe-se à lei francesa.

Agradeço a sua autorização para publicar o texto.


Tereis por certo ouvido na rádio ou na televisão a notícia de que o parlamento francês decretou que o que se passou em 1915 com os arménios no Império Otomano foi um genocídio. Sou inteiramente da mesma opinião.

Se a alguém restarem a tal respeito algumas dúvidas, que veja o que escrevi num artigo intitulado "Catolicismo e Multiculturalismo"*. Transcrevo em seguida o parágrafo em que abordo a questão:

«O Império Otomano, que se considerava detentor do califado sunita, era manifestamente um estado confessional. No entanto, segundo o princípio islâmico da dhimma ou “protecção” às outras “gentes do livro” (ahl al-kitâb), as comunidades cristãs e as judaicas viam aí reconhecida não só a sua personalidade jurídica como o uso do seu direito privado. Cada uma era considerada um milet ou “nação” e dispunha de magistrados próprios para lhe administrarem a justiça segundo os seus próprios costumes. É verdade que cristãos e judeus eram no seio do império como que cidadãos de segunda classe: por exemplo, o cristão podia em qualquer momento converter-se ao islão, mas a apostasia do muçulmano era punida com a morte; a cristã ou a judia desposada por um maometano podia conservar a sua religião, mas para desposar uma muçulmana o cristão ou o judeu eram forçados a converter-se; e assim por diante. O nacionalismo dos Jovens Turcos — movimento liberal e laicista de influência ocidental, de que emergiria Mustafa Kemal, mais tarde cognominado Atatürk, “Pai dos Turcos” — baseando-se no princípio da territorialidade das leis, que se lhe afigurava indiscutível, procurou abolir os estatutos pessoais, que lhe pareciam ofender o dogma da igualdade dos cidadãos (igualdade não apenas de direitos e deveres, mas de tudo). Substituiu, por conseguinte, a noção de religião oficial pela de “nação dominante”, assim renunciando, talvez sem dar por isso, aos ideais de igualdade em que teoricamente se inspirava. Para o estado nacional que, à imagem do Ocidente, os Jovens Turcos queriam construir as minorias constituíam como que uma aberração da natureza, que era mister eliminar. Foi assim que a partir da sua chegada ao poder em 1908 desencadearam cruéis perseguições às minorias, em que avulta o massacre dos arménios a 24 de Abril de 1915. Talvez por estes não possuírem a sofisticada máquina de propaganda de que dispõem quer o estado judaico quer os seus protectores americanos, esse genocídio é geralmente muito menos propalado que o dos judeus na Alemanha nazi; mas não foi menos trágico: de mais de 2.100.000 de arménios que havia então na Turquia não restava em 1918 mais de um milhão, enquanto o patriarcado de Sis na Cilícia, com duas arquidioceses e treze dioceses, era apagado do mapa. E, desde então até aos dias de hoje, jamais cessou o êxodo de cristãos de Constantinopla para a Grécia e da Anatólia oriental para a vizinha Síria ou para a Europa. Assim, enquanto no Império Otomano, oficialmente islâmico, havia ainda em 1906 25% de não muçulmanos, na Turquia laica e republicana de nossos dias não há mais que 0,2 %. Algo de semelhante se passou na Palestina em 1948, com a instauração do estado sionista, oficialmente laico mas de facto judaico: a maior parte dos cristãos emigrou para a Síria, para o Líbano e para a Jordânia, e das dioceses existentes antes de 1948 apenas resta a de Jerusalém.»

Manchete contemporânea
do New York Times
Não é, pois, o carácter dos massacres de 1915 o que ponho em causa, mas tão somente a legitimidade de o parlamento francês, ou de qualquer outro parlamento, definir como um dogma qual é a única verdade histórica oficialmente aceite, cominando, para mais, penas de multa e prisão a quem a não acate. É um inadmissível atentado contra a liberdade de consciência, de ensino e de investigação histórica, que julgaria possível em estados totalitários, mas jamais num estado livre como a França, para mais sempre tão ciosa dos seus pergaminhos de paladina da liberdade. A verdade histórica é, a qualquer momento, passível de ser revista, com base em novos documentos que se encontrem, ou mesmo no estudo mais aprofundado de documentos já conhecidos mas mal interpretados. Não será esse certamente o caso do genocídio dos arménios, suficientemente recente e suficientemente bem documentado para que se possam alimentar dúvidas. Não é o facto que está em causa, é o princípio.

Que o parlamento francês, com base no que em jurisprudência muçulmana se designa por ijma‘ ou consenso dos doutores, declare que considera como um genocídio o massacre de 1915, parece-me um acto desprovido de utilidade prática, mas, omnibus computatis, aceitável. Em vez de remoer factos passados, creio que seria talvez mais eficaz para a causa arménia reconhecer senão as fronteiras, exageradamente grandes, atribuídas em 1920 ao país pela arbitragem de Wilson, pelo menos apoiar a sua reivindicação do Nagorn Karabagh, povoado maioritariamente de arménios, mas anexado ao Azerbaijão pelo regime soviético, e quiçá também a do território de Kars, cedido em 1921 pelos soviéticos à Turquia. Não me estendo em considerações sobre esse aspecto, pois não é a faceta política o que ponho em causa.

Que o parlamento francês aprove uma lei punindo, genericamente, quem de má-fé, por interesses políticos, ideológicos ou outros negue uma verdade histórica comprovada por documentos, parece-me situar-se igualmente dentro dos limites do aceitável. Que o parlamento francês, num rasgo de solidariedade com as vítimas do genocídio de 1915 decida erguer-lhes um monumento, é atitude que inteiramente apoio. Que o parlamento francês decida, por exemplo, não patrocinar a candidatura da Turquia à Comunidade Europeia sem que esta reconheça o genocídio que perpetuou, é coisa que não aprovo nem desaprovo, pois não é da minha competência; mas reconheço que é da sua. O que não posso aceitar é que seja um órgão de soberania política a definir qual é, num caso concreto, a verdade histórica aceitável, com exclusão de qualquer outra interpretação.

Das duas, uma: ou se considera que os deputados, em virtude da sua eleição por métodos democráticos, gozam de um carisma especial que lhes confere infalibilidade em matéria histórica, e então fica aberto o caminho para que amanhã neguem o assassínio de Júlio César, cominem penas de multa e prisão a quem afirme que não foram os venezianos quem desviou para Constantinopla a IV Cruzada ou mesmo que considerem que a extinção do homem de Neanderthal foi um genocídio cometido pelo homem de Cro-Magnon de que todos nos devemos envergonhar. E porque em tal caso se não vê por que razão a infalibilidade dos deputados se deva restringir ao campo da História, ficará aberto igualmente o caminho para que se condene no futuro a prisão quem por exemplo defenda que o cancro da próstata é de origem microbiana. Ou então, terá de se aceitar que há uma verdade oficial, definida pelos políticos, sobre cada facto histórico e que, por conseguinte, a investigação histórica está sujeita nas suas conclusões à aprovação oficial, e teremos então, quiçá sem dar por isso, caído no totalitarismo.

Creio que é nosso direito e até nosso dever como historiadores lutarmos pela nossa liberdade de investigação, de ensino e até de opinião, que esta lei põe em causa. Pouco importa que seja uma lei francesa e que se não aplique por conseguinte em Portugal: aceitá-la é consentir em que numa Europa que se afirma democrática se abra um precedente de consequências imprevisíveis, que a breve trecho nos pode conduzir a um totalitarismo mais ou menos declarado.

Convido-vos, por isso a todos a, em nome da nossa classe profissional, levarmos o nosso protesto até á Embaixada da França.
  
Luis Filipe F. R. Thomaz

* Publicado por duas vezes: numa primeira versão num dos quatro volumes de Portugal - Percursos da Interculturalidade: Matrizes e configurações, coordenação de Mário Ferrreira Lages e Artur Teodoro de Matos, Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural / CEPCEP, UCP, Lisbon, 2008, vol. III, pp. 380-429; e em versão levemente retocada in Povos e Culturas, nº 13, Centro de Estudos de Povos e Culturas de Expressão Portuguesa, Universidade Católica Portuguesa, Lisboa, 2009.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Crises, missas e pequeno-almoço

Bento XVI fez hoje o seu discurso à Cúria Romana, durante o qual afirmou que a crise financeira é sobretudo ética, e a crise da Igreja é sobretudo de fé.

A três dias do Natal, mais uma memória interessante. Um jesuíta que passou o Natal do ano passado na China, onde ser cristão é um risco.

Este mês passei uns dias na Madeira e foi aí que aprendi o que são as Missas do Parto, tradição particular daquela região. Uns jovens de Lisboa decidiram aplicar a ideia cá… é às 5h30 na Capela do alto de Santo Amaro. Há pequeno-almoço quentinho para os corajosos que aparecerem.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Terços cristãos, meios católicos e respostas nulas

Antes de mais, convido-vos a todos a visitar o site da Escola de Oração que a partir desta semana passou a ter uma nova secção com apontamentos e reflexões diárias para ajudar a rezar. Sou um dos responsáveis pelo novo espaço, espero que gostem. Mais detalhes aqui.

Nas notícias: Um terço da população mundial professa o Cristianismo e metade desses são católicos. O mais recente estudo sobre as religiões no mundo tem uns factos interessantes, a ver aqui.

Uma Bíblia judaica da Biblioteca Nacional (na imagem), que está emprestada ao Metropolitan Museum of Art, de Nova Iorque, está a atrair um grupo de fiéis seguidores que todas as semanas vão ao “virar da página”

Na Alemanha os judeus assinalaram o início das festividades de Hannukah acendendo a primeira luz da menorah no mesmo local onde Hitler anunciou o extermínio dos judeus na Europa, e claro que não foi por acaso.

Mensagens de Natal há muitas, mas a do Arcebispo de Évora merece referência especial porque consegue ser profunda sem falar directamente da crise financeira!

Parece que os lefebvrianos já mandaram uma resposta para Roma… Temia-se que respondessem “não”, afinal mandaram uma “não resposta”. Estarão a tentar ganhar tempo? Estarão em jogo as divisões internas de que falei aqui?

Site de Escola de Oração ganha nova vida

O site da Escola de Oração de São José ganhou nova vida a partir desta semana.

A Escola de Oração, que organiza módulos, retiros e palestras em vários pontos do Patriarcado de Lisboa, passa a ter uma secção no seu site com propostas e dicas para oração que serão actualizadas a um ritmo regular.

Actualmente estão no ar dois curtos textos sobre o Advento, que olham mais de perto para alguns dos grandes “Sins” da história da salvação. Ontem olhou-se para Abraão e hoje o escolhido foi Isaías.

Tenho a honra de ter sido um dos convidados para a equipa que manterá e actualizará este site, juntamente com Inês Sanches e Inês Sousa, e desde já convido-vos a colocar o site nos vossos favoritos e a visitar sempre que puderem. Os vossos comentários e sugestões serão, como sempre, bem-vindos.


Filipe d’Avillez

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Santo Sudário de Turim e Natal em tempo de guerra

Hoje começa o Hanukah, para os judeus. Saiba aqui do que é que se trata.

De tempos a tempos fala-se do Sudário de Turim, um dos artefactos mais polémicos do universo católico. Agora temos um grupo de cientistas italianos a dizer que é impossível que o Sudário seja uma falsificação medieval, como alguns críticos afirmam.

Fala-se muito no facto deste Natal ser passado em crise. Querem saber o que era passar o Natal numa verdadeira crise? Ouçam e leiam o testemunho do padre Dâmaso Lambers.

Os índios nativos da América vão ter a sua primeira santa. Kateri Tekakwitha deve ser elevada aos altares já em 2012.

Mensagens de Natal dos bispos: ontem foram divulgados os de Lisboa e do Porto.

A crise tem feito aumentar os pedidos de ajuda às paróquias, em muitas já há lista de espera.

E finalmente, a Rússia poderá banir o Bhagavad Gita, livro sagrada para os hindus. Os indianos não estão contentes…

Hanukkah

Gmar chatimah tovah!*
Hoje começa o Hanukkah. Esta não é a principal festa dos judeus, mas começou a ganhar notoriedade por calhar perto do Natal, sendo por isso uma alternativa festiva para os judeus neste período do ano.

A história do Hanukkah prende-se com a vitória dos judeus sobre os seleucidas, de cultura grega. É a vitória do monoteísmo sobre a idolatria.

Querem saber mais? Podem ler os livros de Macabeus, I e II do Antigo Testamento.

Em alternativa, ouçam a versão dos Maccabeats. Os judeus mais "cool" a seguir a Matisyahu...


* Fui entretanto amavelmente corrigido quanto a esta frase por Esther Mucznik. Transcrevo o mail que me enviou: a frase: “Gmar chatimah tovah” pertence à festa do Yom Kipur e nada tem a ver com Hanucá. Significa “que termines com uma boa assinatura”, ou seja que Deus sele por bem o teu destino para o próximo ano.

Obrigado Esther pela correcção, sempre bem-vinda. Em todo o caso, uma vez que estamos perto do final do ano segundo o calendário gregoriano, mantenho lá a frase na esperança de que o seu significado se aplique para todos os meus leitores!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Cultura da morte e o seu mestre, Kim Jong-il


Uma das reportagens que também foi distinguida foi este trabalho sobre a beatificação de João Paulo II.


Voltando para a actualidade, temos mais mensagens de Natal dos bispos portugueses. D. Manuel Felício, por exemplo, aproveitou a quadra para pedir mais leis que protejam a família.

Também D. Joaquim Mendes se queixou, na bênção das grávidas, da cultura da morte.

A grande notícia do dia é, evidentemente, a morte de Kim Il-Jong. Os bispos da Coreia do Sul esperam que esta seja um ponto de viragem no país onde toda a religião é perseguida, mas o Cristianismo é particularmente odiado pelas autoridades. Saiba aqui porquê.

Do Egipto chega a notícia de que morreu um importante clérigo muçulmano, aparentemente baleado por soldados numa manifestação contra a junta militar. Emad Effat era uma voz significativa para os moderados e progressistas.

Uma última nota para o novo livro do Padre Tolentino Mendonça, lançado na passada Sexta-feira.

Esmagar o Cristianismo com um rolo compressor

Vinde a mim, todos os cansados e oprimidos
Estive na Coreia do Sul em 2002 e nessa altura visitei a zona desmilitarizada, de onde é possível espreitar a Coreia do Norte. Da varanda de um posto militar lá pudemos ver uma aldeia, com umas torres modernas e impressionantes, várias casas, ruas impecáveis e uma bandeira gigantesca a esvoaçar.

Escusado será dizer que não vive lá ninguém. As luzes acendem e apagam automaticamente, nunca sai fumo das chaminés, as janelas não abrem e não anda ninguém nas ruas. É tudo propaganda.

Havia ainda uns letreiros gigantes afixados no chão, apontados para a Coreia do Sul. Perguntei a um soldado o que diziam e ele explicou que era algo do género “O nosso querido líder foi-nos enviado das estrelas”, e uma outra fantasia equiparável.

É um país de loucos, mas é um país de loucos com armas nucleares e túneis secretos construídos com capacidade para infiltrar milhares de homens e carros de combate por hora na Coreia do Sul.

A nível de religião a Coreia do Norte reage de forma tipicamente comunista, mas com um zelo de fazer corar os seus padrinhos chineses. Toda a prática religiosa é proibida. Existem um ou dois locais de culto em Pyongyang, mas são para uso exclusivo dos estrangeiros. A única forma de adoração que é permitida é ao Estado e à sucessão de líderes.
"Santíssima Trindade"

Porquê? Aí é que a coisa se torna interessante. É que para além do habitual ódio comunista à religião, há outro factor. Grande parte da mitologia que foi criada à volta dos Kim foi decalcada de histórias bíblicas. Assim, temos por exemplo que quando Kim Jong-Il nasceu, o evento foi assinalado por uma estrela no céu que pairou por cima da casa onde decorreu o parto. Ainda de acordo com a propaganda oficial o ditador que hoje morreu aprendeu a andar com apenas três semanas e às oito semanas já falava.

A imagem da Santíssima Trindade também é adoptada com frequência. O Pai, Kim il-Sung, com o Filho, Kim Jong-Il e o Espírito Santo que tanto pode ser a mãe de Jong-Il ou a própria doutrina da “auto-suficiência”, conhecida como Juche, que é a força motora de toda a economia norte-coreana.

"Deixai vir a mim as criancinhas"

Em que é que isto resulta, na prática? Na necessidade de proibir totalmente o ensino do Cristianismo, não vão as pessoas desconfiar das semelhanças.

Por isso, os campos de concentração na Coreia do Norte estão repletos de cristãos. São na maioria leigos, uma vez que não se acredita que nenhum padre ou bispo tenha sobrevivido às purgas que se seguiram à guerra civil. Quando um cristão é descoberto numa família são presas até três gerações, para extirpar completamente o mal da sociedade.

Alguns grupos de cristãos da Coreia do Sul operam a partir da China, dando guarida a refugiados que, depois de convertidos, regressam para evangelizar em segredo. O preço, caso sejam apanhados, é severo. Há alguns anos lembro-me de ler um relatório, preparado pela comissão de Liberdade Religiosa do Congresso dos EUA, que explicava o que aconteceu a umas pessoas numa aldeia em cuja casa foi encontrada uma Bíblia. Foram deitados no chão e um rolo compressor passou-lhes por cima das cabeças. Liberdade religiosa “à lá Querido Líder”.

Filipe d'Avillez

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Hitchens, Lefebvre e Rainer Maria Rilke

Temos muitas notícias para irem digerindo este fim-de-semana.

Hoje foi divulgada a mensagem para o próximo Dia Mundial da Paz. Vejam aqui o essencial, com link para a mensagem completa. Ontem Bento XVI alertou para o perigo das ideologias sem Deus.


Da Holanda surgiu um relatório que aponta que houve entre 10 e 20 mil crianças abusadas em instituições católicas desde 1945. Os dados, para além de tristes, são interessantes. Confirma-se, por exemplo, que as instituições seculares apresentam números idênticos, mas é fraco consolo…

Ontem morreu Christopher Hitchens. O homem tinha muitas facetas, naturalmente nós destacámos aquelas que se cruzam com a religião, desde a sua militância anti-religiosa ao seu ódio de estimação por madre Teresa de Calcutá.

Boas notícias para os cristãos na Terra Santa, esperam-se 90 mil peregrinos este Natal naquelas bandas.

Boas notícias também de Viseu, onde os padres se têm revelado generosos ao doar parte do seu subsídio de Natal para o fundo de emergência social.

Para quem gosta de Teatro, atenção que Miguel Loureiro leva a palco “Vida de Maria” de Rainer Maria Rilke, fá-lo, confessa, também por devoção.

Lefebvrianos dizem que não. E agora?

Ao que parece a Sociedade de São Pio X vai rejeitar a proposta feita por Roma para reunificação. Os detalhes estão nesta notícia.

Que dizer deste aparente falhanço das negociações?

Em primeiro lugar um cristão deve recordar que embora a situação pareça impossível, a Deus nada é impossível.

Em segundo lugar, porém, é com muita pena que vejo o processo a chegar a um beco sem saída. Este sempre foi um projecto pessoal de Bento XVI, não duvido que ele desejava muito a regularização da SSPX e que acreditava que a sua reintegração na plena comunhão da Igreja pudesse servir para fortalecer a “reforma da reforma” que parece apostado em fazer.

Acima de tudo, a recusa e os termos em que é feita são um duro golpe da ala tradicionalista para um Papa que todos os dias tem de lidar com obstáculos colocados por bispos da ala liberal, que fazem tábua rasa dos seus documentos e das suas recomendações, por exemplo, no campo da liturgia.

Aparentemente a resposta da SSPX vai ser algo do género “obrigado pela vossa proposta, mas não a aceitamos. E se em vez de sermos nós a mudar a nossa visão fossem vocês a mudar para que nos possamos sentir em casa?”

Por um lado até se percebe o optimismo dos lefebvrianos. Olham para os seminários vazios da Igreja Católica e para os seus, que estão cheios, e abanam a cabeça. Olham para as missas com fantoches gigantes e sucessivos atropelos litúrgicos nas catedrais europeias e sentem-se reconfortados com as suas missas solenes. Vêem centenas de padres na Áustria a assinar “manifestos de desobediência” e consolam-se dizendo que estão firmemente agarrados à tradição imutável da Igreja.

Mas há um problema, estão fora de comunhão com Pedro. A consumar-se um “chumbo” à iniciativa romana, o cisma poderá tornar-se definitivo.

E depois? Depois, na minha opinião, assistiremos ao que tem acontecido a todos os grupos que entram em cisma convencidos da sua superioridade, uma espiral descendente em direcção à loucura, bizarria e obscuridade. Pode levar décadas, mas não tenho dúvidas de que acontecerá.

A Igreja Católica está em crise, sem dúvida, embora essa crise se faça sentir sobretudo nas sociedades ocidentais (ao criticar os seminários vazios na Europa, Monsenhor Bernard Fellay não fala dos africanos ou asiáticos que rebentam pelas costuras), mas já passou por muitas e há-de sair de pé. Os lefebvrianos que ficarem na SSPX preferem saltar de um barco desorientado e morrer afogados na certeza das suas verdades a permanecer e contribuir para que o rumo seja corrigido.

Penso que um dos primeiros efeitos da recusa será uma onda de deserções individuais, ou de pequenos grupos que regressarão a Roma. A SSPX está presente em muitos países e é ilusão pensar que não tem as suas próprias divisões internas. Essas poderão tornar-se mais aparentes agora, levando mesmo a fracturas.

Quando surgiu a notícia do “convite” de Roma, num blogue católico mas tradicionalista e próximo das posições dos Lefebvrianos os comentários foram bem indicativos da vontade que muitos dos seus membros têm de regressar à plena comunhão. Esses dificilmente se manterão no caso de uma rejeição que mais parece fruto de birra do que convicção.

Nos Evangelhos Jesus deixa bem claro o que acontece aos ramos que se separam da vinha. Ao olhar para toda esta situação só me vem à cabeça o cartoon de uma pessoa que serra um ramo alto enquanto se mantém sentado alegremente em cima dele.

Filipe d’Avillez

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Mensagens de Natal episcopais e tolerância religiosa "à holandesa"

É sempre por volta desta altura que começam as mensagens de Natal dos bispos. Este ano, como seria de esperar, andam todos à volta da crise. Têm aqui a de D. Manuel Clemente e aqui uma notícia sobre as de D. Jorge Ortiga e D. Anacleto Oliveira.


D. Jorge Ortiga que, ontem, recordou o facto de o emprego ser tanto um direito como um dever. A Liga Operária Católica está, entretanto, muito preocupada precisamente com o desemprego.


Na cena internacional temos mais dois cristãos assassinados no Iraque, os dois filhos menores ficaram feridos mas estão fora de perigo.

Há meses falámos de uma lei que proibiria a matança ritual de animais na Holanda, impedindo judeus e muçulmanos de manter a sua prática ancestral. Ao que parece essa proposta será chumbada no senado.

(Imagem, mitra episcopal com cena da natividade, Museu da Idade Média, Paris)

Campanha polémica de Natal na Nova Zelândia

A Igreja de St. Matthews in the City, na cidade de Auckland, Nova Zelândia, está no centro de uma polémica depois de ter desvendado o seu cartaz de Natal para 2011.

Esta igreja anglicana, que se auto-denomina progressista, tem reputação de “testar os limites” do bom gosto e do bom senso para chamar atenção para o Natal. A campanha deste ano mostra uma Nossa Senhora, pintada ao estilo renascentista, olhando estupefacta para um teste de gravidez.


Os responsáveis da igreja dizem que estão apenas a tentar recordar que o Natal foi um episódio real: “É sobre uma gravidez real, uma mãe real e um bebé real. É sobre ansiedade real, coragem e esperança. Maria era solteira, jovem e pobre. Não foi certamente a primeira mulher a encontrar-se nesta situação, nem será a última”, afirmou o reverendo Glynn Cardy, de St. Matthews.

A Igreja Católica, por sua vez, mostrou-se desagradada com o conteúdo da mensagem, embora reconheça as boas intenções dos anglicanos: “Mais uma vez a paróquia de St. Matthews mostra-nos que se afastou do Cristianismo tradicional, embora as suas intenções possam ser as melhores. É verdade que o Natal é real e celebra uma gravidez real. Também é verdade que a ansiedade e as necessidades das mães solteiras de hoje têm de ser resolvidas com compaixão e cuidado. Mas ao enfatizar estas questões a igreja ignora o relato do Evangelho daquilo que envolveu a gravidez e o nascimento de Jesus, no qual Maria não é uma mãe solteira em estado de choque mas uma jovem que deu o seu sim e colocou a sua confiança em Deus”.

Talvez a opção menos sensata da igreja de St. Matthews tenha sido de abrir um concurso no seu site convidando os participantes a encontrar uma legenda para a imagem. Como seria de esperar o site foi inundado tanto de mensagens de repúdio pela campanha como por sugestões de legenda absurdas ou mesmo bastante ofensivas.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Rock, reggae, reeducação e macacos

O menino “cool” do judaísmo ultra-ortodoxo, estrela de reggae Matisyahu, revoltou-se e cortou a barba

Se no Paquistão tentaram censurar SMS com as palavras “Jesus Cristo”, a Turquia não quis ficar atrás e bloqueia o acesso a sites que falem de Darwin ou de evolucionismo. Macaquices.

16 feridos em confrontos entre cristãos e muçulmanos na Indonésia. Noutro ponto do arquipélago mais de 60 jovens foram apanhados num concerto de rock e levados para campos de “reeducação”. Não, não era Matisyahu, ele canta reggae…

Matisyahu - A revolta do judeu "cool"

Foi uma bandeira e uma inspiração para milhares de jovens judeus ortodoxos, demonstrando que era possível conciliar tradição com modernidade. Ontem revoltou-se. Diz que não abandonou o judaísmo ortodoxo mas pelo menos a imagem já não é a mesma, e neste mundo pode ser difícil distinguir os dois.

Fica aqui um vídeo de Matisyahu quando ainda era "kosher"

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Canadianas de Burqa e a idolatria do lucro

Os bispos portugueses pedem o fim da “idolatria do lucro” e apresentam os pilares para ultrapassar a crise. Da nota pastoral que foi hoje divulgada, destaco a seguinte frase: “O que alguns detêm em vez dos outros é o que precisamente têm para os outros, pois toda a propriedade tem dimensão social. Nada obtemos inteiramente sós, de nada fruímos legitimamente sós.”


O Canadá tomou a decisão polémica de proibir o uso de véus islâmicos que tapem a cara durante as cerimónias de naturalização. Há quem fale em atropelo à liberdade religiosa.

A julgar pela cobertura mediática, pode-se pensar que só na Igreja Católica é que há escândalos de abusos sexuais. Infelizmente esta triste realidade não conhece fronteiras religiosas, como se veio a provar numa comunidade de judeus ultra-ortodoxos em Nova Iorque.

Numa notícia mais festiva, vem aí novo concerto de Natal do coro composto por jovens de vários movimentos católicos. Informação aqui!

Entretanto, nos últimos dias, surgiram algumas notícias interessantes, a começar com a nomeação do Padre Tolentino Mendonça para consultor do Conselho Pontifício para a Cultura passando pela confirmação de que o Papa vai mesmo ao México e a Cuba na Primavera e finalmente a notícia da morte do Cardeal Foley, que durante os seus tempos na Curia Romana era conhecido como “o homem mais simpático do Vaticano” e tratado amigavelmente por “His Foleyness”.

Concerto de Natal a não perder

Este ano, mais uma vez, os jovens de vários movimentos católicos juntam-se para um concerto de Natal em lisboa, cujos fundos revertem para (boas) causas de caridade.


Desde que começaram estes concertos tenho ido a todos, conheço vários dos cantores e asseguro que se trata de uma noite, ou de uma tarde, muito bem passadas.

Eu lá estarei com a minha família no dia 17 à tarde, agradecendo desde já que este ano haja um horário mais propício a famílias com crianças pequenas.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Diáconos no Porto, desacordo episcopal na Colômbia

É já amanhã, dia de Nossa Senhora da Conceição, que no Porto D. Manuel Clemente ordena 30 diáconos permanentes, um número impressionante.

Hoje, e como noticiámos há semanas, o Papa liga as luzes da maior árvore de Natal do mundo, usando um iPad…

Um bispo colombiano (na foto, com Bento XVI) lamentou que as forças armadas do seu país tenham morto o então líder das FARC em vez de o deter vivo. É uma posição que contrasta com aquela que foi na altura assumida pela Conferência Episcopal, e a divergência não se fica por aí.

Por fim, a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre viu o seu estatuto elevado pelo Papa para Fundação Pontifícia.

Estes mails serão interrompidos durante alguns dias, regresso na Terça-feira dia 13. Até lá, cumprimentos, bom feriado e bom fim-de-semana.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Conversão de alto risco

Destaque hoje para a entrevista a Joseph Fadelle, iraquiano que sofreu muito para se converter ao Cristianismo. Está em Lisboa para apresentar um livro sobre as suas experiências. Chama-se “O Preço a Pagar por me Tornar Cristão”, tem edição das Paulinas e apoio da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre

A comunidade internacional aumentou as sanções contra a Eritreia, por patrocinar o terrorismo islâmico. Curiosamente a Eritreia nem tem uma maioria muçulmana, mas sim cristã. Saiba porque razão apoia os islamistas da Somália

Os bispos do Congo estão a antecipar violência pós-eleitoral. Comparam o país a um comboio de alta velocidade a dirigir-se contra uma parede.

Para quem se interessa pelo movimento Acção Católica, saiu agora um livro sobre a história do movimento.

Por fim uma recomendação que nos chegou. Hoje, amanhã e Sexta-feira o programa “A Fé dos Homens”, da responsabilidade de diferentes confissões religiosas, será dedicado à esperança. São três programas e a perspectiva, sendo cristã, não está associada a qualquer confissão particular. Este mail já vai tarde para o episódio de hoje, mas quem quiser pode ainda ver amanhã e sexta, às 18h30 na RTP2

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Primavera árabe e nulidade de casamento

Foi inaugurada durante o fim-de-semana a Igreja de São Francisco de Xavier, em Belém. António Costa diz que gosta muito do edifício. A minha opinião, que vale o que vale, está aqui…


A Primavera Árabe continua a todo o gás, já em pleno Inverno. No Egipto confirma-se que os partidos islâmicos são os grandes vencedores das eleições; a Síria continua a ferro e fogo e o Vaticano aprova as sanções contra o regime de Assad e no Iraque os cristãos voltam a ser atacados.


O programa “Em Nome da Lei”, que vai para o ar aos Sábados das 12h às 13h tratou este passado fim-de-semana a “Nulidade do casamento católico”. Quem se interessa pelo assunto pode ouvir excertos ou mesmo o programa completo, seguindo o link.

Lojas cristãs atacadas no Iraque

Se tivesse que realçar alguma coisa deste video não seria o ataque em si, em que a única novidade é o facto de não haver mortes a lamentar, mas sim a atitude dos vândalos.

Reparem nos sorrisos e risos dos homens e rapazes que se divertem a destruir e a queimar aquilo que é o sustento de alguém, de uma família. Uns procedem à destruição, os outros olham uns para os outros, com um misto de fascínio e curiosidade nos olhos enquanto se esticam para ver melhor ou para filmar.

E no meio disto tudo, polícia, nem vê-la. Atenção que isto é no Curdistão, supostamente a região mais bem organizada e calma do país.

Que triste manada...

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Milagre em Caxinas, birra em Pequim

Já está a ganhar contornos de milagre natalício. A provar que as notícias não são só desgraças, foram encontrados vivos os tripulantes do barco “Virgem do Sameiro”. O pároco de Caxinas confirma que é “uma grande graça” e diz que estão a preparar uma missa de acção de graças.

Na China o Governo tentou mostrar ao Vaticano quem manda. Depois de Pequim e o Roma terem acordado na nomeação de um novo bispo, os chineses insistiram que este fosse ordenado por um bispo “do Governo”. A situação é complicada, claro, vejam melhor aqui.


Por fim, divulgo um evento meritório. Concerto solidário para ajudar a Associação Vale de Acór. Vejam aqui os detalhes.

Concerto de solidariedade Vale de Acór

No próximo dia 6 terá lugar um espectáculo/concerto que beneficia a Associação Vale de Acór, que está urgentemente a precisar de ajuda.

O Concerto é no Estoril às 21h.

Nesta altura do Natal multiplicam-se as solicitações deste género. Mesmo não podendo ajudar toda a agente que nos pede, pode-se pelo menos divulgar.

Neste caso vejo dois pontos bem positivos, por um lado a certeza de que o dinheiro vai para uma causa importante, ajudar pessoas a recuperar a sua liberdade, neste caso refém de dependências.

Por outro lado, não se trata de fazer simplesmente um donativo, o concerto promete ser de grande qualidade também.

Fica a divulgação, para quem quiser e puder ajudar.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Coincidências e cintos de segurança

Hoje é dia de Santo André, irmão de São Pedro e patrono do Patriarcado de Constantinopla. Uma calorosa saudação a todos os ortodoxos que lêem estes textos!

Bento XVI vai ser processado. Não, não tem nada a ver com abusos sexuais nem ordenação de mulheres. O grande “crime” do Papa é não ter usado cinto de segurança no seu papamóvel quando esteve na Alemanha.

Apesar da preocupação o Papa ainda teve tempo de se pronunciar contra a pena de morte, hoje em Roma.

No Brasil é o canal católico Canção Nova que está em apuros. Dois dias depois de terem acabado com o programa de um político do Partido Trabalhista a procuradoria federal iniciou um processo para suspender a licença de emissão.

Ele há com cada coincidência!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Muçulmanos influentes e cantares ribatejanos

Há um português entre os 500 muçulmanos mais influentes do mundo. Karim Vakil (na foto, com a sua mulher), presidente da Comunidade Islâmica de Lisboa é um dos destinatários desta mailing list e dedica-se afincadamente ao diálogo inter-religioso.


Os padres de Viseu foram desafiados a doar parte do seu subsídio de Natal. Ao Fundo de Diocesano de Solidariedade, entenda-se. A “doação” ao fisco toca a todos e tem menos de voluntário…


Os cristãos na Terra Santa estão preocupados com a candidatura de Belém a Património Mundial da Humanidade. Em causa está o controlo da Igreja da Natividade.

Um bocadinho ao lado da Terra Santa, o Papa poderá estar a caminho do Líbano na Primavera. O convite está feito.

Em Durban decorre a convenção das Nações Unidas sobre ecologia. 16 grupos católicos pedem maior justiça mundial neste campo.

Sugestão para amanhã ou dia 1, sobretudo para quem vive no Ribatejo. Musical com orações e músicas tradicionais de Almeirim, cuidadosamente salvadas do esquecimento pelo Padre Ricardo Mónica. Um exemplo aqui, não deixem de ouvir.

Orações cantadas de Almeirim

Deixo-vos aqui uma mostra das músicas do padre Ricardo Mónica, que podem ouvir ao vivo no Cartaxo amanhã e depois.


O padre Ricardo é natural de Almeirim e tem-se dedicado a recuperar e preservar as orações e músicas tradicionais da zona. Como diz ele, e bem, fazia falta um padre Ricardo Mónica em cada diocese!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Advento e Coptas

Espero que o fim-de-semana tenha sido bom e aproveito para desejar a todos os cristãos uma boa entrada no Advento, que ontem começou.

O destaque de hoje vai para a reportagem que publicámos sobre a situação preocupante dos cristãos no Egipto, onde hoje se realizam eleições. Falámos com um dos poucos coptas que vive em Portugal e com um bispo da comunidade copta no Reino Unido. Podem ler a entrevista e ver a reportagem em vídeo aqui.

Como de costume, publiquei a transcrição completa da entrevista com o bispo Angaelos aqui, para poderem ler com mais calma tudo aquilo que ele disse. Vale a pena.

Para quem continua sem saber quem são os coptas, relembro este texto.

De resto o Advento marcou o fim-de-semana. O Patriarca de Lisboa considera que é um “tempo de esperança”, palavras ditas durante a ordenação de vários diáconos em Lisboa. Pelo menos um deles recebe estes mails. Parabéns Duarte!

Com o advento começa novamente a venda de estandartes do Natal. Nos últimos anos venderam-se mais de 60 mil!

O Papa falou duas vezes no fim-de-semana. Uma sobre ecologia, outra sobre os casos de abusos sexuais na Igreja, mais especificamente nos Estados Unidos.

Interview with his grace bishop Angaelos, Coptic Orthodox Church UK

This is a full transcript of an interview that was conducted in late October, in St. Georges Coptic Centre, UK.


What were your first thoughts when you heard about what happened on October 9th?
When we heard what happened at Mespiro it was tragic and very confusing. I was on the telephone with one of our young people who was at the demonstration. He said it was fine and peaceful and they were waiting for people to arrive from one of our predominantly Christian neighborhoods. Then ten minutes later I received another phone call from a reporter I know in Cairo who said they had been driving by and had just heard some gunshots in the square. And so I phoned this young person I know and lo and behold, in just ten minutes things had turned around.
Then I was here in London, I travelled to Cairo the following morning. We were watching the news and it was horrific to see an obviously peaceful demonstration, it was a family demonstration, there were women, children, elderly people, and to see gunfire, and military vehicles being driven into and over demonstrators, it was horrific.

The generals said that the soldiers had panicked, at the size of the crowd and also the fact that they had been attacked. What do you make of that?
I generally think that soldiers who panic and cause death are worthy of court martial, or at least a trial in a military court. Because I think that soldiers are trained for military situations, and military situations are not calm situations. They are meant hopefully to be able to deal with situations of much pressure, tense situations, and if they are going to panic because men, women and children start to run, because they are being chased down by military vehicles, I hate to think what they would do at war.

The same soldiers were very restrained at Tahrir square during the uprising in February…
In Tahrir square, even on that awful night when people were killed, the army sat back and did nothing at all. They were pleaded with to do something and they did nothing. What we have also seen is that in the past several months, since the revolution, there have been hundreds of protests, sit-ins, marches and this level of force has never been used by the army. Justifiably, because I think the army is not there to use this level of aggression against their own people. What is astounding is that even during the attack on the Israeli embassy, which by all international treaties is an act of trespassing on sovereign territory, and potentially an act of war, nothing was done, the army didn’t use this level of aggression. So it’s just strange that the policy and the reaction would change so much.

Some claim the generals provoked the incident to keep a hold on power, others say the military council has been infiltrated by the Muslim Brotherhood…
I think people much wiser than I do not really know what happened that night. I don’t know. All I know is that it went against every semblance of appropriate action by an army against civilian demonstrators. Whether people had infiltrated the military council, people infiltrated the demonstration, people infiltrated the military itself, there was no justification for that sort of reaction.
And I don’t understand what went through the officers’ minds, even if it was the soldiers doing it. Did they not think they would be under scrutiny, did they not think people would be watching? Did they not think they would be accountable?

Then there are accounts of the state television calling upon people to go and protect the soldiers from the Christians… what happened there?
Again, it was apparently a change of regime, but only by name. Because the state media has always had this problem of integrity in Egypt, unfortunately. And we thought that after the revolution things would be different, but again that wasn’t the case. For a reporter to come out and call upon the general public to support the army because the Christians were attacking them, and then to actually try to justify what she had done the next day and not be called to account, that’s just implausible. The broadcasting organization for whom she works must have rules and regulations about what reporters can and cannot do. And even if that is not the case, there is a standing law in Egypt against incitement to religious conflict. Why wouldn’t that be called into place at the moment? So again, it seems that lots of rules are either being misapplied or not applied at all, or tailored to the situation.
To add insult to injury, after these occurrences we had that quite bizarre press conference held by the military council in which they tried to completely exonerate themselves, and make those absurd remarks. How could that possibly have seemed to be a plausible and wise reaction, when there is footage of people being driven into by the armed personnel carriers. How can we be told that they were running away, when there is footage of them actually running into people? How can we be told that the army didn’t even fire, and then be told that the protesters actually stole weapons from the army and shot at the army. Well if the army was armed how can you say they weren’t, and if they weren’t armed how can you say that protesters stole their weapons?

What are 10 to 12 million Christians doing in a Muslim country anyway?
Well very briefly Christians have been in Egypt since the first century. When you talk about Coptic orthodox it just means Egyptian orthodox. So the copts are the indigenous people of Egypt and they have been there for two thousand years. They are the direct descendants of the pharaohs whereas Islam only entered into Egypt in the seventh century.
So I think Christianity is seen to be there far before Egypt started to take on the appearance of an Islamic state, or an Arab state, for that matter. The Arab state status only came in during the days of Nasser, in the 50s who really wanted to bond more with the Arab identity.
The Christian presence in Egypt is the largest Christian denomination in the Middle East. The numbers in Egypt are between 10 and 12 million. Obviously the state would have it appear as much less, but whatever it is it is the largest presence in the Middle East, and therefore it is the last significant presence of Christianity in the region, after a huge drain of Christians from most other Middle Eastern countries.


Discrimination, what are the main complaints?
Although the Christians in Egypt are a minority in terms of demographics, we do not want to seek minority status, because as I said we are an indigenous people, and we don’t want to be marginalized in our own country.
The injustices and inequalities are numerable; I’ll give you just a few examples.
There are no senior ranking Christians in the intelligence services. In the army Christians will get to a certain level and then be retired. In public life, whether it is lecturers at universities, deans, professors, to my knowledge there is not a single one. Governors, there is one, in all of Egypt. So this is just one area, high ranking and high profile positions.

Judges?
Very few judges.

Police?
Again, very few high ranking.
But then we look at other aspects of life, like attacks on churches and attacks on Christians that have gone completely unprosecuted and therefore without convictions over the past decades… It really makes Christians become soft and legitimate targets, because when you have attack after attack where people get away and are not prosecuted, then others see this and realize that they are not at any risk. They can, as has happened in the past few months, take bulldozers to a church and demolish it, nobody is going to do anything, burn a church down, nobody is going to do anything, raid the church with swords and weapons and kill people and nobody is going to do anything, and so on and so forth.

I have read accounts of young Coptic girls being kidnapped, forcibly converted and married off to Muslims. Does this really happen?
Absolutely. What is debatable is the number of cases, many will say there are more or less. But if there is only one of those cases that is a complete travesty, that somebody who is a minor can be taken and be forced into a conversion, so even if there is only one case, and there are very, very many, but even if there is only one it is a travesty, it shouldn’t happen.

What do the police do in these situations?
Well, again, the reactions have been varied but generally quite lax and negative, and not wanting to be involved to the extent that sometimes we feel that the security forces in certain areas are party to what is going on, just by their mere neglect  and tunring a blind eye to it and not investigating properly and just dismissing everything as conspiracy theories, or saying that it isn’t really happening, or that they made choices, even though there is a rule that says that if somebody wants to convert they must be given an opportunity to sit with advisors of their own faith first, to be advised before they take the step, in many cases this doesn’t happen.

You have made a list of significant complaints, have things changed since the fall of Mubarak’s regime?
Yes they have changed, they have actually gotten worse. Because in the last ten months we have had somewhere in the region of 40 incidents in nine months as opposed to the same number of incidents in the preceding two years. We have had significantly more, and they have been more intense. Because we really hadn’t had a case of a church being burnt down, in contemporary history, we hadn’t had a case of a church being bulldozed to the ground. We haven’t had a case of people in a village deciding to turn up and just say we don’t want this church here, the villagers must leave, that’s ethnic cleansing.
If one faction of society goes into a village and says they don’t want the other faction there, and the government does nothing to rectify that, that is ethnic cleansing.

During the revolution Christians and Muslims were side by side in Tahrir square. It gave an idea of national cohesion. In your experience have the two communities actually been driven further apart?
They definitely have grown apart, because of the mismanagement of the previous regime. I have always been calling for a very active and positive programme of social cohesion and nation building. When you marginalize a certain part of the community for long enough then they take a step back, and then the other part of the community push them back even further.
At the time of the revolution I think people were much more positive and looking forward to a much more positive future. And that could have ideally been the case. Unfortunately only a few weeks into it we had cases of radical factions turning up and burning down churches and demolishing churches. Now in any society, in any nation you are going to have a rogue element, but it is how the state deals with that. And like I said earlier, if you have situation after situation and nothing is done about it, people see this as a green light to continue. And so what could have been a very good start, what was a very good start, actually turned into something very negative. Now there is still hope, if there is a change of attitude, if there is a change of direction, a change of leadership, there is still hope. Because Egypt now is in a formative stage, and it can be very different. But if it is not dealt with things will just continue to get worse.

It would seem to an outsider that life must be much easier if you are a Muslim. Is there a problem with conversions to Islam, is that a threat to the Christian community?
Oh, absolutely. If somebody converts from Christianity to Islam they are paraded in the streets and rejoiced with, and a huge deal is made out of it. If somebody converts from Islam to Christianity, and in theory, according to the Koran, there is no conversion in religion, we find these people are persecuted, marginalized, threatened, their lives are at risk. They must relocate, sometimes outside the country or, if they stay, they stay hidden, as closet Christians who cannot openly practice their faith, so it is very imbalanced in that way.

But is it even legal to convert from Islam to Christianity?
What people will say to you, and this is the technicality, is that of course, you can do what you want. But the state will not change your religion on your state ID. Recently there has been talk about changing that law, but what is ridiculous is that at one stage they said «OK fine, we will change your state ID but we won’t say  that you are Christian, but that you were once Muslim». And that really is like signing a death warrant. Because every time you show your ID people will look at you as an infidel. But that fortunately didn’t happen, but not because of any common sense, it didn’t happen because the system couldn’t fit that amount of characters into the space they had assigned.


What was your feeling at the time of the revolution?
Unfortunately I was one of the skeptics. I could see what would happen today, back then. I knew that the state apparatus, and the mindset and the heart of the community wasn’t yet ready to embrace that. And I knew that it would be euphoric for a while, and I was there right after the revolution, I was there in February, and people were still very euphoric, and very positive, but unfortunately it was not sustainable. And what made it even less sustainable was the military council and government’s inability to maintain a firm level of law and order, which made people accountable. So it became, in its essence, a time when people became vigilantes, taking law into their own hands, and doing things for which they were never held accountable.

The Coptic hierarchy was cautiously silent. Why was that?
I think the manifestation of what we have now explains why we were cautiously silent. Because while many people jumped on a very fast moving band wagon, few people were focused on where we were going, and it became very fashionable to jump on the bandwagon, but through experience and knowledge of the setting, I think we were very cautious and we knew where it was potentially going to go.

What has the attitude of the hierarchy been now? Has His Holiness pope Shenouda spoken out?
Well he is very disappointed obviously, as we all are. His Holiness has expressed that disappointment, and has expressed the utter horror at what has happened to his children, and has also asked for justice. We are not vindictive, we don’t want people brought to account because we want to prove a point, or settle those accounts, but because people died, and those lives have value, and when there is a rule of law in the state those rules must be applied, to at least investigate and then prosecute.


Things seem to have changed. There are still problems, but it seems as if the Christians have had enough, and now they rise up. Peacefully, but they rise up. Is this the case?
Absolutely, I was in a press conference and I was asked about fear. And I don’t think anyone fears. I think if there was another demonstration today you would still have tens of thousands of people going out. I think these sorts of things build up resilience. Not a violent resilience, not of civil disobedience, because even this protest march was applied for and run very legally. I think this just makes people defiant in wanting justice and in wanting equality, in every aspect of their lives.

Looking at Syria, being a Christian leader yourself, and taking into account what has been happening in Egypt, what would you say to the Christians in Syria?
I don’t think I am in a position to say anything to the Christians in Syria, because I think everyone makes their own assessment within their own environment and knowledge. But I don’t know if many people would blame the Christians in Syria for continuing to support the regime, after seeing what is going on, particularly in Egypt, it is a very similar situation, and if they see that the fall of even what people may see is a corrupt regime, if all it brings is more disorder, more persecution and more attacks, what purpose could that serve in their minds?

There is a significant Coptic diaspora in Western countries. Is assimilation seen as a threat?
First of all as a church we don’t use the word diaspora, because diaspora would infer a mass exodus whereas in fact the vast majority of Coptic Christians still live in Egypt. The number of Christians outside of Egypt is maximum 10%. And we don’t see assimilation as a threat, assimilation is what we should be doing, but not losing our identity. So we don’t become rigid and alienated from our surrounding community, we become part of that community and become part of the life of that community, keeping our own Christian integrity but also being good citizens and interacting with the people around us.

Has that worked?
I think so, our own experience in Australia and here, the people here become British Copts, with everything that means. They input into the community positively, they are faithful with their work, they are law abiding productive members, they care about their communities, but they also hold onto their Christian faith, their Coptic heritage, their life as life in the world, and salt in the world, and they fulfill that function of being the image of God in the world around them.

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