quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Caldeus procuram Patriarca, Egípcio procura juízo

"Living in America"? Não nos parece...
Já tinham saudades da Sociedade de São Pio X? Também eu. Por isso ontem fiz um texto com o ponto da situação deste grupo em relação a Roma. Nos blogues especializados diz-se que uma facção dissidente poderá estar a preparar novas ordenações episcopais.

Confrontado com instabilidade interna que ameaça o seu regime, o que o Presidente do Egipto mais precisava, certamente, era que um conselheiro seu viesse a público dizer que o Holocausto foi inventado pelos americanos

Boas notícias da Nigéri, a serem recebidas com cautela… O grupo terrorista Boko Haram propõe um cessar-fogo! Vamos a ver como é que a coisa corre.

A Semana Santa de Braga é candidata a Património da Humanidade! Um reconhecimento que poderá tornar ainda mais famosas estas celebrações tão marcantes.


Os bispos da Igreja Caldeia estão reunidos em sínodo para escolher hoje um novo Patriarca. O anúncio formal poderá ter de esperar mais um ou dois dias… Estaremos atentos.

Aniversários

Hadley Arkes
Um antigo aluno meu, Geoff O’Connell, e a sua mulher Cindy, acabam de celebrar o seu 40º aniversário de casamento. Casaram num subúrbio de Washington num Sábado, 20 de Janeiro de 1973, o mesmo dia da segunda inauguração de Richard Nixon.

Esses dois eventos estão ligados, na minha memória, a outro que foi revelado ao mundo dois dias mais tarde: que o Supremo Tribunal tinha proclamado nada menos que um novo “direito constitucional” ao aborto.

Estava em Washington para o casamento e na Segunda de manhã voltava de comboio para a Nova Inglaterra. Foi quando mudei de comboio na Penn Station, em Nova Iorque, que vi a notícia dramática nos vespertinos. Notícia transmitida ao mundo no primeiro dia de trabalho depois da inauguração.

Mais tarde viríamos a saber que tal não foi coincidência. O juiz Burger tinha avisado o Presidente Nixon para o facto de a decisão estar a caminho, mas comprometera-se a esperar até depois da eleição para que a questão do aborto não entrasse no debate e Nixon não tivesse que responder a ela e tomar uma posição.

A semana passada a Marcha Pela Vida reuniu pela 39ª vez para marcar o macabro aniversário de Roe. Mas desta vez reuniu sem o espírito animador da sua fundadora, a temível Nellie Gray. Também já partiram outras das figuras de proa do movimento pró-vida que participaram nas primeiras marchas: Henry Hyde, Dr. Mildred Jefferson, Dr. Joseph Stanton... é grande a lista dos heróis que foram entretanto vítimas daquilo a que Lincoln chamou “a silenciosa artilharia do tempo”.

Contudo, a Marcha foi tão animada como sempre, irradiando convicção e esperança. A multidão foi, novamente, enorme, apesar de o tempo em meados de Janeiro em Washington ser sempre do pior. Alguns já ponderaram alterar a Marcha para a Primavera, com tempo mais simpático para a celebração da vida. Mas para muitos dos nossos a Marcha ganha mais significado precisamente quando é mais difícil de efectuar.

Só a convicção explica a presença de tanta gente hoje em dia, porque é difícil imaginar uma Marcha a ter lugar numa conjuntura mais desfavorável. Nos primeiros anos havia sempre a esperança de passar uma emenda constitucional para revogar Roe e, se isso não resultasse, anular o seu efeito com a passagem da Human Life Bill.

Mas o Governo actual, e o seu aparelho regulador, estão nas mãos de um partido que olha o aborto não como uma liberdade pessoal mas como um bem público, a financiar com dinheiro dos contribuintes e a fazer valer com todas as instâncias da lei. Mesmo o público em geral já atingiu um novo patamar emocional: 1,2 milhões de seres humanos inocentes são mortos todos os anos por abortos sem causar revolta ou sequer alguma comoção. Mais e mais o público vê a situação como algo que é melhor manter longe da vista, mais um daqueles factos da vida com os quais temos que aprender a viver.

Em 2007 um bloco de cinco juízes conservadores no Supremo Tribunal sustentou a lei federal que bania os abortos por nascimento parcial*. O juiz Kennedy não estava disposto a revogar o Roe v. Wade de uma só penada, mas parecia estar disposto a juntar-se aos seus quatro colegas conservadores na defesa de restrições particulares ao aborto que fossem aprovadas pelos Estados.

Desde então essas restrições têm-se multiplicado: leis que obrigam a ver uma ecografia da criança antes de abortar, a ministrar uma anestesia à criança prestes a ser desmembrada ou envenenada, a observar um período de reflexão ou a efectuar abortos no terceiro trimestre em hospitais com cuidados intensivos para bebés prematuros.

No passado os defensores do aborto teriam ido instantaneamente para tribunal para resistir a qualquer uma destas medidas. Mas de uma forma que parece confirmar a intenção dos juízes, os estrategas do outro lado têm optado por viver com as restrições aplicadas em Estados como o Alabama, Idaho e Indiana em vez de recorrer ao Supremo Tribunal enquanto esses cinco juízes lá permanecerem.

Mais vale esperar, pensam, até ao juiz Kennedy se reformar, ou até ao Presidente Obama poder substituir um dos cinco juízes. E se dentro de quatro anos Obama não puder ser substituído por um presidente pró-vida, que possa fazer nomeações para o tribunal, então este estreito caminho judicial poderá fechar-se.

Mas a história não acaba aqui. O falecido Joe Stanton, de Boston, costumava dizer que mesmo que só conseguíssemos salvar uma ou duas vidas, estes enormes esforços do movimento pró-vida teriam valido a pena. Todos os dias activistas conversam com mulheres que se dirigem a clínicas de aborto para pararem, conversarem, reconsiderarem.

E todos os dias, incrivelmente, esses pedidos sinceros resultam. Há mulheres que mudam de ideias, há vidas que são salvas. Mesmo enfrentados com derrotas políticas, os nossos militantes não desistem de tentar salvar vidas, uma de cada vez. Este é um retrato fiel da dificuldade da nossa situação, mas é também o nosso consolo – e a base da nossa esperança que perdura.


*O aborto por nascimento parcial é uma forma de aborto tardio, já de bebés viáveis. Consiste em fazer o parto a começar pelos pés e perfurar o crânio do feto antes da saída da cabeça. Legalmente, até à cabeça sair não se pode considerar o bebé nascido.
Aqui pode-se ver um vídeo com ilustrações sobre a prática, que actualmente é ilegal mas que já foi permitida nos EUA ao abrigo de Roe v. Wade.


Hadley Arkes é Professor de Jurisprudência em Amherst College e director do Claremont Center for the Jurisprudence of Natural Law, em Washington D.C. O seu mais recente livro é Constitutional Illusions & Anchoring Truths: The Touchstone of the Natural Law.

(Publicado pela primeira vez na Terça-feira, 29 de Janeiro de 2013 em http://www.thecatholicthing.org/)

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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A situação actual das relações com a SSPX

Menos razões para sorrir actualmente...
Neste blogue tenho feito os possíveis por acompanhar a questão da Sociedade Sacerdotal de São Pio X, o grupo tradicionalista que se encontra em ruptura com Roma e que é constituído por seguidores do falecido Arcebispo Marcel Lefebvre.

Durante o ano de 2012 chegou-se a pensar que uma reunificação com Roma estaria iminente, mas em cima da hora isso não se concretizou. Muitos deram então o processo de diálogo por concluído e, de facto, durante muitos meses não se ouviu nada de positivo, apenas silêncio da parte do Vaticano e bocas e insinuações menos simpáticas da parte da SSPX.

Desde então, contudo, deram-se dois desenvolvimentos dignos de nota.

Em primeiro lugar correu o boato, por enquanto não confirmado, de que o bispo tradicionalista Richard Williamson, expulso da SSPX por insistente desobediência ao superior geral Bernard Fellay, estaria a planear viajar para os Estados Unidos para participar num encontro da Sociedade de São Pio X da Estrita Observância, um grupo que se separou da SSPX pela “traição” de Fellay se ter atrevido a entrar em diálogo com Roma e a considerar a possibilidade de reunificar.

Mais, de acordo com este boato, Williamson estará mesmo a planear consagrar um novo bispo para estes tradicionalistas, nomeadamente o padre Joseph Pfeiffer, que tem sido particularmente crítico de Fellay.

Recordo que segundo a doutrina católica um bispo validamente consagrado pode ordenar outros bispos validamente. O facto de o fazer sem autorização do Papa faz com que a ordenação seja ilícita, mas não inválida. Por isso, a confirmar-se este desenvolvimento veremos provavelmente a multiplicação de bispos tradicionalistas ordenados por Williamson e Pfeiffer.

Tradicionalistas há muitos... nesta foto o "Papa"
Miguel I, dos EUA, residente no Kansas.
Será este o futuro da SSPX?
Este efeito de fragmentação da SSPX é tudo menos surpreendente. Quando se abraça a ideia da rebelião contra o poder instituído por não se concordar com o rumo, é apenas natural que o mesmo aconteça no seio do novo grupo. É assim com os protestantes e é assim com os mais diversos grupos tradicionalistas. Se a SSPX não se reunificasse com Roma um desenvolvimento destes seria uma questão de tempo, como eu alertei já em Dezembro de 2011 quando parecia certo que as negociações com Roma iam falhar.

Tomás de Aquino como arma
O outro desenvolvimento recente já não pertence ao mundo das especulações.

O ano passado, quando se percebeu que afinal a reunificação tinha caído por terra, o Papa substituiu o presidente da Congregação para a Doutrina da Fé. Para o lugar foi um homem da confiança de Bento XVI mas que tinha um historial de conflitos com a SSPX, que na Alemanha operava um seminário na sua diocese.

Era claro que Gerhard Muller não era o homem indicado para representar a Santa Sé nestas conversações. Contudo, Bento XVI não dorme e ao mesmo tempo nomeou para vice-presidente da Comissão Ecclesia Dei (sendo que o presidente é sempre o prefeito da CDF, neste caso Muller), o arcebispo Di Noia, ele sim uma figura encarada com muito menos suspeição pelos tradicionalistas. Tornava-se claro quem é que na verdade iria conduzir eventuais diálogos.

Este mês de Janeiro, farto de ver os tradicionalistas a contar apenas a sua versão dos acontecimentos que levaram ao fracassar da última ronda de conversações, Di Noia escreveu uma carta fortíssima endereçada a todos os padres da SSPX.

Nesta carta ele repudia muito claramente o emprego de linguagem e tons críticos por parte dos tradicionalistas, chamando ainda atenção para a carta que Bento XVI escreveu aos seus próprios bispos católicos a lamentar a falta de solidariedade que sentiu quando iniciou esta reaproximação.

Di Noia cita muito São Tomás de Aquino que identificou quatro grandes obstáculos à unidade: Orgulho, ira, impaciência e zelo desordenado. Estes obstáculos apenas podem ser ultrapassados com recurso às virtudes de humildade, mansidão, paciência e caridade.

O arcebispo reconhece que as barreiras que separam Roma da SSPX, apesar de anos de conversações, têm-se mantido basicamente iguais e que por isso torna-se necessário injectar no debate novas perspectivas e uma abordagem mais espiritual e teológica.

Não é fácil resumir a carta e recomenda-se a sua leitura na íntegra, pois é de facto muito boa e forte. Pode ser lida aqui em português do Brasil, numa tradução pela qual evidentemente não me responsabilizo, e aqui em inglês, a versão que eu próprio consultei.

Quanto ao futuro, a Deus cabe. De facto, neste momento se tivesse que apostar não seria na reunificação mas sim numa acelerada auto-destruição da SSPX... contudo, em Dezembro de 2011 estava no mesmo estado de espírito e apenas sete meses mais tarde estava preparado para anunciar uma reviravolta a qualquer momento. Por isso prefiro não arriscar. Em todo o caso, humanamente, diria que as coisas estão neste momento muito difíceis.

Meninas e muçulmanos não são bem-vindos

O que é o contrário de "Shalom"?
Realizou-se hoje o enterro de várias das vítimas do acidente de autocarro na Sertã, do passado Domingo. D. Antonino Dias, bispo de Portalegre, falou de esperança e prometeu ajuda às famílias.

Depois da Holanda é a vez de a Polónia debater a questão da matança ritual de animais, que afecta directamente judeus e muçulmanos.


Quando o desporto e a religião se cruzam o resultado é por vezes fascinante. Noutras é apenas triste.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Um macaco no espaço, vários na cabeça

Bem-vindo de volta à idade média!
Na passada sexta-feira realizou-se a Marcha pela Vida em Washington. Foram 650 mil pessoas. Veja aqui um curto vídeo e saiba também o que a imprensa americana achou verdadeiramente importante noticiar nesse dia

Os islamitas fundamentalistas no Mali continuam a semear destruição. Depois de terem arrasado com vários edifícios históricos quando ocuparam a cidade, agora à saída incendiaram um centro de documentação de valor inestimável.

No Irão um pastor evangélico foi condenado a oito anos de cadeia pela sua actividade religiosa. No dia em que os iranianos anunciaram que conseguiram enviar um macaco ao espaço, bem podiam chegar ao século XXI noutros aspectos também…

O Papa Bento XVI pediu ao Patriarca Bechara Rai, dos Maronitas, que escreva as meditações para a Via Sacra da próxima Sexta-feira Santa. É uma forma de ter presentes os cristãos do Médio Oriente, para quem todos os dias são um Calvário.

March for Life 2013

650,000 pessoas. Um recorde.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Um orgulhoso segundo lugar!

Quando avisei para o concurso de de blogue do ano na categoria de Religião e espiritualidade não contava certamente com a cerrada concorrência do blogue da cadeira de Religião e Moral do Colégio Liceal de Santa Maria de Lamas.

Ainda pensei insistir com os pedidos de votos e "massacrar" os meus contactos todos para votarem no Actualidade Religiosa, mas sinceramente acho que o prémio será bem mais apreciado pelos alunos que fazem aquele blogue do que por mim.

O que me interessa sobretudo é a divulgação que um concurso destes traz. Disso já não me posso queixar e agradeço a todos os que ajudaram a espalhar a palavra.

A blogue EMRC - Colégio Liceal de Santa Maria de Lamas vão os meus votos antecipados de parabéns! Espero que ele ajude os alunos a compreender e dar valor à importância da religião para as suas vidas mas também para a sociedade em geral e espero também que eles se tornem visitantes do Actualidade Religiosa e que possam aqui esclarecer algumas das suas dúvidas também.

Obrigado a todos os que votaram em mim!

Coptas e comunicações

Cardeal Józef Glemp
Antes de mais, queria ter avisado ontem mas esqueci-me, as Equipas de Nossa Senhora fazem uma reunião de divulgação do movimento esta noite no Estoril. Se está à procura de um movimento que trabalha a espiritualidade em casal, não deixe de aparecer às 21h30 no salão paroquial da Igreja de Santo António.

Passando à actualidade, o Papa publicou hoje a sua mensagem para o Dia das Comunicações Sociais. A esse propósito falei com Pedro Gil, porta-voz do Opus Dei. A transcrição completa dessa conversa pode ser lida aqui.

Ainda sobre este assunto, D. Nuno Brás considerou ontem no debate das quartas-feiras da Renascença, que os cristãos não podem deixar de estar presentes nas redes sociais.

Amanhã faz dois anos que começaram os protestos contra o regime no Egipto. E agora, qual é a situação do país e, especificamente, dos cristãos? Entrevistei um sacerdote copta sobre o assunto. A reportagem, com vídeo, está aqui. A transcrição integral, em inglês, encontra-se aqui. Reparem nas vestes dele, agora imaginem o quanto me diverti a andar com ele de Metro e a levá-lo a almoçar no Chiado…


E cinco deputados do PSD de Santarém querem saber porque é que o Governo anda a ignorar o turismo religioso

"O Papa tem vontade de cooperar com a verdade"

Transcrição integral da conversa com Pedro Gil, director de comunicação do Opus Dei em Portugal, sobre a mensagem do Papa para o dia das Comunicações Sociais. Ver reportagem aqui.

Na mensagem do Papa lê-se que: “As redes sociais podem reforçar laços de unidade entre as pessoas e promover a harmonia da família humana”: Na sua experiência, é assim?
Falo pela experiência pessoal e de outros. É um dilema. Temos por um lado o facto inovador de uma pessoa de repente, com facilidade poder entrar em contacto com gente a quem quer muito bem, que não tem possibilidade de ver fisicamente e com quem entra em contacto pelas redes sociais. Mas temos também um dado que é dilemático, contrastante e irónico que é de pessoas que estão no mesmo espaço familiar, que estão ligadas a pessoas distantes mas que dentro da mesma casa não têm muito tempo para estar uns com os outros.

Portanto há uma aprendizagem que é preciso ser feita. Mas dentro dos condicionalismos que o Papa apresenta, sim é possível chegar à ideia de que as redes sociais reforçam a unidade e podem promover a harmonia.

O Papa diz também que as pessoas devem esforçar-se por serem autênticas. Há uma maior facilidade em ser falso no mundo digital?
Este é um dos pilares da proposta positiva que o Papa tem. Ele diz que devemos ser o que somos em qualquer circunstância. Tem a ver com a ideia da unidade de vida, segundo alguns autores, que nos deve fazer ser sempre aquilo que somos em qualquer circunstância, portanto não andarmos disfarçados. Concretamente sabemos que é fácil na internet transformar a relação entre as pessoas numa espécie de baile de máscaras em que as pessoas estão mas ao mesmo tempo estão escondidas. O desafio é esse, ser completamente transparente, não quer dizer contar tudo, quer dizer é que cada um deixe mostrar aquilo que realmente é, sem transmitir falsas imagens. Isso já seria o caminho da mentira, que o Papa considera ser o caminho errado. É apenas um risco de liberdade, enquanto oportunidade pode dar-se um ambiente de unidade e até de harmonia.

O Papa pede um “cuidadoso” discernimento, que se evite o sensacionalismo e os “tons demasiado acesos”. No seu caso, enquanto director de comunicação do Opus Dei, como é que mantém a calma quando confrontado com os muitos preconceitos que existem não só em relação à Igreja, mas em particular contra a obra?
Temos que enfrentar sempre essas dificuldades com muita serenidade, em primeiro lugar considerando que é normal que haja pessoas que tenham opiniões diferentes, tenham visões do mundo que não sejam compatíveis ou que simplesmente não se sintam bem com certas propostas, isso é normal. Quando diante de nós aparecem pessoas com atitudes mais hostis ou provocadoras isso é um teste à nossa resistência, a percebermos que também não tem tanta importância assim.

Ao mesmo tempo julgo que é preciso sempre imaginar que quem faz isso pode estar numa posição de fragilidade, por isso há circunstâncias da vida dessa pessoa que facilitam a que tenha essa reacção, por isso o mundo que não conhecemos dentro do universo pessoal de cada um é tão grande que temos de ter um bocadinho de humildade e respeitar, por isso determo-nos diante disso e ter um pouco de paciência e esperar por melhores dias, também é importante.

Bento XVI cita o seu discurso ao mundo da cultura, em Lisboa. “Constatada a diversidade cultural, é preciso fazer com que as pessoas não só aceitem a existência da cultura do outro, mas aspirem também a receber um enriquecimento da mesma e a dar-lhe aquilo que se possui de bem, de verdade e de beleza”. Falta à sociedade esta capacidade de acolher e aprender com a cultura do outro, e não apenas “tolerá-la”?
Falta muito e não falta só naquelas pessoas que têm uma opinião diferente de nós e que são um bocado intransigentes, pode faltar também no mundo do Cristianismo essa abertura.

Este apontamento, além de para nós ser uma simpatia porque a única citação do texto é do seu discurso de Lisboa, é também um apontamento autobiográfico. O Papa é assim. Eu até já ouvi testemunhos de pessoas que o conhecem directamente que dizem que tal como diz o seu lema, ele tem tanta vontade de cooperar com a verdade que assim que a descobre noutros não tem nenhuma dificuldade em se render a isso.

Papa no Twitter, autenticamente
Isto é fácil de dizer mas é mais difícil de fazer, porque muitas vezes construímos as nossas convicções de tal maneira que achamos que fizemos um percurso triunfante até chegar lá, por isso quando alguém põe isso em questão e nos faz perceber que o percurso era outro, temos de nos despir do nosso orgulho para conseguir perceber que ela tem razão. É um processo difícil, não só intelectual, é também volitiva, do coração. Só quero dizer que o Papa aconselha a fazer isso, a ter essa ginástica interior, mas quando o faz é com base na sua experiência pessoal.

O Papa termina num tom positivo, indicando que por causa das redes digitais há muita gente que sente um apelo para participar “em lugares concretos” experiências de oração ou litúrgicas. A sua experiência confirma isto?
Para muita gente tudo pode ter começado na internet. Ainda há pouco tempo conheci uma história de uma rapariga que foi a ouvir uma música no YouTube que teve uma percepção clara que Deus a chamava para dominicana. Isso acontece assim, as pessoas às vezes encontram a curiosidade, o movimento do coração a propósito destes meios.

Sempre será assim, a forma pela qual se dá aquele encontro com Deus é sempre variadíssima. Aqui mais do que a criatividade do homem em encontrar novas plataformas é a criatividade de Deus em serviço de todas as plataformas para se fazer comunicar. Confirmo a experiência de muita gente que conhece o Cristianismo através dos suportes digitais, mas depois chega mesmo a ter um encontro real com Deus.

Recentemente fez-se muito alarido com a chegada de Bento XVI ao Twitter. Na sua opinião, qual é a real importância da presença do Papa nas redes sociais?
A presença é importante porque onde há um espaço bom, aberto, humano, aí deve estar a voz de Deus, a voz da Igreja e a voz do Papa. O Twitter em concreto aproveita um dos aspectos singulares deste Papa de conseguir dizer ideias muito fortes em muito poucas palavras, o Twitter é uma plataforma excelente para isso.

"We are not worried. It is against our faith"

Transcrição completa de entrevista com o Pe. Boulos, da Igreja Copta Ortodoxa. Ver reportagem aqui.

Full transcript of the interview with Fr. Boulos, of the Coptic Orthodox Church. See news story here, in Portuguese.

Are the Copts worried about the new Constitution which has just been enacted in Egypt?
The word “worried” is against our Faith. We are not worried at all.

In the holy Bible the phrase “Do not be worried”, or “do not be afraid” is mentioned in all its meanings, 366 times. So every day there is a message from Our Lord for each person: “Do not worry”. This is our faith. Not only for spiritual concerns but for all our concerns, we are not worried.

We are currently celebrating the feast of the Nativity, and the feast of the incarnation of Jesus Christ. At this time we remember that the name of Our Lord is Emmanuel, as Isaiah the prophet said, and this means “the Lord is with us”. So we are not worried because we believe Jesus Christ is with his people. Pope Shenouda III always said this: We are not worried because the Lord is with us.

So we have faith and we see His powerful and almighty hand in everything in our Church, in the history of the Church, starting in the first century, until now, until His second coming.

About the Constitution, it is not just the Copts, there are a lot of people refusing the Constitution. Even those who took part in preparing the Constitution say that there are many things in it which are not suitable, which are against the hope of the Egyptians for change. Some subjects are against human rights, some are against what we expect and even what we deserve. We deserve a better Constitution than this. They do not pay attention to the rights of children, women or minorities. This is very difficult for us.

Mainly the Muslim Brotherhood and the fundamentalists had the upper hand in writing the Constitution, reflecting only their views. About 27 people of the 100 who prepared the Constitution withdrew from the sessions. Not only the church, there were five people from the churches, three from the Orthodox Church, one Catholic and one Protestant. When 27 people withdraw it is to show the state that they oppose the Constitution, but they did not pay attention and they continued in a hurry to finish the Constitution in a few days and asked the people to vote in a few days.

Also the timing for the voting was not suitable at all, there were many political worries, many of the judges had problems with the regime and did not want to supervise the voting. Also there was not enough time for the uneducated to get to know what they were voting for. The people responsible even said that they could change some of the subjects afterwards in the new Parliament. So there is a big question, why were they in a hurry? But it doesn’t matter, this is the Constitution now in effect in Egypt, and we hope all will go well.

Does the Church see the Muslim Brotherhood as a threat, or does it feel that it can work with the Muslim Brothers?
They are not a threat, we can deal with any regime. Mubarak’s regime was also Muslim, but we can deal with them, as with the Muslim Brotherhood, and the fundamentalists, any of them. We want our country to live in peace and love, safely, this is our hope. And we have the faith that our church is in the hand of God.

From the start of Christianity the Christian people suffered with the Romans, later from the Muslims, but our role is merely spiritual. We do not like to play politics. Our congregations, when they suffer and are deprived of their rights just because they are Christians, they go first to the people responsible, the President, Parliament, Government, and when they find that the problems are not solved, then they go to the Church, to ask the Church to interfere to get them their rights back. From that point we ask for the rights, we do not play politics.

We are about 15 million and we live in Egypt with our Muslim brothers and we want the same rights for Christians and Muslims.

If you look for Christians in high ranks and positions in Parliament, Government, ministers, heads of universities, there are very, very few. This is not right. In spite of this we offer love to all people and we hope that Our Lord will interfere at the appropriate time for the good of Egypt, first, and then for the Muslims and the Christians.

Eleição de Tawadros II como Papa dos coptas
15 million is a lot of people, even if it is a minority. Enough to perhaps even think of forming groups to defend themselves in a violent way. Is that anything the Copts have ever been tempted to do?
Never, never! We don’t need to defend our rights by fighting. This is in the Bible. At the time of the crucifixion when St. Peter drew his sword to defend Jesus He said to him: No.

This is not our way. We defend ourselves by prayer and fasting, and asking Jesus Christ to interfere and we have the faith that He has already interfered, and all for the good of those who love Jesus Christ.

How has the election of Pope Tawadros been received by the Copts, and is he prepared to face the challenges ahead?
His election was received in a very happy way, we are all happy. Even the process, of election and of voting for our new Pope, with the testimony not only from Egyptians, but from the whole world, even from Muslims, was run in a very democratic and pure way.

There is no fighting for this position. To be a Patriarch is a responsibility, more than a position or a dignity, and the first candidates are all good, they are all suitable for the position. They are all leaders in the Church, monks who have already died to the World, who love poverty, live in chastity, are unmarried, want nothing for themselves, they only want to serve the Lord and the Church till the end of their lives, this is the only thing they want.

So we choose these 17 at first, then vote and narrow it down to three. Then the Pope is chosen from the altar ballot, after the liturgy, by a young child. When he chose Pope Tawadros the II we were all happy, because this is the choice of Our Lord Jesus Christ. This is our Faith. Even his name means “The Gift of God”, so he is the gift of God to our Church, this is our faith.

Even this process is described in the Bible, in the Book of Acts, chapter 1, when the disciples want to chose a replacement for Judas, who betrayed Jesus, they do the same steps. They see that they have 120 people, all of them have been found good. They have a criterion, men who have accompanied them from the beginning, since Jesus’ baptism by John until now. Then they propose two, then they pray to the Lord and they cast the lots, which land on Mathias, and he is counted as one of the 12. So these rules are in the Bible and we are happy with them.

Now, is he prepared for the challenges? Well, first of all, as he was chosen by Jesus Christ, of course he is prepared. We have examples in our recent history. Pope Cyril the VI was chosen by the Lord and he was suitable and prepared to deal with Gamal Abdel Nasser. Pope Shenouda III worked with Sadat and Mubarak and he was very well prepared for that. So we have the faith that Pope Tawadros II is well prepared.

He is a scientific man, a pharmacist, he is well educated, a good leader, he has an open mind. He worked for a long time with one of the elders of the Church, Anba Pachomius, so he is well trained and he has a lot of experience. Besides that he has the Lord supporting him, all the clergy supporting him and the love of the faithful all over the world, so he is well prepared.

Pope Benedict XVI prayed today (16 January 2013) for Christian Unity. Is this wish for unity, which has been expressed by the Catholic Church many times, shared by Pope Tawadros and the Coptic Church?
Of course! The prayer for unity and communion and solidarity of the churches is very important, and this did not start with Pope Benedict or Pope Tawadros, it started a long time ago, in the time of Cyril VI, and of Pope Shenouda, there were a lot of meetings.

We have to understand first that there are a lot of differences between the churches, that began in the fifth and sixth centuries, so to solve them all we need time, lots of meetings, and this is important, but the most important is to pray. This is the most important step, all the churches need to pray for the unity of the church.

But at the level of the Christians themselves, we love each other. We love the Catholics, the Protestants, all the people, and we respect each other. The hope of unity is not only our hope, it is the hope of Jesus himself. As He said in his prayer before the crucifixion, in John 17, He said to the Lord: “Keep through your Name those who you have given me, that they may be one as We are one”. This is the hope of Jesus, that we may be one as He is one with His Father.

So we hope that the time will come when we will be one Church, because the Church is the body of Christ and He is the head of this Church.


Ícone copta 
All the changes there have been in Egypt, is the situation for Christians better or worse since the fall of Mubarak?
The situation of Christians is nearly the same. We have to be honest. We hear about churches destroyed and burned. Women are kidnapped and after a time we are told that they became Muslims and got married, this is a shame, something that hurts the hearts of the families. This is something difficult for the church.

Every now and then they tell us that it will all be controlled, that the law will take the upper hand, we are all under the law, and even after investigations nothing changes, everything stays the same. We are in a time of change, we hope that in the future when everything is settled, things will be better, not only for Christians, but for all Egyptians.

How do you see the future of the Christian communities in other countries?
The future of the church and of the communities is in the hand of God, this is our Faith. The shepherd of the Church is Jesus Christ. There are changes at the church level and changes and challenges at the political level. This is life. People depart and others become leaders. The ones who depart, like Pope Shenouda and the Patriarch of Syria, for example, they are saints, and all are very good.

We are expecting more from the new leaders, this is our hope, we expect more for our churches and we expect more for the unity of the churches. We ask the Lord to give them more wisdom about how to deal with the challenges and the political changes happening nowadays. In our liturgy we pray, “As it was in the beginning, is now and forever shall be”, so the changes will be for good.

Is there a sense of solidarity amongst Middle Eastern Christians, or is the fact that there are so many different communities and churches an obstacle?
To some extent the differences are an obstacle. We are not so close to each other. People do not follow the events in different countries. But at the level of the leaders they are starting on the way to solidarity and unity.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Não se preocupem judeus! Vai correr tudo bem

"Hey jews, don't you worry about a thing..."
Os judeus não têm nada a temer na Europa, considera o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz. O presidente do Congresso Judaico Europeu não tem tantas certezas.

As auto-imolações no Tibete estão prestes a chegar aos 100. Hoje foi um jovem pai de família que tirou a própria vida em protesto contra a ocupação chinesa.



E ontem foi dia de São Vicente, padroeiro de Lisboa. D. José Policarpo disse na missa em Lisboa que é preciso manter a esperança.

Quarenta Anos de Roe v. Wade: 2ª Parte

Francis J. Beckwith
A decisão maioritária em Roe v. Wade não só não abordou satisfatoriamente a questão de saber se o Ser Humano não nascido é, ou não, um sujeito moral (como demonstrei na 1ª parte), como a sua relutância em abordar essa questão minou também dois dos outros argumentos centrais dos juízes: (1) o argumento que parte do princípio de que o feto merece a protecção da 14ª Emenda, caso seja de facto uma pessoa e, (2) o argumento de que o Estado tem interesse na vida intra-uterina a partir do momento da viabilidade fetal.

Segundo o juiz Harry Blackmun, autor da decisão, “Se for estabelecida a sugestão de personalidade [do nascituro] então o caso do queixoso cai, evidentemente, por terra, porque nesse caso o direito à vida do feto estaria garantida especificamente pela [14ª Emenda].” Nessa emenda lê-se: “o Estado não privará ninguém de vida, liberdade ou propriedade sem o devido processo legal; nem negará a qualquer pessoa dentro da sua jurisdição igualdade de protecção debaixo da lei”.

Por isso se a defesa deste caso – o Estado de Texas – tivesse conseguido demonstrar que o nascituro é uma pessoa ao abrigo da 14ª Emenda, não haveria direito ao aborto.

Vejamos agora o que Blackmun escreve noutra parte da sua opinião: “Não temos de resolver a difícil questão de quando começa a vida. Quando aqueles treinados nas respectivas disciplinas de medicina, filosofia e teologia são incapazes de chegar a um consenso então o tribunal, nesta altura do desenvolvimento do conhecimento do homem, não se encontra em posição para especular.”

Como expliquei no meu primeiro texto, esta afirmação até parece justificar as proibições ao aborto, uma vez que se pode partir do princípio que o Estado tem interesse em ser prudente quando os peritos discordam sobre se um acto constitui ou não homicídio.

Mas colocando esta questão de lado, olhemos para esta referência à discórdia por parte de Blackmun à luz da sua afirmação de que, se de facto for uma pessoa, o feto se encontra protegido pela 14ª Emenda. Não se percebe como é que daqui se extrapola um direito ao aborto.

Porque se, como Blackmun afirma, o direito ao aborto depende da ausência de personalidade do nascituro, o facto de ele dizer que não há acordo sobre a matéria não confirma a premissa. Por isso, na melhor das hipóteses, a argumentação demonstra que o direito ao aborto é um assunto discutível para os peritos na mesma medida do estatuto do nascituro, porque se for comprovado que o feto é uma pessoa, então isso anula o direito ao aborto.

Consequentemente, longe de estabelecer esse direito, a lógica de Blackmun estabelece que o Tribunal deve ser tão agnóstico sobre o direito ao aborto como é sobre a personalidade do feto. O que vemos é que o Tribunal, reconhecendo implicitamente que a conclusão não é consequente, simplesmente estipula um direito ao aborto.
Harry Blackmun

No segundo argumento o Tribunal defende que à medida que o nascituro se desenvolve e amadurece, o interesse do Estado na vida pré-natal aumenta. Por esta razão o Tribunal conclui que o Estado pode, embora não tenha de o fazer, proibir o aborto a partir do momento em que o feto é viável fora do útero, excepto em caso de perigo de vida da mãe ou para a sua saúde.

Uma vez que a noção de “saúde” recebe uma definição tão alargada na decisão Doe v. Bolton (1973), que acompanhou Roe, abrangendo a saúde psicológica, familiar e emocional, muitos concluem, como eu, que esta é uma excepção que torna a regra inconsequente. Mas vejamos como Blackmun justifica a ideia da viabilidade.

Dependendo de uma variedade de factores um feto pode ser viável – embora possa precisar de assistência tecnológica – entre as 20 e as 26 semanas depois da concepção. Antes desse ponto precisa do abrigo e do sustento do útero da sua mãe.

O juiz Blackmun afirma que esta dependência física acarreta um significado moral e por isso a “justificam-se, tanto logica como biologicamente, leis estatais protectivas da vida fetal depois da viabilidade”. “Isto acontece”, escreve, “porque [quando viável] pode-se presumir que o feto tem a capacidade de ter uma vida com significado fora do útero da mãe”.

Mas estamos aqui perante um argumento perfeitamente circular. Blackmun procura distinguir entre vida com e sem significado para sustentar o argumento de que o Estado tem um interesse em proteger aquela apenas quando está em causa o direito de uma mulher a abortar. Ele escolhe a viabilidade, o ponto a partir do qual o feto pode sobreviver fora do útero, como o limite a partir do qual a vida de um nascituro passa a ganhar significado.

Mas Blackmun justifica a viabilidade como sendo naquela altura precisamente porque é a partir dela que “pode-se presumir que o feto tem a capacidade de ter uma vida com significado fora do útero da mãe”. Mas essa é também a sua conclusão. Por isso, tal como no primeiro exemplo que vimos, Blackmun limita-se a estipular a sua conclusão, sem a justificar minimamente.

Na primeira parte expliquei por que razão o Tribunal não ter abordado a questão do estatuto moral do feto revela as frágeis fundações de Roe v. Wade. Aqui demonstrei como dois dos argumentos centrais da decisão maioritária de Roe não se baseiam em mais do que estipulações sem mérito.

Logo, Roe v. Wade não foi só uma tragédia por ter falhado na protecção dos mais vulneráveis de entre nós, mas também porque deu legitimidade judicial a um hábito mental que privilegia o preconceito sem fundamento no lugar da deliberação racional.


(Publicado pela primeira vez na Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2013 em http://www.thecatholicthing.org)

Francis J. Beckwith é professor de Filosofia e Estudos Estado-Igreja na Universidade de Baylor. É autor de Politics for Christians: Statecraft as Soulcraft, e (juntamente com Robert P. George e Susan McWilliams), A Second Look at First Things: A Case for Conservative Politics, a festschrift in honor of Hadley Arkes.

© 2012 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Dois mil milhões que nunca farão 40 anos

Faz hoje 40 anos que o Supremo Tribunal americano decidiu que o “direito à privacidade” se traduzia num direito implícito ao aborto, protegido constitucionalmente. Explorei este assunto aqui, falando com três especialistas.

Como de costume pode ler a transcrição integral destas conversas no blogue. Temos o juiz português Pedro Vaz Patto, que compara a situação com a portuguesa, Joseph Meaney da Human Life International e o filósofo Francis Beckwith, que já conhecemos dos seus artigos para The Catholic Thing, incluindo um recente que tratava exactamente este assunto.




Amanhã, para quem estiver interessado, há uma sessão na Universidade Católica, em Lisboa, às 18h15, sobre o decreto conciliar Unitatis Redintegratio, que trata do ecumenismo, proferida por João Duque.

"The court never dealt with the question of foetal personhood"

Transcrição completa, no inglês original, da entrevista a Francis Beckwith. Ver reportagem aqui.

Full transcript of interview with Francis Beckwith. See here for news story.

You have argued that Roe v. Wade is a weak decision from a legal point of view. Why is that?
There are several reasons. The court never, in a direct way, dealt with the question of foetal personhood. Though it did attempt to address it in several places it never really wrestled with the arguments in a serious way.

For example, when Roe v. Wade passed in 1973 most of the states prohibited abortion based on laws that had been in place since the 19th century and those laws were there because they were intended to protect unborn children. The court said that wasn’t the purpose of those laws, and it relied heavily on several law review articles that we know now are mistaken.

So that is one main reason, the other is that there had been, up until the 1960s a very long tradition, found in the Constitution, that the laws about Health and Morality come from the states, not from the Federal Government. So when the Supreme Court found a fundamental right to abortion in the Constitution it overturned a very long tradition of those types of laws being part of the powers of state governments.

Do you see Roe v. Wade being overturned?
I think it could happen. Right now the composition of the court is very, very close. If there was a decision now all it would do would be to send the question back to the states. So you would have would be the same situation as prior to Roe, people in different states making their case and you would have a hodgepodge of laws, so overturning Roe v. Wade would not prohibit abortion, all it would do would be to return the question to the states.

Next Friday thousands of people will march against abortion in Washington. How important are these marches?
I think they are very important, for several reasons. I think the way pro-lifers conduct themselves during these rallies sets a great example. They show themselves to be not angry, but people who want to protect unborn human life, and they do so obviously with deep conviction but also in a respectful way, which is really unusual when it comes to political rallies over such issues in which people disagree strongly.

It also shows political leaders, as well as other citizens, that there are people who hold these views and they are willing to publicly announce it and that gives encouragement to other pro-lifers and also tells politicians that these are people who need to be taken into consideration.

"Under President Obama abortion has been a high priority item"

Transcrição integral, no inglês original, de entrevista a Joseph Meaney, coordenador internacional da Human Life International. Ver reportagem aqui.

Full transcript of interview with Joseph Meaney, International Coordinator for Human Life International. See here for news story (in Portuguese)

What was the impact of Roe v. Wade at an international level?
The cumulative effect of abortion over the past 40 years is almost 2 billion abortions worldwide; the fact that it has been legalized in most of the industrialized world, and large parts of the developing world as well is kind of a snowball effect.

Abortion is promoted actively by many groups including the International Planned Parenthood Federation, and it has moved through all the key countries around the world. The USA legalized abortion in 1973 and was one of the first countries to do so after the communist block and the UK, in 1967.

It was a domino effect, all of Western Europe, in the 70s and 80s legalized abortion, there are a few countries holding out, like Ireland and Malta, and Poland reversed its abortion legalization, but still there has been a tide of more and more countries legalizing abortion, and that has been pushed with the ideology of Roe v. Wade, the ideology that abortion is a right, that women have a right to choose an abortion and that the right to life of the child does not enter into the equation.

This has been a strong feminist mantra and the strongest push for abortion has come from radical feminists around the world and a lot of the argumentation goes to Roe V. Wade and the right to privacy and the right to choose, which was enshrined in that decision in 1973

What role does the USA currently play in the international abortion debate?
It has been very clear that under President Obama and Secretary of State Hillary Clinton that abortion rights, and pushing the legalization of abortion around the world has been a high priority item. The new constitution of Kenya comes immediately to mind, which weakened their pro-life laws significantly and which was lobbied for by the USA and by VP Biden who made a special trip to Kenya to urge voting for the new constitution and saying the US would donate money if it passed.

So these different incidences around the world where abortion has been legalized or there have been moves in that direction, have been strongly supported by the current administration. What we see in American politics in general is a polarisation. The Democratic administrations, since the 70’s have been very much for abortion and the republican administrations, since Reagan, have been against, and the foreign policy of the USA has followed in that vein.

There is something called the Mexico City policy which Reagan instituted in the 1980’s, which says that organizations that promote or perform abortion cannot receive funds from the US Government. That of course cut out Planned Parenthood and other organizations like that from receiving millions and millions of dollars. The very same Mexico City policy has been rescinded both by Clinton and Obama. There is also a question of money: pro-abortion groups get more money when there is a pro-abortion administration.

"É difícil sustentar que não se trata de vida humana"


Transcrição integral das respostas do juiz Pedro Vaz Patto às questões sobre o 40º aniversário do caso Roe v. Wade. Ver reportagem aqui.

Que semelhança há entre o processo de legalização do aborto nos EUA e em Portugal?
Uma primeira diferença que é bom sublinhar é que nos EUA a legalização resultou de uma decisão judicial. Não conheço mais nenhum país em que tenha sido assim.

Noutros países, como Portugal, a decisão partiu sempre de uma iniciativa legislativa e penso que é assim que deve ser, uma decisão desta importância não pode depender de uma decisão judicial. Os tribunais têm toda a legitimidade para interpretar a lei, mas não para criar leis novas, acho que aqui há uma diferença que é aquilo a que se chama activismo judicial, os juízes vão para além daquilo que seria a sua competência e legitimidade.

Por outro lado, o fundamento da decisão do tribunal americano é o chamado direito à privacidade, um direito consagrado na Constituição do Tribunal americano e na constituição de muitos outros países.

Esse direito já tinha sido invocado num outro caso célebre, mas esse relativo à aquisição de contraceptivos e utilização de contraceptivos, mas há aqui uma diferença substancial. Em relação aos contraceptivos não abortivos nós podemos de facto invocar o direito à privacidade, mas invocar o direito à privacidade no caso do aborto significa negar pura e simplesmente qualquer estatuto jurídico ou qualquer forma de protecção à vida na fase pré-Natal.

O Tribunal Constitucional português, quando se pronunciou sobre esta questão, para controlar as decisões tomadas pela Assembleia da República, partiu sempre de um princípio distinto, de que a vida humana, e a protecção constitucional da vida humana, artigo 24º da Constituição Portuguesa, que determina que a vida humana é inviolável, uma expressão categórica e que aparentemente não permite excepções, é também a vida intra-uterina. O Tribunal Constitucional sempre partiu deste princípio e avaliou a legislação sobre o aborto sempre à luz deste princípio, de que a vida do embrião tem protecção constitucional, deve é ser compatibilizada, deve haver uma ponderação de valores entre esse valor constitucional e outros, incluindo o direito à autodeterminação da mulher.

Depois podemos questionar se realmente a legislação que foi sucessivamente aprovada, designadamente a lei em vigor, correspondem a um equilíbrio razoável e justo entre estes vários valores constitucionais, porque à luz deste princípio da concordância prática nenhum destes valores deve ser sacrificado em absoluto. O que se pode questionar é se a legislação em vigor não deixa sem protecção a vida intra-uterina. De facto as decisões do Tribunal Constitucional foram controversas, tanto que houve sempre votos de vencido.

Mas o Supremo Tribunal americano toma alguma posição sobre a vida intra-uterina?
O tribunal americano diz que como não havia consenso nessa matéria. Mas é uma neutralidade aparente, porque aqui está-se a fazer uma opção no sentido de não reconhecer que a vida começa na concepção. Se em 1973, do ponto de vista científico, era questionável ignorar a vida humana pré-natal, muito mais é hoje. Neste período muito se descobriu no sentido de conhecimento da vida pré-natal e cada vez mais se conhece e cada vez mais é difícil sustentar que não se trata de vida humana.

Tanto assim é que é curioso que uma reportagem da revista americana Time, num dos últimos números, vinha pôr em relevo o facto de hoje a adesão da opinião pública a estes princípios subjacentes ao Roe v. Wade é hoje das mais baixas. Podemos até pôr em causa que a maioria das pessoas se reveja nessa decisão. Mesmo que as pessoas aceitem alguma forma de legalização do aborto, a maioria entende que deve haver limitações e não aceitam esta liberalização completa e absoluta que deriva da decisão do Supremo Tribunal americano.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Árvores caídas e terras sem filhos

Estragos do fim-de-semana em Fátima
O Santuário de Fátima sobreviveu, mas com danos. Ainda assim, não ficou no estado em que chegou a estar o Mosteiro de Salzedas. Felizmente falamos no pretérito, porque hoje o mosteiro está restaurado e é um exemplo apontado pela Associação Portuguesa de Museologia.

Dois bispos preocupados com a falta de nascimentos e com os incentivos à natalidade. D. Ilídio Leandro, de Viseu, aponta o dedo ao Governo, D. António Couto diz que em Lamego praticamente não há crianças.

Venho novamente fazer-vos um pedido! O blogue passou à final, a votação começa agora do zero e está restrita aos cinco mais votados. Até Sábado podem votar uma vez por dia, é só clicar aqui e procurar a categoria Religião (bem lá ao fundo). Obrigado!

Para quem vive em Lisboa e estiver livre, vou hoje participar num debate sobre liturgia, com base nos 50 anos do Concílio, na paróquia de Santa Isabel. O evento realiza-se no auditório da Escola de Hotelaria que fica a cerca de 100 metros da Igreja. Todos são bem-vindos e a ideia é fazer-se uma discussão alargada com participação de todos.

Get out the vote!

A primeira vitória está alcançada... o Actualidade Religiosa está entre os melhores cinco blogues sobre religião de 2012! Agora é a sério.

Os melhores cinco classificados estão na final e a contagem começou do zero. Por isso, e caso sintam que este espaço merece a vossa aprovação, façam o favor de ir para o site votar nele.

Atenção que é preciso descer quase até ao fim da página já que as categorias estão por ordem alfabética e olhem que podem votar uma vez por dia. Vá lá, são só seis dias, as "urnas" fecham no sábado.

Muito obrigado!
Filipe

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Um Ibrahim para o Egipto, um Eamon para a Irlanda

Novo Patriarca para os copta-católicos
Começa hoje o oitavário de oração pela unidade dos cristãos. A este propósito a Renascença falou com o bispo português responsável por esta área. D. António Couto diz que é importante chegar aos jovens.

Temos também uma conversa com uma jovem que participa há vários anos em encontros da comunidade de Taizé, onde o ecumenismo se vive no dia-a-dia.

Duas nomeações importantes neste dia. No Egipto os coptas católicos têm um novo Patriarca. Seguindo a tradição própria das igrejas orientais foi eleito pelo próprio sínodo e hoje Bento XVI aceitou o seu pedido de comunhão eclesiástica.



quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Roma, Polónia, Tribunais e Três Tipos de Materialismo

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O Vaticano criticou a decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem que ontem foi publicado e que recusou reconhecer a dois ingleses o direito à objecção de consciência para trabalhar com “casais” homossexuais.


Na Polónia um tribunal decidiu manter o crucifixo que se encontra por cima da entrada do Parlamento. Esta também acabará por ser decidida no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, aposto.

Conheçam Imre Téglázy, sobrevivente de uma tentativa de aborto e principal combatente pró-vida na Hungria. A sua história pode ser vista em vídeo, aqui.

E hoje publicamos um novo artigo de The Catholic Thing. Robert Royal escreve sobre novas e assustadoras formas de materialismo que fazem com que o consumismo do Natal pareça benévolo… Falamos da redução da actividade humana “a um conjunto de comportamentos animais” e da “crença de que o ser substancial nem sequer existe. Que não passamos de trocas de energia e matéria”. Alguns dos problemas que certamente vamos encarar no futuro e que convém conhecer.

Por fim a vossa atenção para dois eventos ecuménicos no fim-de-semana.
Sábado há uma vigília na Catedral Evangélica de São Paulo, na Rua das Janelas Verdes, em Lisboa (ver cartaz) e Domingo um encontro no Salão Paroquial do Algueirão pelas 20h45 e que juntará, para além de "leigos", líderes católicos, evangélicos, ortodoxos, lusitanos e adventistas. Tudo isto no âmbito da semana de oração pela unidade.

Três Tipos de Materialismo

Os doze dias do Natal acabaram há pouco e, com eles, ondas de materialismo cru e desejo insaciável por coisas. Como se isso não bastasse, os analistas de mercados estão preocupados que tudo isto não seja suficiente para fazer mover a economia, enquanto os moralistas preocupam-se que o materialismo seja de tal forma que não deixa espaço para mais nada.

Há aqui algumas coisas a analisar. Se a nossa economia está mesmo tão dependente assim de vendas de Natal, até aqueles de entre nós que acham que normalmente os mercados cumprem da melhor maneira o papel de distribuir bens e serviços devem parar para pensar.

Talvez seja por causa de todos os outros sinais preocupantes na América hoje em dia, mas dou por mim menos preocupado com esta fúria de compras do que no passado. No geral é apenas mais um ano em que, apesar de a sua mulher já ter vinte pares de sapatos e um armário cheio de roupa, acha que “não tem nada que vestir”. Pela minha experiência, as mulheres acham relaxante fazer compras enquanto os homens preferiam uma tarde inteira de tortura a um serão no centro comercial. É verdade que os homens também têm desejos por ferramentas e aparelhos electrónicos, mas todo este consumismo, apesar de espiritualmente perigoso, empalidece quando comparado com outras formas de materialismo moderno.

Isto porque surgiu uma segunda forma de materialismo na nossa sociedade que considero exponencialmente mais preocupante: A redução de toda a actividade humana a um conjunto de comportamentos animais. Não é preciso procurar muito até encontrar um artigo qualquer sobre um antropologista ou um primatologista que “explicou” os comportamentos dos homens e das mulheres em relação às compras, ligando-os às necessidades dos caçadores-recolectores antigos (por alguma razão as planícies de África há 2 milhões de anos costumam entrar no quadro).

As mulheres, claro está, tinham que procurar comida e lenha enquanto os homens deambulavam por aí a afiar lanças para proteger o grupo. Não nego que haja algumas bases materiais para muitos dos comportamentos humanos que emergiram por processo evolucionário. Mas em relação à razão pela qual as pessoas fazem coisas hoje, estas “explicações” estão na mesma divisão que a astrologia. Para além disso, passou-se muita coisa nos últimos dois milhões de anos.

Não somos os primeiros a culpar as forças materiais pelos nossos comportamentos. Em “Rei Lear”, o vilão Edmund, filho ilegítimo de um pai devasso, diz a verdade sobre estas desculpas, e sobre si mesmo:

Essa é a maravilhosa tolice do mundo: quando as coisas não nos correm bem - muitas vezes por culpa de nossos próprios excessos - pomos a culpa de nossos desastres no sol, na lua e nas estrelas, como se fôssemos celerados por necessidade, tolos por compulsão celeste, velhacos, ladrões e traidores pelo predomínio das esferas; bêbedos, mentirosos e adúlteros, pela obediência forçosa a influências planetárias, sendo toda nossa ruindade atribuída à influência divina... Óptima escapatória para o homem, esse mestre da devassidão, responsabilizar as estrelas por sua natureza de bode. O meu pai juntou-se à minha mãe sob a cauda do Dragão e minha natividade deu-se sob a Ursa Maior: de onde se segue que eu tenho de ser violento e lascivo. Pelo pé de Deus! Eu teria sido o que sou, ainda que a mais virginal estrela do firmamento houvesse piscado por ocasião de minha bastardização.


Como se isso não bastasse, surgiu recentemente uma terceira forma de materialismo, ainda mais radical. Começamos a ouvir falar, por neurocientistas, teóricos literários e filósofos, na crença de que o ser substancial nem sequer existe. Que não passamos de trocas de energia e matéria. Que o ser é uma ilusão.

Existem, é certo, versões mais ou menos honradas deste ponto de vista no estoicismo e no Budismo, e mesmo a Bíblia recorda-nos que nada somos. Mas esta nova perspectiva é um niilismo que não conhece travões.

Nem sequer o senso comum o pára. Qualquer pessoa que tenha os hábitos filosóficos mais modestos questionar-se-á sobre quem é que alega “saber” estas coisas e por que razão acha necessário falar deles uma vez que não existe ninguém para saber ou ouvir. Não é por acaso que uma vez que a ciência, que por definição não lida com entidades como pessoas ou almas, é tida como sendo a verdade total, o sentido de nós mesmos enquanto seres começa a evaporar-se.

Estamos longe de um argumento abstracto, este arrisca-se a ter consequências negativas. Há 25 anos William Barrett, que se tornou famoso ao escrever o livro “Homem Irracional”, que explicava o existencialismo numa linguagem americana, voltou-se para um problema premente. Em “A Morte da Alma” ele defendeu o ponto de vista sensato de que não olhamos para as pessoas de quem gostamos – esposos, filhos, pais, amigos – como meros mecanismos à base de carbono. Consideraríamos monstruoso quem o faz.

Contudo é precisamente aí que começamos a encontrar-nos enquanto cultura. O aborto fácil e a ameaça permanente da eutanásia derivam do enfraquecimento da noção de que há algo de sagrado na condição humana. Paradoxalmente, Governos em todo o mundo, mesmo nos países mais “avançados”, encorajam a autonomia absoluta (não existe natureza humana, apenas a vontade crua – a não ser que estejamos a falar de homossexualidade, que as pessoas bem-pensantes sabem ser fixa e, por isso, um dado biológico imutável).

Simultaneamente, estamos convencidos de que o Estado moderno pode agora imiscuir-se em todas as actividades humanas, à excepção daquelas às quais impomos limites, por agora, devido a uma réstia de humanitarismo. Mas mesmo essas excepções começam a evaporar-se à medida que cresce a certeza de que os especialistas científicos sabem de coisas que significam que a maioria de nós não conta para nada.

Há muitos materialismos no mundo e, é verdade, todos são potencialmente letais. Apenas uma visão transcendente de Deus e das pessoas consegue fazer frente a esta crise. Em breve veremos se o homo sapiens herdou material suficiente dos seus antepassados nas planícies africanas para se salvar da auto-negação.

Em comparação, e dadas as alternativas, é com serenidade que encaro um pouco de compras em excesso.


Robert Royal é editor de The Catholic Thing e presidente do Faith and Reason Institute em Washington D.C. O seu mais recente livro The God That Did Not Fail: How Religion Built and Sustains the West está agora disponível em capa mole da Encounter Books.

(Publicado pela primeira vez na quinta-feira, 10 de Janeiro 2012 em www.thecatholicthing.org)

© 2012 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing. 

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