quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Sinais de Esperança na Arquitectura

Randall Smith
Estamos num novo ano e todos gostamos de começar com um sentido de esperança. Alguns depositam essas esperanças num novo presidente, outros estão aterrorizados. É essa a natureza imperfeita, e em última instância insatisfatória da política. A política é muito importante, claro, mas esperar que ela nos dê satisfação que perdure é como esperar que o castelo na areia sobreviva à maré cheia. Não vai acontecer.

Existem sinais de esperança mais duradouros? Creio que sim, como poderão ter visto a semana passada nas páginas do The Catholic Thing. Não, não foi nada que eu escrevi (como se isso fosse possível!), mas numa ligação que vos poderá ter passado despercebida.

Se forem como eu (Deus vos livre) e não costumam ver os anúncios no The Catholic Thing (vergonha!), então poderá ter-vos escapado o item no canto inferior esquerdo chamado “Sacred Spaces”, onde há pouco tempo estava o link “Antes e Depois: 13 Renovações de Igrejas que Vale a Pena Celebrar”. Ainda podem ver, basta clicarem aqui.

Se ainda não viu estas imagens, faça um favor a si mesmo e veja-as agora. Estes restauros de igreja dão-nos sinais de esperança depois de décadas debaixo da opressão da ideologia arquitectónica modernista – um regime tirânico que, não obstante aqueles que culpam tudo o que é mau no Concílio Vaticano II, data do início dos anos 50.

Nos anos que entretanto passaram, não só foram construídas muitas igrejas cinzentonas e sem vida, mas pior, centenas de outras igrejas foram despidas da sua beleza original, destruídas num assombro de iconoclasmo modernista que procurava transformar todos os santuários católicos em cópias dos interiores caiados, modernistas, estilo sala-de-estar e “church-lite” exibidos em Environment and Art in Catholic Worship (1963), o modelo modernista para a desconstrução eclesial cujas recomendações, apesar de nunca terem sido aprovadas pelos bispos americanos, foram impingidas a todas as paróquias dos Estados Unidos com um rigor estalinista.

O que estas renovações demonstram, porém, é que estamos finalmente a tirar fruto de uma resistência contra a tirania arquitectónica modernista dos últimos 50 anos. Deliciem-se com as melhorias! Reparem na beleza. Compreendam bem o que pode ser feito. Depois, quando o vosso pároco recomendar renovar a vossa igreja, não deixem que ninguém vos diga que este tipo de igrejas já não pode ser feita. Vão encontrar padres e “especialistas em liturgia” que insistirão no modernismo. Resistam. Mostrem-lhes estas fotos e digam: “Só se construírem algo assim”. Não voltaremos a ter igrejas belas outra vez a não ser que os católicos as comecem a exigir.

Enquanto vêem as fotografias, reparem que há duas categorias de edifícios. Os primeiros eram provavelmente muito belos quando foram construídos, mas foram pilhados pelo iconoclasmo dos anos 60 e 70. Agora estão a ser restaurados com a grandeza original. Um exemplo é o número 4: A Holy Name, em Brooklyn, Nova Iorque. Se forem ver a “história paroquial” notarão que o interior original era espectacular.

O que é que aconteceu para que esse interior tão belo fosse transformado no “antes” que se vê na imagem, a precisar tão desesperadamente de ser renovado? O site da paróquia diz, como se nada fosse, que “o interior da igreja foi modernizado e remodelado para permitir as reformas litúrgicas proscritas [sic] pelo Concílio Vaticano II”. A gralha diz tudo. Esta destruição nunca foi “prescrita” (exigida) pelo Concílio; pelo contrário, era “proscrita” (proibida). E apesar disso, estas mudanças foram impingidas às comunidades contrariadas em nome do Concílio. Outras igrejas que parecem encaixar nesta categoria são: (#6) Igreja de St. Mary, em Fennimore, Wichita; (#7) St. Mary em Durand, Illinois e (#10) St. Coleman, em Washington, Ohio.

Igreja de St. Mary, Fennimore
A outra categoria de renovações teve lugar nos produtos horríveis dos anos 50, 60 e 70. Sempre pensei que estes edifícios eram tão feios que não havia nada a fazer. Mas o génio de certos arquitectos provou, felizmente, que estava enganado.

Vejam, por exemplo, o que o meu amigo Duncan Stroik conseguiu fazer com o anteriormente enfadonho St. Theresa em Sugarland, no Texas. Depois vejam os milagres feitos com estas outras igrejas que muitos poderiam pensar que nunca seriam grande coisa. (#2) St. Louis; (#3) St. Peter the Apostle; (#7) Holy Trinity; (#9) St. Bede e, (#13) a capela do Mosteiro do Menino Jesus de Praga.

Mas o prof. Stroik ficaria muito triste comigo se eu não fizesse outro apelo. Por vezes ele queixa-se que há quem pense que a única maneira de conseguir igrejas bonitas é através da renovação. Mas também é possível construir igrejas belas de raiz. É, aliás, bem mais fácil do que tentar renovar um daqueles cubos de tijolo hediondos dos anos 50. Porquê contentarmo-nos com o feio? Não há necessidade.

Mas é preciso encontrar um arquitecto com talento. Muitas paróquias usam arquitectos que toda a vida apenas construíram igrejas feias, ou arquitectos especializados em escritórios e centros comerciais. É por isso que muitas igrejas acabam por parecer escritórios ou centros comerciais.

Há arquitectos treinados para construir igrejas belas. Dois dos melhores na América são o já referido Stroik e James McCrery. Há outros, muitos dos quais treinados na Escola de Arquitectura de Notre Dame. Enontrem um. Exijam melhor. Os padres do Concílio Vaticano II sorrir-vos-ão de lá de cima.

E quando alguém vos disser “sim, mas essas igrejas são mais caras para construir”, recordem-lhes que: (a) a beleza vale a pena; (b) Deus merece e (c) ou gastamos X a construir uma coisa que será feia agora e completamente desactualizada daqui a 20 anos, ou podemos gastar um pouco mais e ter um edifício belo que durará, como acontece com as igrejas medievais europeias, 500 anos ou mais. Imaginar o abater do empréstimo com um prazo desses coloca tudo em perspectiva.

Invistam em coisas que duram, tanto fisicamente como espiritualmente. Deixem de deprimir as pessoas com a ideologia modernista. Elevem-lhes os espíritos com a beleza.


Randall Smith é professor de teologia na Universidade de St. Thomas, Houston.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na quinta-feira, 19 de Janeiro de 2017)

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