quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Buda, São Francisco de Assis e Donald Trump

Católicos de diferentes regiões na missa com o Papa Francisco
O Papa Francisco continua a sua viagem pela Birmânia e esta manhã teve o primeiro verdadeiro encontro com o povo católico, vendo uma Igreja viva que nos últimos anos tem multiplicado o número de padres, freiras e até dioceses.

Depois o Papa encontrou-se com líderes budistas, traçando uma comparação entre Buda e São Francisco de Assis. No respectivo artigo pode encontrar ainda alguma contextualização sobre a politização do budismo naquele país.

Em Portugal, a diocese de Bragança-Miranda quer despertar a consciência das pessoas para a deficiência.

Nos EUA Donald Trump achou que seria boa ideia publicar vídeos partilhados por elementos da extrema direita inglesa que mostram actos de violência alegadamente praticados por muçulmanos.

E já que falamos de Trump, no artigo desta semana do The Catholic Thing em português David Warren pega no famoso slogan do Presidente americano, adapta-o e pergunta se não seria preferível “Make America Christian Again”?

Make America Christian Again

David Warren
O erro é um grande dissipador de tempo e de energia. Quem o disse foi Goethe, numa carta que escreveu a alguém, mas poderia ter sido outra pessoa qualquer, em qualquer outro lado. Sim, Goethe diz que num mundo em que o erro se repete de forma incessante, a verdade deve ser repetida frequentemente.

Recordei-me desta máxima devido ao meu péssimo hábito de ler as notícias – outra actividade que dissipa tempo e energia. As notícias confundem-nos. Certamente não é preciso dar exemplos.

Há tolos santos, embora actualmente sejam difíceis de encontrar; há tolos triviais; e depois há tolos maliciosos. Estes útimos são grandes dissipadores, não só deles mesmos. Faríamos bem em ignorá-los totalmente, mas o problema é que tendem a ser ambiciosos. É preciso tempo e energia para os travar.

Na América de hoje (enquanto Canadiano incluo-me neste continente), parece que o erro está consagrado na Constituiçao. Está expresso como separação entre Igreja e Estado. Isso significa uma coisa para os seus autores, que eram cristãos, e outra para os seus descendentes pagãos.

Ao excluir da vida pública os próprios princípios sobre os quais se fundou a sociedade americana, o erro fica com uma espécie de monopólio, para ser imposto por um sem número de departamentos de Estado.

Aqui neste “espaço seguro” somos maioritariamente católicos, e os pais fundadores (pré e pós-revolução) eram maioritariamente protestantes, mas as verdades fundamentais a que se referiam atravessavam fronteiras confessionais.

A Virgínia, o Massachusetts e o Québec eram regiões bem distintas, tanto em termos eclesiais como gerais, mas para um observador da China seriam bastante semelhantes. A noção do homem num mundo decaído, nascido escravo do pecado e a precisar de redenção, era comum a todas as facções. Daqui seguiam muitas particularidades.

Entre os poucos filmes que já vi inclui-se “Nashville”, realizado pelo falecido Robert Altman, para o bicentenário dos Estados Unidos. Entre os seus enredos inclui-se a odisseia de uma jornalista pretensiosa da BBC (desempenhada por Geraldine Chaplin), em busca da “verdadeira América”, mas constantemente a enganar-se.

Num certo domingo de manhã ela encontra-se num gigantesco parque de estacionamento, cheio de autocarros escolares amarelos. Encontra nestes monstros metálicos um grande simbolismo.

Mas depois a câmara mostra-nos várias igrejas – baptistas, metodistas, episcopalianas, etc. – em que se encontram os vários protagonistas cómicos do filme. Todos estão a cantar, a rezar e a ouvir homilias. Aí vemos a “verdadeira América” que a menina bem de Inglaterra não tinha conseguido ver.

Refiro o filme apenas porque é tão recente; afinal de contas, 1976 não foi assim há tanto tempo. Eu lembro-me da data e estou na casa dos 60. Lembro-me que quando estava a crescer em Ontário o que era normal era ir à Igreja. Eu não fui criado por cristãos praticantes, mas percebia que isso é que era fora do comum.

De certa forma os meus pais eram liberais à moda antiga, anticlericais por disposição e a minha mãe, na verdade, era conscientemente ateia, mas penso que nunca lhes passou pela cabeça sugerir que a cultura religiosa do continente inteiro tinha de ser destruída. Até dizia que “os crentes são mais bem-comportados”.

Isso porque dão por adquiridas coisas sobre as quais os outros precisam de reflectir – com todos os erros que se seguem naturalmente quando alguém precisa de reinventar a moralidade a partir do zero. Os crentes tinham noções básicas do bem e do mal, implantadas desde pouco depois do nascimento. Até as crianças de lares sem fé absorviam estes valores da sociedade em geral.

Sim, a maioria dos crentes era hipócrita; e também eram ateus, na prática, naqueles momentos em que se esqueciam que Deus nos observa. Esta não é uma particularidade dos cristãos, mas da condição humana: encontramo-nos frequentemente no erro.

E é por isso que Goethe – também ele um liberal à antiga – diz que devemos regressar à verdade, como quem desperta do sono, sentindo-se refrescado. Domingo, “todo o santo Domingo”, era o nosso toque de despertar.

Não sou um daqueles parvos ingénuos que pensa que a América simplesmente pensou duas vezes e concluiu, de forma democrática, que a religião era inconveniente e dispensável. Deu muito trabalho minar a religião, resultado de uma “longa marcha pelas instituições” dos progressistas. Foi preciso muita capitulação das nossas figuras de autoridade.

E como todos sabem – e como todos os progressistas gostam de proclamar – a história não anda para trás. Não há nada na antiga América que se vá reedificar espontaneamente. Não foi sozinha que se edificou, foi resultado do trabalho e da aspiração humana, com raízes muito anteriores à sua própria descoberta e povoação.

Muita coisa foi destruída no espaço de duas gerações. Não estamos perante uma transição geracional, mas civilizacional. Quando abandonamos o Cristianismo, o nosso passado cristão torna-se incompreensível para nós. Os nossos antepassados tornam-se impossivelmente estranhos. A sua prática religiosa torna-se um factor de alienação. Os cristãos sobreviventes tornam-se uma seita exótica minoritária que precisa de ser cuidadosamente regulada e vigiada pelo Governo.

O slogan “Make America Great Again” pode ter resultado durante a última eleição presidencial, mas são palavras vazias. Partem do princípio que houve uma América que em tempos foi grande. Talvez tenha havido, mas esta já não é a América. “Já não estamos no Kansas”

Mesmo o conceito de grandiosidade é vazio se não puder ser especificado. Estamos a falar de grandeza geográfica? Mas isso já somos. Económica? Mas já produzimos bens de gosto duvidoso em quantidades sem precedentes. Ou estaremos a falar de um conceito de virtude e de nobreza?

Claro que é isso, apesar da confusão. Mas sem um conceito claro do que é nobre e virtuoso continuamos desorientados. E estas coisas não virão do nada.

E é por isso que proponho um slogan alternativo, “Make America Christian Again”. E já que a história não anda para trás, concentremo-nos em fazê-la católica, desta vez. Caso contrário estaremos a dissipar tempo e energia. 


David Warren é o ex-director da revista Idler e é cronista no Ottowa Citizen. Tem uma larga experiência no próximo e extreme oriente. O seu blog pessoal chama-se Essays in Idelness.

(Publicado pela primeira vez na sexta-feira, 24 de Novembro de 2017 em The Catholic Thing)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Gémeos guerreiros e israelitas perdidos na Birmânia

Fumadores, líderes do Exército de Deus, amigos do Rambo
O Papa continua na Birmânia e hoje viajou para a capital onde discursou juntamente com a primeira-ministra Aung Suu Kyi. Francisco não referiu os rohingya, embora Kyi tenha falado especificamente daquele conflito sem dizer a “palavra proibida”.

É inegável que o conflito que afecta os rohingya é uma tragédia, mas esta situação tem mais que se lhe diga. Conheça as raízes do problema, que envolve grupos militantes de inspiração jihadista.

Mas os rohingya não são os únicos com queixas sobre o regime birmanês. Há mais de uma dúzia de grupos étnicos ou políticos armados. Conheça os gémeos baptistas que aos 9 anos lideravam o “Exército de Deus” e a insurreição da tribo perdida de Israel…

Entretanto o Governo anunciou a realização de uma conferência para as minorias étnicas. Efeito Francisco?

Antes de se encontrar com as autoridades, o Papa Francisco esteve com líderes religiosos, a quem disse também que unidade não é necessariamente uniformidade.

E o santuário de Fátima anunciou um novo ciclo de anos temáticos para os próximos três anos. O tema será “Graça e Misericórdia”.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Católicos portugueses na Birmânia e padres que não existem

O Papa Francisco chegou esta segunda-feira à Birmânia e já se encontrou com o responsável das Forças Armadas que – aqui entre nós – é quem manda verdadeiramente no país.

Francisco vai ser calorosamente acolhido pelos católicos birmaneses que são todos, sim todos, descendentes de portugueses. Nesta reportagem, que me deu muito gozo fazer, pode ver imagens de alguns destes luso-birmaneses e ler o testemunho de um deles que, quando visitou Portugal a primeira vez, diz que se sentiu em casa.

Lembram-se da “correcção filial” que um grupo de padres e de teólogos simpaticamente fez chegar ao Papa, acusando-o de propagar heresias? Pois esse documento tinha um único signatário português. Fomos à procura dele… O resultado foi bastante surpreendente.


E temos ainda a notícia terrível do pior ataque terrorista dos últimos anos no Egipto. Desta vez não foram os coptas, foram os muçulmanos sufis que foram massacrados. O Papa rezou pelas vítimas e os cristãos do Egipto tocaram os sinos de todas as igrejas em solidariedade.

Não deixem de ler o artigo da semana passada do The Catholic Thing, sobre duastendências preocupantes. Primeiro, a recusa em discutir criticamente a relação entre o Islão e a violência e, segundo, a recusa em aceitar vozes dissonantes do politicamente correcto nas universidades americanas. Há-de cá chegar…

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Jihad em Stanford, Georgetown e Além

Matthew Hanley
É mais difícil ser aceite em Stanford do que em qualquer outra universidade americana, apenas 5% dos candidatos o conseguem. Mas recentemente Stanford achou por bem admitir uma pessoa que usou o espaço concedido para o ensaio de candidatura – em resposta à questão “o que é importante para si, e porquê?” – para escrever 100 vezes “#BlackLivesMatter”. Imaginem como se devem sentir os candidatos merecedores que ficaram de fora.

Acontece que este candidato tinha estagiado com a Hillary Clinton (obviamente); acontece também que é muçulmano. Mas nenhuma das reportagens nos media se preocupou em saber como ele reconcilia a sua evidente preocupação por vidas de negros com o facto de ainda haver escravatura de negros em partes de África, às mãos de muçulmanos. Mais ninguém o faz, em mais parte nenhuma. Não é uma imagem bonita.

Estará este aluno de Stanford a repudiar o exemplo de Maomé, que detinha escravos e aprovou pessoalmente incursões para a captura de escravos? Estará? Podemos achar que tudo isto é uma vergonha, e deixar por aí. Mas há mais a dizer sobre o facto de ser mais fácil entrar em Stanford do que abordar factos desconfortáveis sobre o Islão naquela universidade. Perguntem ao Robert Spencer.

Um grupo de alunos convidou-o para ir à Universidade falar dos seus estudos meticulosos sobre as fontes islâmicas que justificam e até ordenam a jihad. O resultado foi uma indignação generalizada, pedidos para que o evento fosse cancelado e um apelo ao boicote. Embora ele saiba mais sobre o assunto do que a maioria dos imãs, os alunos agitados apelidaram-no de “ininteligível”, “não académico” e “lixo”. Os administradores lamentaram o seu alegado historial de incitação ao ódio.

Será que Stanford desencoraja a tomada de posição contra coisas hediondas como o assassinato em nome da jihad, escravatura, as muitas indignidades que a sharia reserva para as mulheres, etc., quando estas se encontram embebidas de tal forma numa religião? Será esta religião tão merecedora de adulação acrítica que estes aspectos devem ser ignorados?

Stanford não imitou a postura de Berkeley, cancelando o evento ou recorrendo à brutalidade para evitar que uma voz curiosamente pouco bem-vinda fosse ouvida. Em vez disso desenvolveram um plano mais subtil – e com semanas de antecipação – para alcançar o mesmo fim.

Pouco depois de a sua conferência ter começado, ouviu-se por breves e tensos segundos um canto islâmico, aparentemente vindo do telefone de alguém. Na verdade, a quantidade de pessoas que estavam a olhar para os seus telefones era estranha, tendo em conta que a sala estava tão cheia que muitas pessoas viram negado o acesso. Alguns minutos mais tarde a maioria da assistência levantou-se e abandonou a sala num uníssono coreografado – ao som do canto agressivo e supremacista a berrar dos telemóveis: Allahu Akbar sem a violência. Aqueles a quem tinha sido recusada a entrada por falta de espaço viram então negada a oportunidade de ocupar os lugares deixados vagos.

Spencer tinha acabado de relatar um facto objectivo que devia ser bem-vindo em qualquer local de ensino superior: que de acordo com a maior autoridade de jurisprudência sunita – a Universidade al-Azhar, no Cairo – um factor chave da jihad é que o sangue e as posses de alguém apenas estão seguros se aceitar o domínio do Islão; ninguém fora dele é merecedor de protecção. Isto poderia ser descrito como uma legitimação religiosa precisamente de uma forma de “discurso de ódio” fortemente enraizado que os alunos pensavam que estavam a denunciar ao abandonar a sala.

Robert Spencer
Spencer acredita que os administradores da Universidade sancionaram a perturbação que, seja como for, tem todas as marcas do fascismo; pode parecer um termo muito forte, mas ao montar, primeiro, uma campanha contra ele e depois evitar que outros fossem expostos às suas ideias, Stanford merece a caracterização.

Foi dito que a mera presença do orador gerava um sentimento de insegurança entre os muçulmanos – porém o único a precisar de um contingente de segurança foi o próprio Spencer. Ele sempre disse que os seus críticos se rebaixam ao nível de ataques pessoais porque não conseguem prevalecer no debate de factos e de ideias. O abandono do auditório em Stanford comprova-o, tal como aqueles que cometeram actos de violência em reacção ao discurso do Papa Bento XVI em Ratisbona, em que comentou criticamente as tendências violentas no Islão, o comprovaram.

Ao não permitir que a jihad seja analisada segundo os seus próprios critérios, Stanford escolheu legitimá-la. Aparentemente, figuras islâmicas que repetem, com aprovação, textos islâmicos que apelam, por exemplo, ao extermínio de judeus, devem ser aceites sem questionar. Só o denunciar desta realidade é que é problemático, o pecado secular da “islamofobia” (um termo forjado pelos sauditas).

As empresas também contribuem para este clima de conformismo. Bem perto de Stanford, os dirigentes da PayPal impediram o site de Spencer de usar os seus serviços, privando-o assim de uma fonte de financiamento. Era precisamente isso que queria o Southern Poverty Law Center (SPLC), especializado em classificar como “grupos de ódio” as organizações de que não gosta. Eles limitam-se a declarar que o grupo de Spencer é um grupo de ódio e os media cumprem o seu dever de o papaguear, não obstante a natureza claramente tendenciosa do SPLC.  

Mas Stanford está longe de estar sozinha. A Universidade Católica de Georgetown organiza iniciativas financiadas pelos sauditas, pensadas para promover uma visão positiva do Islão. Os aspectos ameaçadores são, ao que parece, uma preocupação marginal. Mas o que alguns consideram marginal pode ter graves consequências: Perguntem a Nova Iorque, Londres, Paris, Bruxelas, Nice, Madrid, Barcelona, Berlim, até a Escandinávia.

Igualmente arriscado é sugerir que a postura “marginal” de Spencer está em desacordo com a posição globalmente conciliatória da Igreja moderna em relação ao Islão:

Discordo da afirmação do Papa Francisco quando ele diz que “o Islão autêntico e uma leitura correcta do Alcorão opõem-se a todo o tipo de violência”, como qualquer pessoa no seu perfeito juízo e devidamente informada, seja católica ou não, deve discordar. Se esse é, de facto, o ensinamento da Igreja, então a Igreja Católica tem um problema sério, pois está a apresentar falsidades como “ensinamento da Igreja” e não merece a confiança nem dos católicos nem de mais ninguém.

Há vários anos um funcionário do gabinete de admissões de Stanford despediu-se para se tornar padre. Não faço ideia se as banalidades e a burocracia universitária desempenharam algum papel. Mas não posso deixar de pensar: se o tipo de falsidade ingénua que agora domina praticamente tudo começar a dominar também os meios eclesiásticos em que ele agora circula, para onde irá a seguir?


Matthew Hanley é Investigador sénior no Centro Nacional de Bioética Católica e autor, juntamente com Jokin de Irala, de ‘Affirming Love, Avoiding AIDS: What Africa Can Teach the West’, que foi recentemente premiado como melhor livro pelo Catholic Press Association. As opiniões expressas são próprias, e não da NCBC.

(Publicado pela primeira vez na terça-feira, 21 de Novembro de 2017 em The Catholic Thing)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O Papa dos pobres e dos gnocchis

Quando foi eleito, dizia-se que não sorria...
Decorreu este fim-de-semana a Conferência Nacional do Apostolado dos Leigos, em Viseu. No Sábado destacou-se um colóquio sobre prisioneiros e no domingo falou Margarida Alvim, engenheira florestal, sobre a necessidade de garantir coesão territorial.

Domingo foi o Dia Mundial dos Pobres. O Papa, como tinha sido anunciado, almoçou gnocchis com 1.500 pobres e criticou a indiferença de que são vítimas.

Em Lisboa houve uma marcha organizada pela Cáritas que terminou com a publicação de um manifesto.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Liberdade Religiosa nos quartéis e dia Mundial dos Pobres

Existe liberdade religiosa nas Forças Armadas? Os militares evangélicos têm dúvidas e o assunto foi discutido ontem numa conferência na Academia Militar. Leia e conheça o capelão do hospital das Forças Armadas que só pode trabalhar como voluntário.


Hoje é o primeiro Dia Mundial dos Pobres, mas em muitos sítios a data será assinalada no Domingo. Em Lisboa a Cáritas organiza uma caminhada, em Roma o Papa almoça com 1.500 pobres.

O Papa publicou esta sexta-feira uma mensagem a dizer que visita a Birmânia com uma “mensagem de reconciliação, de perdão e de paz”.

Terminou ontem a reunião plenária dos bispos portugueses. Na conferência de imprensa final D. Manuel Clemente falou sobre a (não) admissão de homossexuais no seminário e do padre madeirense que assumiu ter tido um filho. No campo da educação os bispos têm recados para o Governo.

Decorre no Vaticano um encontro sobre os cuidados no final da vida. O Papa enviou uma mensagem aos participantes, criticando tanto a eutanásia – que é sempre errada – como a distanásia.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Quem não gostava de receber um Lamborghini para o Natal?

Faltam 40 dias, mas já cheira a Natal… A FEC já lançou o seu projecto dos presentes solidários e o Bazar Diplomático começa na sexta-feira, dia 17. Mas o melhor presente de todos, até agora, é o Lamborghini do Papa

Mas com ou sem carro de luxo, o Papa vai almoçar com 1.500 pobres no Dia Mundial dos Pobres, que se realiza este ano pela primeira vez.

Há uma suspeita de desvio de fundos por parte de um padre em Vila Real. A Cáritas – alegadamente a visada do desvio – está a colaborar com as autoridades, informa.

Os bispos consideram que os incêndios e a seca obrigam a rever a relação com o ambiente. É um dos temas em cima da mesa na reunião plenária da CEP.

A recente mania de derrubar estátuas e referências a figuras históricas – que até já chegou a Portugal – é o que está por detrás do artigo desta semana do The Catholic Thing. O jovem Casey Chalk foi ver o que Jesus acha sobre o revisionismo histórico.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Jesus e o Revisionismo Histórico

Casey Chalk
A indignação contra monumentos a figuras históricas está a começar a adquirir contornos de histeria cega. Na américa estão na mira dos activistas os confederados mortos, juízes do Supremo Tribunal, Cristóvão Colombo e até um médico do século XIX conhecido por ser o “pai da ginecologia”. Na Alemanha há quem peça a remoção de estátuas de Martinho Lutero por causa do seu antissemitismo. Em tudo isto há uma certa ingenuidade e presunção: “Se eu estivesse vivo naquele tempo, não teria cometido essas ofensas”. Mas as palavras de Jesus aos escrivas e aos fariseus respondem muito bem a esse tipo de pensamento simplista e presunçoso.

Os escribas e os fariseus, a elite religiosa do Judaísmo do primeiro século, acreditavam ser os herdeiros dos seus antepassados rectos. Jesus fala directamente à sua presunção:

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos, e dizeis: se existíssemos no tempo de nossos pais, nunca nos associaríamos com eles para derramar o sangue dos profetas. Assim, vós mesmos testificais que sois filhos dos que mataram os profetas. Enchei vós, pois, a medida de vossos pais. Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno? (Mat. 23:29-33)

Os escribas e os fariseus, na sua presunção, afirmavam que se fossem vivos naquele tempo jamais teriam cometido tais actos.

Com a nossa geração passa-se o mesmo. Emitimos juízos sobre as gerações passadas, com um ar de autossatisfação pelo esclarecimento do nosso próprio tempo, claramente o mais virtuoso de todos os que o precederam. As gerações anteriores – e certamente aquelas responsáveis pela descoberta, fundação e preservação inicial da nossa nação – eram ignorantes, supersticiosas e imorais. Nós somos científicos, realistas e sábios. Vemos filmes sobre injustiça social, como o “Selma” ou “12 Anos Escravo” e raramente imaginamos que seríamos capazes de tal preconceito ou mal moral.

A verdade é que se estivéssemos no lugar dos nossos antepassados e enfrentássemos os mesmos desafios, a maioria de nós provavelmente cometeria os mesmos erros. Os homens têm uma tendência natural para tentar encaixar com a maioria, evitando assim o risco de perseguição ou serem ostracizados. Poucas pessoas em cada geração tomam a decisão certa, o imperativo moral correcto, precisamente porque as consequências são tão graves. Quem o faz é considerado santo, e bem, pela Igreja. É por isso que os profetas do Antigo Testamento estavam sempre em minoria contra uma maioria egoísta e preguiçosa.

Mas Jesus lançou ainda mais avisos aos presunçosos:

Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas; a uns deles matareis e crucificareis; e a outros deles açoitareis nas vossas sinagogas e os perseguireis de cidade em cidade; para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o santuário e o altar. Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre esta geração. (Mat. 23:34-36)

Recentemente esta estátua do Pe. António Vieira, em Lisboa
também foi alvo de uma acção de protesto
Quanto mais rejeitamos uma avaliação justa e honesta de nós mesmos e do nosso tempo, mais provável é que cometeremos o mesmo tipo de injustiça e maldade que tanto detestamos nos outros e no nosso passado. A presunção alimenta uma incapacidade de ver a verdade sobre nós mesmos e a nossa cultura. Alguém se espanta por ver que as vozes mais radicais que pedem a remoção de qualquer figura histórica contaminada por racismo ou sexismo são, essencialmente, as mesmas que defendem o aborto e a eutanásia?

Jesus termina a sua série de avisos com um lamento por Jerusalém, num tom mais pesaroso que zangado e acusatório:

Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste! Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta; porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor. (Mat 23:37-39)

A América e o mundo não precisam de mais críticas presunçosas às figuras do nosso passado. O que precisamos é de introspecção, arrependimento e caridade. Introspecção e arrependimento pelos erros não só do nosso passado, mas do presente. Caridade que aborda a nossa herança, por mais defeitos que tenha, com um pouco mais de humildade.

Um povo cego a uma avaliação honesta e caridosa da sua história – e do papel de Deus em, e através de, um povo imperfeito e pecaminoso – estará igualmente cego à sua obra no presente. Mais, esta nossa tendência de demolir monumentos e de mudar o nome a feriados – que rapidamente se está a tornar um movimento ideológico mais alargado – acaba por ser mais divisivo que unificador e reconciliador. Como Jesus e o nosso 16.º Presidente avisaram, uma casa dividida contra si mesma não permanecerá de pé.


Casey Chalk é um autor que vive na Tailândia, onde edita um site ecuménico chamado Called to Communion. Estuda teologia em Christendom College, na Universidade de Notre Dame. Já escreveu sobre a comunidade de requerentes de asilo paquistaneses em Banguecoque para outras publicações, como a New Oxford Review e a Ethika Politika.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no Domingo, 12 de Novembro de 2017)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Lutero, quero apresentar-te a caixa de Pandora

É só uma cena que escrevi... Não vai dar em nada... 
O Papa Francisco pediu hoje a abolição das armas nucleares. Foi durante uma conferência sobre o assunto, que se realizou na Santa Sé.

Decorre até amanhã uma enorme conferência em Lisboa sobre os 500 anos da Reforma. Hoje conversei com um dos oradores, o baptista Timóteo Cavaco, que diz que Lutero não teria ideia da dimensão daquilo que estava a iniciar, mas que a fracturação das igrejas protestantes era inevitável.

Os dehonianos associam-se este ano de forma especial ao dia mundial dos pobres, que foi instituído pelo Papa Francisco, e as dominicanas do Convento dos Cardaes convidam-nos novamente para irmos comprar os produtos feitos localmente, ou assistir a um concerto, para ajudar as raparigas com necessidades especiais que vivem naquele espaço.

Começa no domingo a Semana dos Seminários. Os bispos pedem aos católicos que valorizem as instituições onde se formam os padres.

Recordo que podem ler no blog a transcrição integral da entrevista que a minha colega Aura Miguel fez ao Cardeal Burke, há dias. E não deixem também de conhecer a história de Nabeel Qureshi, cujo pai, um oficial da armada paquistanesa, nunca mais andou altivo desde o dia em que soube que o filho se convertia ao Cristianismo

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Actualidade Religiosa: Leonella Sgorbati, rogai pela Somália!

O Papa abriu hoje caminho à beatificação de João Paulo I, o que já se esperava. Confesso que me emocionou mais – até porque me lembro bem do caso – da declaração das virtudes heroicas da irmã Leonella Sgorbati, que foi assassinada na Somália em 2006, dias depois do discurso de Ratisbona, e morreu repetindo as palavras “eu perdoo”. A Somália não tem santo padroeiro… Fica a dica.

Se estava a pensar ir comprar cigarros ao Vaticano, já só tem menos de dois meses para o fazer!!! Por ordem do Papa, a Santa Sé vai deixar de vender tabaco.

A igreja que foi palco do massacre, no Texas, vai ser demolida. É uma decisão compreensível, mas não é óbvia. Outras comunidades lidaram com assuntos parecidos de formas diferentes. Saiba como.

Depois de ter resistido durante mais de seis anos à instabilidade na Síria, o Líbano está agora a passar uma grave crise. Saiba mais sobre o misterioso primeiro-ministro desaparecido, e como isso pode afectar o delicado equilíbrio religioso no país.

Um convite. Decorre no dia 18 de Novembro o 4º Encontro Nacional de Leigos. Vai ser em Viseu e as inscrições estão abertas até ao dia 13. Se puderem, não percam, promete ser muito interessante.  


"I have a very strong sense that Portugal has an important mission to the whole world"

This is a full transcript, in the original English, of Cardinal Raymond Burke's interview to my colleague Aura Miguel. The interview took place during the presentation of the Portuguese edition of his book "Divine Love Made Flesh". The news story, in Portuguese, can be read here.

Esta é uma transcrição integral, no inglês original, da entrevista da minha colega Aura Miguel ao Cardeal Burke. A entrevista foi feita à margem da apresentação da edição portuguesa do seu livro: "O Amor Divino Incarnado". A notícia pode ser lida aqui.

Why did you write this book?
In the USA, where I was a bishop, there was a great crisis in Eucharistic faith and also a great crisis in the participation of Catholics in the Holy Mas. Pope St. John Paul II, at the end of his pontificate, directed himself in a very strong way to the whole difficulty of the loss of Eucharistic faith and abuse of the Sacred Liturgy, and then he convoked a Synod in 2005, on the Eucharist, to address this, but he himself was not able to preside at the synod, because he died in April of 2005. But then Pope Benedict XVI succeeded him, and he wrote Sacramentum Caritatis

So I decided for the faithful in my care – I was bishop first in Lacrosse, Wisconsin, then in St. Louis, Missouri – that I would write a careful commentary on the encyclical of John Paul II Ecclesia de Eucharistia, and on the post-synodal apostolic exhortation Sacramentum Caritatis. And so I wrote those commentaries over a two year period, in the diocesan newspaper and then people encouraged me to put them together into a book. 

So I did that also with the encouragement of Catholic Action for Faith and Family, an apostolate in the USA, they actually published the book, it is run by Thomas McKenna, who is with me as I am presenting the book. 

People have told me they find the book very helpful to understand more deeply the objective reality of the Holy Eucharist, and that it helps them to love more the Holy Eucharist and Our Lord as he gives himself to us in the Holy Eucharist. 

How do you explain the crisis in mass attendance and confession?
The crisis came about, I believe, through a crisis of the Sacred Liturgy. After Vatican II, and contrary to the teaching of the Vatican II, there was a liturgical renewal which damaged greatly the expression of the transcendent nature of the Sacred Liturgy, in other words, that Christ himself acts in the sacraments to sanctify us.

And there developed the idea that the Holy Mass and the other liturgical rites were human activities, and people began to experiment and to do things which eventually distanced the contemporary rites from those rites which had been in the church for centuries, basically the rite of the mass from the time of Pope St. Gregory the Great, and in a very particular way since the Council of Trent. 

That, I believe is at the heart of the loss of Eucharistic faith and practice. What can we do? What we need to do, and that is the purpose of the book, to start to study again the great gift of the Holy Eucharist as it has been handed down to us in the Church through the centuries. The doctrine, but also the beauty of the Sacred liturgy. There, regarding the beauty of the sacred liturgy, Benedict XVI had a very strong idea of the need to celebrate freely both the Extraordinary Form of the Roman Rite, and the Ordinary Form, so that people would see the continuity of the two forms, and there would be this mutual enrichment, as he called it, and that the ordinary form of the Roman Rite would be celebrated with a deeper, stronger sense of the divine reality present, which he often referred to the Holy Mass as the meeting of Heaven and Earth.

Utilização da Capa Magna pelo Cardeal Burke
entre outras coisas, já motivou muitas críticas.
What do you say to those who consider the recovery of the Traditional mass a little bit strange?
The reason why people would consider it strange is because they don't know it. When we don't know and understand something it can seem strange to us, and so we need to help all Catholics to understand the nature of the Sacred Liturgy itself as the action of Christ in our midst, through the ministry of the Priest, who is consecrated to act in the person of Christ in the celebration of the mass, in the ministration of the other sacraments, and then to help them to see the great beauty of the way the mass has been celebrated along the centuries.

It seems very striking to me that so many young people, especially young families with many children, but also young university students, are attracted to the Extraordinary Form of the mass, and I believe the reason for that is that they see there is something very deep, very profound, and they want to know it better and understand it better and enter into the action of the mass. 

Do you think there is a risk of routine, of people just going to mass without thinking about the essence?
What happened, I think, is that in the reform of the rite which took place after Vatican II – contrary really to the teaching of the council – the rite was radically diminished, stripped of many of its elements, rendered very simple, and there is the danger, with that, that it becomes ordinary and every day, especially if it is celebrated by the priest in a way that doesn't reflect faith in the action of Christ, if the mass becomes very familiar, then people cease to understand why they should go there and do that. It becomes every day, it seems childish, it seems unimportant, so they go away from the mass. 

What about access to the Eucharist. There are lots of divisions about who should access the Eucharist, some consider it a right... How do you see this?
None of us has the right to receive any sacrament. God's love for us, as it is expressed most perfectly in the sacramental life and especially in the Holy Eucharist is His free gift to us. And for our part, when we recognize by Faith the gift, then we dispose ourselves in a proper way to receive it.

I am not always free to present myself to receive the Holy Eucharist, for instance, if I am not prepared in the sense of reflecting on the reality of the Holy Eucharist, or also if I am in a state of mortal sin, or if I am living in some public scandal, then I am not disposed to receive the Holy Eucharist and I must refrain from doing so until once again my soul is in a state to receive the body and the blood of Christ. 

Saint Paul confronted this situation in the early days of the Church, in Corinth. We hear the account of it in Chapter 11 of his first letter to the Corinthians. The people were eating, drinking and even becoming inebriated in the kind of meal they would have at the same time as the Holy Eucharist and he rebuked them strongly, and told them that nobody should approach to receive the Holy Eucharist without reflecting upon the truth, the reality of the Holy Eucharist, lest they eat and drink condemnation of themselves, not recognizing the Body and Blood of Christ. 

The shepherds of Fátima had a deep love of the Eucharist, even though they were very small. 
It is clear from the preparatory visions that the Angel of Portugal to the Shepherd children… Central to those apparitions was the apparition when the angel with the chalice and the host suspended in the air, communicated the blessed sacrament to the little children.

And then the apparitions themselves, our Blessed Mother also emphasizes with the children the mercy which then calls forth from us prayer and penance in order to be disposed to receive Our Lord in the Holy Eucharist and in reparation for the many ways in which Our Lord is offended, especially in the Blessed Sacrament.

Today I visited the Carmel in Coimbra, and in the chapel there are two beautiful statues, one of the Sacred Heart of Jesus, and the other of the Immaculate Heart of Mary. Both are stunning and both, I found out when speaking to the mother of the Carmel, were designed according to instructions from Sister Lucia. But in the statue of the Sacred Heart of Jesus, the Sacred Heart is holding a chalice in which the blood from His Sacred Heart is flowing into the chalice and He has the host in his hand.

And so we see that the love of God for us is most perfectly represented in the pierced heart of Jesus. When He died for us upon the Cross, he permitted that the Roman soldier to pierce his heart as a sign of his never failing, immense love, that would continue to flow from his heart. That love of God for us is most perfectly given to us in the Holy Eucharist, and so the whole message is centered around the Eucharist and the praying of the Holy Rosary – Our blessed mother was constantly telling the children to pray the Holy Rosary – is a fundamentally a meditation on the mystery of faith which we celebrate in the Holy Eucharist.

Is this why Our Lady said that in Portugal the dogma of the faith would remain?
Yes, I believe that very strongly, and I have a very strong sense that Portugal has an important mission to the whole world, and its preservation of the dogma of the faith, and its presentation of the apparitions and message of Fátima to the whole world.

The shrine at Fátima is so important... I was just there for two days, and there are pilgrims from the whole world. The Mother Superior of the Carmel told me that Lucia received thousands and thousands of letters from all over the world, and that she had a map of the World and she would say: “see, Our Lady's message is reaching all these places”.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Burke, Click e Qureshi

Nabeel Qureshi
Ao longo dos últimos dias esteve em Portugal o cardeal Burke. Ontem apresentou o seu livro em Lisboa e falou com a jornalista Aura Miguel sobre a devoção à Eucaristia e sobre a liturgia. Disse ainda que acredita que Portugal tem uma missão a cumprir no mundo.

Caso não tenham dado por isso, decorre em Lisboa a Web Summit. Uma das aplicações que lá está em destaque é a “Click to Pray”. Se não conhece, veja o que anda a perder.

O Papa lamentou esta quarta-feira o facto de muitos fiéis, ou até padres e bispos, andarem mais ocupados com o telemóvel na missa do que com… a própria missa.

Conhece Nabeel Qureshi? Devia conhecer. Nascido muçulmano mas convertido ao cristianismo, dedicou-se à pregação e a espalhar o Evangelho mas morreu há dias, com apenas 34 anos. Como diz o padre Robert Imbelli… Morreu novo, mas maduro em Cristo!

A Alegria (e o Custo) do Evangelho

Pe. Robert P. Imbelli
Até recentemente nunca tinha ouvido falar em Nabeel Qureshi. Mas por mero acaso (providência), vi há dias uma referência a ele. Infelizmente, tratava-se de uma notícia sobre a sua morte, com apenas 34 anos.

Na notícia soube que ele foi autor de vários livros. O título de um deles marcou-me de forma particular: Procurando Allah, Encontrando Jesus: Um muçulmano devoto encontra-se com o Cristianismo.

Intrigado pelo título e pelo breve resumo da sua vida na notícia, adquiri o livro. Li-o ao longo de algumas noites, completamente apanhado. É um relato assinalável: contado com honestidade, clareza e um desejo apaixonante pela verdade.

Conta a história de um jovem, educado desde novo como um muçulmano devoto, que através de um encontro com um colega universitário (cristão devoto) começa a questionar os fundamentos da sua identidade pessoal e religiosa.

O que torna o relato tão cativante é a determinação da caminhada espiritual e intelectual de Nabeel Qureshi. Examina cuidadosamente e sem medos as provas da veracidade do Novo Testamento e depois do Alcorão. O estudo adensa-se ao longo dos anos da sua formação, incluindo a faculdade de medicina, enquanto vai debatendo com paixão e vigor com o seu amigo, cedendo apenas quando conclui que as provas são convincentes.

Mas esse estudo está longe de ser apenas um exercício académico, pois o resultado marcá-lo-á de forma mais que pessoal. Qualquer pessoa criada na tradição e na cultura islâmica sabe que a conversão ao Cristo acarreta profundas consequências ao nível da família e da comunidade. O próprio lamentou que “reconhecer Cristo significava destruir a minha família. Poderia ele estar verdadeiramente a pedir-me tal coisa?”

A relação de Nabeel com os seus pais, o seu Abba e a sua Ammi, era extraordinariamente próxima e carinhosa. A forma como descreve o custo que a sua decisão teve para eles é de partir o coração. Desde o dia em que souberam da sua conversão a Cristo o seu pai, um oficial da marinha, “nunca mais caminhou altivo. Eu extingui o seu orgulho”. A sua mãe, ao ouvir a notícia, desmaiou e foi hospitalizada. “Sobreviveu, mas os seus olhos nunca recuperaram o seu fulgor. Extingui a sua luz”.

O que levou este filho amado e muçulmano devoto a pôr em causa os afectos parentais e a desbaratar uma identidade segura e respeitada? A mera pergunta remete para a resposta apaixonada de Paulo aos Filipenses: “Considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por cuja causa perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco para poder ganhar a Cristo”. (Fil 3,8)

A conversão é um assunto tão íntimo e complexo que cada percurso manifesta cores e contornos distintos. Eis como Nabeel descreve a realização a que chegou: Ser cristão significa sofrer realmente por Deus. Não como um muçulmano sofreria por Deus, porque Allah assim o comanda, por decreto, mas com a expressão sincera de uma criança agradecida cujo Deus sofreu por ela em primeiro lugar.

Numa altura em que se procura reduzir Jesus a um mero profeta de Israel, o testemunho deste convertido ao Cristianismo ressoa:

Nabeel Qureshi
A boa notícia é que Deus nos ama o suficiente para entrar no mundo e sofrer por nós; que apesar da incapacidade da humanidade de salvar-se a si mesma, Deus salvou-nos. Essa é a beleza do Evangelho: Tem tudo a ver com Deus e com o que Ele fez por causa do seu amor por nós. Um Evangelho sem a divindade de Cristo é um evangelho eviscerado.

Mas o testemunho desafiador de Nabeel não se fica até por esta confissão firme. Pois embora convencido na mente e no coração da verdade do Evangelho, continuava a tremer perante o custo e o sofrimento que previa. Foi tomado pela agonia da autocomiseração e autorrecriminação, diz-nos. Mas subitamente, como que por uma revelação luminosa, todo o seu ser foi inundado por uma nova segurança. Resume-a desta forma: “Isto não é sobre mim. É sobre Ele e o seu amor pelos seus filhos”.

Esta convicção levou-o a comprometer-se com a missão, para poder partilhar livremente o Evangelho libertador que livremente recebeu. Se as conhecesse, certamente teria ecoado as palavras do Papa Francisco em “A Alegria do Evangelho”. “A primeira motivação para evangelizar é o amor que recebemos de Jesus, aquela experiência de sermos salvos por Ele que nos impele a amá-Lo cada vez mais. Com efeito, um amor que não sentisse a necessidade de falar da pessoa amada, de a apresentar, de a tornar conhecida, que amor seria?”

Nabeel levou a cabo o seu trabalho evangélico durante 12 anos intensos. Estudando, falando, escrevendo e aconselhando. Há muitos vídeos dele na internet onde se pode apreciar o seu fervor, a sua visão e o seu humor. Depois, subitamente, o ministério deste jovem, vigoroso e atraente discípulo foi tomado de assalto por um cancro.

Mesmo internado continuou a partilhar a sua fé – até da cama do hospital. Um curto vídeo gravado a pouco tempo da sua morte avisa contra qualquer abuso dos seus ensinamentos. Apesar de sublinhar a importância de aprofundar a verdade, insiste que isso deve ser sempre feito “tendo por base o amor e a paz”. Pois o propósito não devia ser “ferirem-se uns aos outros, mas ajudarem-se uns aos outros”. Reza fervorosamente que o seu ministério deixe “um legado de amor, de paz, de verdade. De cuidarmos uns dos outros”.

É de lamentar que um discípulo com tamanho espírito nos tenha sido subtraído com apenas trinta e quatro anos. Mas as sementes que plantou hão de dar fruto. O seu testemunho corajoso inspirará outros. Deixou-nos jovem, mas já maduro em Cristo.


Robert Imbelli, é sacerdote na Arquidiocese de Nova Iorque e professor associado emérito de Teologia na Boston College. É autor de Rekindling the Christic Imagination:Theological Meditations for the New Evangelization.

(Publicado pela primeira vez na quarta-feira, 1 de Novembro de 2017 em The Catholic Thing)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing. 

terça-feira, 7 de novembro de 2017

A cruz do padre Dall'Oglio

Padre Dall'Oglio
O Papa Francisco manifestou-se esta terça-feira “profundamente consternado” pelo massacre numa igreja no Texas.

Em França há um monumento a João Paulo II, ornado com uma cruz que pelos vistos ofende de tal forma a laicidade que o conselho de Estado a quer remover… 70 mil pessoas na Europa, por enquanto, discordam.

Terá sido assassinado o padre italiano que foi raptado na Síria há mais de quatro anos. O padre Dall’Oglio, que entrevistei em 2012, terá sido morto em Raqqa dias depois de ter sido levado, diz agora um militante do Estado Islâmico que foi capturado por forças curdas.


segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Caminhada silenciosa, ou silenciada...

Padre Giselo Andrade, do Funchal
Decorreu no fim-de-semana a Caminhada Pela Vida. Estive presente e se no início estava preocupado que estivesse menos gente que nas caminhadas anteriores, acabei por ficar com a ideia de que os números dos últimos dois anos podem ter sido superados. Em todo o caso, podia e devia ter estado mais gente. Pode-se apontar o dedo aos organizadores, à imprensa, à igreja… A verdade é que muita gente soube e não foi porque não quis. É pena. A isto soma-se o desprezo a que a caminhada é votada pela imprensa generalista. Felizmente a Renascença é excepção!

Um dos temas do dia é do padre madeirense que teve um bebé e assumiu a paternidade. A diocese não pondera abrir um processo canónico, esperando que o discernimento ajude a clarificar o futuro deste sacerdote.

Conheça aqui a jovem romena que foi para o Uganda por causa dos estudos e acabou por ajudar os refugiados a estudar. Como uma pessoa, com muita fé, pode mudar a vida a tantos.

Tragédia nos Estados Unidos, onde um tiroteio numa igreja fez pelo menos 27 mortos. As motivações não parecem ter tido nada a ver com religião.

E leia aqui a opinião de um bispo polaco, que também é médico, e cujo diagnóstico sobre o estado de saúde da Europa é muito preocupante.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Vem aí a Caminhada pela Vida. Vem daí também!

Frutos da guerra
É já no sábado, depois de amanhã, que acontece a Caminhada Pela Vida, em Lisboa, Porto e Aveiro. O Papa e o Patriarca apoiam a caminhada. Eu também. Precisa de mais razões para ir?

Esta quinta-feira o Papa visitou um cemitério com vítimas americanas da Segunda Guerra Mundial e também o memorial de vítimas civis dos nazis, em Itália. Apelou ao fim da guerra.

Ontem Francisco já tinha lamentado vários ataques terroristas dos últimos dias.

Assinalou-se na terça-feira o 500.º aniversário da Reforma protestante. O Vaticano e a Federação Luterana Mundial assinaram uma declaração conjunta e o The Catholic Thing assinalou a data com um artigo provocador, e bem-humorado, a lamentar precisamente o acto de Lutero que dividiu a Cristandade ocidental.

E se é uma das pessoas que gozou com o facto de o Patriarca ter rezado por chuva… Pois bem, olhe pela janela… Ainda se está a rir?

Partilhar