quarta-feira, 19 de julho de 2017

Gentil Martins e a dimensão sensorial do Catolicismo

O Papa convidou esta quarta-feira a rezar pelas vítimas das máfias, isto no aniversário do assassinato de um juiz italiano.

Decorreu a peregrinação nacional da Pastoral Penitenciária, com o objectivo de levar esperança aos reclusos.

No mail de segunda-feira esqueci-me de partilhar a entrevista feita por Aura Miguel ao arcebispo Athanasius Schneider. Só existe versão áudio, mas podem ouvir aqui.

Anda meio mundo zangado com Gentil Martins, mas pela razão errada. Eu também estou zangado com ele, mas por razões diferentes. Saiba quais.

E hoje temos novo artigo do The Catholic Thing em português. O jovem Casey Chalk faz um elogio à dimensão sensorial do Catolicismo, que diz fazer falta à tradição protestante em que o próprio nasceu e foi criado.

Está meio mundo zangado com Gentil Martins, mas pela razão errada

Por esta altura já toda a gente sabe que Gentil Martins deu uma entrevista em que disse uma coisa inadmissível. Mas a maior parte das pessoas está zangada pela razão errada.

Os progressistas pedem a cabeça de Gentil Martins numa bandeja por ele ter dito que a homossexualidade é uma anomalia. A frase exacta foi: “Se me perguntam se é correto? Acho que não. É uma anomalia, é um desvio da personalidade. Como os sadomasoquistas ou as pessoas que se mutilam.”

Gentil Martins, dizem, não pode ser bom médico, nem boa pessoa, nem bom da cabeça, se acha que a homossexualidade é uma anomalia. É indiferente ele ter dito que quando tem um doente à frente se está nas tintas se é homossexual ou não. Se não afirma a “identidade sexual” do doente, devia ir preso.

Mas para tudo isto ser verdade, para esta indignação ter pés e cabeça, é necessário que o que Gentil Martins disse seja errado. E para ser errado é necessário que se saiba explicar, de forma clara e sem margem para dúvidas, o que faz com que as pessoas sejam homossexuais. Alguém descobriu isso nos últimos tempos sem que eu tenha reparado?

A indignação implica que a homossexualidade seja uma coisa tão normal como a heterossexualidade. Ou seja, implica que o desenvolvimento natural do aparelho reprodutor e do instinto sexual de algumas pessoas sejam direccionados a algo que não conduz à reprodução.

É possível que assim seja? Talvez, já li sobre bastantes teorias nesse sentido. Está provado? Mostrem-me onde.

Enquanto não estiver provado, a opinião de Gentil Martins pode ser mais ou menos simpática, mais ou menos sensível à luz das modas dos nossos tempos, mas não pode ser crime nem pode ser motivo para esta perseguição que se tem movido.

Sobretudo quando vemos que a moda de dizer que a religião é uma doença mental ou uma forma de abuso infantil não merece a mesma condenação por parte dos arautos do politicamente correcto, ou será que houve uma indignação liberal contra Richard Dawkins, o querido do movimento secularista anti-religioso, que me passou despercebida?

Mas eu comecei este texto por dizer que Gentil Martins tinha dito uma coisa inadmissível, e mantenho que o fez. A frase é esta. “Sou completamente contra os homossexuais, lamento imenso”.

Porque é que esta frase não causou mais indignação? Como é que alguém pode dizer que é “completamente contra” um grupo abstracto de pessoas sem que isso seja mais polémico que fazer uma afirmação que está em sintonia com aquilo que era consenso científico até há alguns anos e é assumido pelas principais religiões de todo o mundo?

Gentil Martins é contra os homossexuais? Todos? Porquê?

São generalizações como estas que são fáceis de fazer mas que vão cavando um fosso cada vez maior entre as pessoas levando os homossexuais a sentir que pessoas como eu – que acham que o ideal para as crianças é terem pai e mãe; que acham que o casamento só faz sentido se for entre pessoas de sexo diferente e que têm uma visão da sexualidade e de família que choca com a visão socialmente dominante – estão do lado de lá de uma barricada.

Mas eu não quero estar numa barricada. Eu recuso a imagem da fortaleza sitiada da Cristandade ou da guerra cultural. Tenho adversários ideológicos, mas não quero ter inimigos, mesmo que eles me odeiem, como sei que alguns odeiam.

Nós não podemos ser “contra os homossexuais”, menos ainda “completamente contra os homossexuais”, primeiro porque isso pressupõe que todos os homossexuais são iguais e pensam da mesma maneira, o que é obviamente um disparate, e segundo, porque isso reduz um grupo grande de seres humanos, com toda a sua complexidade, com a sua indelével dignidade, profundamente amados por Deus, a uma única característica que ainda-por-cima não é escolhida.

Não conheço pessoalmente Gentil Martins mas acredito que se ele lesse estas palavras concordaria com elas e compreenderia que a frase que usou foi infeliz. Mas é precisamente porque muitos de nós continuamos a deixar escapar essa e outras frases infelizes com demasiada frequência que sinto que devo chamar atenção para isso, sabendo porém que a minha voz dificilmente se fará ouvir entre os clamores dos gritos por causa da outra situação, muito menos relevante. 

Parentalidade Católica e a Reforma Protestante

Casey Chalk
Em época de celebração dos 500 anos da Reforma Protestante gosto de pensar na corrente de evangélicos que está a desaguar no Tibre, abençoando não só a Igreja mas todo o diálogo ecuménico – tanto para católicos como para protestantes – sobre a natureza da Tradição, o papel de Maria e a necessidade de uma autoridade objectiva e apostólica.

A isto devemos somar a parentalidade. Quando me converti do calvinismo ao catolicismo discerni uma assinalável mudança na catequese que dava aos meus filhos, uma distinção tão importante que pode fazer toda a diferença entre ter pequenos Cristos ou pagãozinhos à solta lá em casa.

Começa com o baptismo. Muitos evangélicos ainda praticam o baptismo na infância, graças a Deus. Embora a maioria não acredite na regeneração baptismal, não deixam de baptizar validamente com água e em nome do “Pai, Filho e Espírito Santo”. Quer compreendam ou não, os seus filhos recebem assim o Espírito Santo e herdam os dons teológicos da fé, esperança e amor, sendo incorporados em Cristo.

Infelizmente muitos outros protestantes adiam o baptismo até que as crianças alcancem a “idade da razão” e decidam por eles se querem receber o sacramento. Por isso muitas crianças de famílias protestantes nunca o fazem. Para as famílias que assim negligenciaram este rito mandatado por Cristo, os seus filhos permanecem, para todos os efeitos, pagãos.

Mas esse é apenas o primeiro erro em muitos lares protestantes. A maioria dos evangélicos, e certamente os da minha anterior tradição calvinista, rejeitam imagens, ícones e instrumentos catequéticos que historicamente têm sido usados por famílias cristãs para ensinar os caminhos de Deus. Quem estuda a história sabe que a Reforma despiu os altares, derrubou estátuas de santos e removeu Cristo da Cruz. Os terços foram destruídos, relíquias postas de lado e as peregrinações abandonadas.

Na ânsia de purificar a fé e a prática cristã, os reformados parecem ter negligenciado uma questão essencial: Como é que se comunicam os fundamentos da fé cristã a uma criança de dois ou três anos?

Para os evangélicos que se mantêm em contacto de alguma forma ou feitio com a tradição reformada anticatólica, o que permanece é apenas uma casca, uma pobreza prática de catequese. Ainda se pode rezar com uma criança pequena, ler livros religiosos ou cantar músicas sobre Deus. Estas são todas práticas boas e belas, que na minha família também usamos. Mas são todas de natureza cerebral.

E qualquer pai sabe que o cerebral não é o melhor caminho para crianças pequenas. A este respeito podemos dizer que o Cristianismo reformado revela um certo gnosticismo, enfatizando um conhecimento escondido e abstracto à custa de um dos aspectos mais belos e essenciais da nossa fé: a Encarnação.

Estas tendências protestantes revelam uma compreensão incompleta daquilo que o Evangelista São João queria dizer quando se referia a Cristo da seguinte forma: “O Verbo encarnou e habitou entre nós” (João 1,14) ou, noutra passagem, “o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida” (1 João 1,1).

Já o Catolicismo, em contraste, é profundamente sensorial: crucifixos, água benta, sinais da cruz, pagelas, imagens, terços e – por fim – a Eucaristia. Jesus habitou um corpo e os seus milagres aconteceram não só através das suas palavras, mas pelas acções, saliva e lama, peças de roupa.

As devoções que reconhecem isto permitem que até as crianças mais novas entrem na fé cristã. Talvez tenha sido isso mesmo que Jesus estava a pensar quando exortou os apóstolos: “Deixai vir a mim as criancinhas, não as impeçais, pois delas é o Reino de Deus”.

Não estava certamente a pensar em fazer-lhes um sermão sobre um texto bíblico. Na verdade, Jesus impôs-lhes as mãos! (Mt. 19,14-15). Pensem só, ser uma criança cujo corpo foi tocado por Nosso Senhor!

Catolicismo: Um banquete sensorial
Quando a minha família convida amigos evangélicos para jantar e chegam antes de a nossa filha mais velha se ter ido deitar é sempre giro ver o que se passa. Como qualquer menina de quatro anos, adora visitas e partilha tudo sobre a sua vida: os maillots de bailarina, brinquedos e a rotina nocturna de ir para a cama.

Em nossa casa essa rotina envolve arrumar o quarto, vestir o pijama e lavar os dentes. Mas envolve ainda várias práticas explicitamente católicas: ajoelhar e rezar diante de um crucifixo, cantar músicas católicas de um cancioneiro já gasto e ler um livro que frequentemente, e por escolha da minha filha, é profundamente católico.

Ainda não perguntei aos meus amigos o que lhes passa pela cabeça quando vêem a minha filha a falar com Jesus crucificado como se estivesse vivo, ou a pedir uma “Música de Maria” do cancioneiro, ou a aparecer com um livro sobre “santos para raparigas” da sua estante.

Mas sei que a sua devoção é vibrante e verdadeira. Anda constantemente com pagelas, benze-se com água benta na igreja – não uma vez, nem duas, mas dezenas de vezes – e coloca copos de água com flores no nosso altar caseiro, como presente especial para Jesus.

Recorda-me a jovem Cordelia no livro “Reviver o Passado em Brideshead” de Evelyn Waugh, que na sua inocência e zelo doava dinheiro para ajudar os missionários que ensinavam crianças em África, regozijando de cada vez que uma delas era baptizada com o seu nome.

Caros leitores evangélicos, compreendam por favor que não estamos perante tralha sentimental católica, sinos e incensos sem qualquer substância teológica. Eu vivo na Tailândia e temos uma empregada filipina pentecostal que fala sem rodeios sobre a sua fé. E ela já nos confessou várias vezes o seu espanto pelo facto de a nossa filha mais velha saber tanto sobre Jesus e sobre a Bíblia.

Sabe mais, diz-nos ela, do que as crianças na sua própria igreja. Só posso concluir que isso se deve ao facto de toda esta parte sensorial do Catolicismo fazer com que as histórias das Escrituras – que habitualmente lhe lemos – ganhem vida na sua mente em desenvolvimento.

Se eu tivesse continuado a ser calvinista teria tentado introduzir os meus filhos à fé e à prática cristã o mais cedo possível. Os meus muitos amigos evangélicos fazem precisamente isso, com efeitos obviamente positivos.

Mas numa família típica de evangélicos ou calvinistas os pais trabalham sempre com uma mão atada atrás das costas – deixando os seus filhos sem meios para contemplar uma religião que deveria ocupar não só as suas mentes mas os seus corpos e todo o seu ser.


Casey Chalk é um autor que vive na Tailândia, onde edita um site ecuménico chamado Called to Communion. Estuda teologia em Christendom College, na Universidade de Notre Dame. Já escreveu sobre a comunidade de requerentes de asilo paquistaneses em Banguecoque para outras publicações, como a New Oxford Review e a Ethika Politika.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no Sábado, 1 de Julho de 2017)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Archer v. CR7 e D.J. Ortiga 50

O que diria o padre Luís Archer a Cristiano Ronaldo? Que é melhor gerar vida que a encomendar de um catálogo. Isto e muito, muito mais na interessantíssima entrevista que fiz a Francisco Malta Romeiras, que acaba de publicar, juntamente com Henrique Leitão, a obra selecta deste grande cientista.

A ONU apresentou um plano de acção para líderes religiosos combaterem o incitamento à violência, com Guterres a sublinhar a importância do exemplo destes líderes.

D. Jorge Ortiga assinala 50 anos de sacerdócio e diz que o ADN da Igreja está nas respostas corajosas. No fim-de-semana ordenou novos padres, a quem pediu para estarem no mundo sem “mundanismos”.

Conheçam aqui o projecto do Centro Comunitário São Cirilo, no Porto, que ajuda a integrar imigrantes.

Em todo o mundo morrem anualmente muitas raparigas, assassinadas pelas suas próprias famílias por alegadas ofensas à honra. Infelizmente um caso recente passou-se numa família cristã em Israel.

Este mail segue mais tarde que o normal porque hoje estou a fazer madrugada. Se isso vos aborrece de alguma forma, sigam o conselho do Papa: Proibido lamentar-se.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Russos em Fátima e Yazidis preocupados

Bispo Clemens Pickel, russófono
É dia 13, por isso é dia de Fátima. Neste momento está no santuário uma comunidade de católicos de língua russa. Um dos seus bispos sublinha a importância de Fátima para eles.

Temos também uma entrevista de João César das Neves, autor do livro “O Século de Fátima”.

Notícia de dois ex-funcionários do hospital Bambino Gesu, em Roma, que são acusados de desviar fundos e que serão julgados por isso no Vaticano.

Hoje publico a transcrição completa de mais uma das entrevistas que fiz para a série “E depois de Mossul?”. Neste caso trata-se de Mirza Dinnayi, um activista da comunidade Yazidi que fala sobre a posição deste povo num eventual braço-de-ferro entre curdos e árabes no Iraque.

Não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, sobre como a crença num sistema de valores objectivo implica acreditar em Deus.

ISIS destroyed the harmony of the society in Nineveh

This is a full transcript, in the original English, of my conversation with Yezidi activist Mirza Dinnayi. It was recorded on the 14th of March and used for a series of articles published a few days before the liberation of Mosul.

Esta é uma transcrição completa, no inglês original, da minha conversa com o activista yazidi Mirza Dinnayi. Foi gravada no dia 14 de Março e usada para uma série de artigos publicados dias antes da libertação de Mossul.


When Mosul is liberated, we can expect the situation between Kurdistan and Baghdad to come to the surface. Do you believe that it could turn into an armed conflict?
There are many conflicts that can happen after the liberation of Mosul. One of them that you mentioned is the conflict between the KRG and the central government about the future of the disputed area.

But what we saw in the last weeks also, because of the Turkish factor and pressure from Turkey, was a conflict between PKK and KDP which is also a very dangerous conflict which is taking place in Sinjar area. Just today some PKK civilian sympathizers, Yezidi people, were demonstrating in Sinjar and a 16 year old was killed by Peshmerga forces from KDP and about 20 people were injured. Two weeks ago, or one week ago, there was also a conflict between Rojava militia, which is supported by Turkey and KDP and PKK forces, and there were also more than 20 injured and at least four people were killed.

So the problem is that we have, in these disputed areas, two types of conflict. One is between KRG and the central government, about the future administration of this region, and the second is an inter-Kurdish conflict, with influence of Turkey and Iran. Some Kurdish forces are supported by Turkey and others are supported by Iran and they are fighting each other. This is more dangerous than the conflict between Iraq and Kurdistan.

I have read reports on heavy presence of PKK militants in and around Sinjar, and that many of these are actually Yezidi members of PKK. Is it true that there is a big presence of Yezidis in PKK?
The sympathy is more directly to the YBS [Sinjar Protection Units] and YPG, more than being members, there are actually very few members, among Iraqi Yezidis there are no members of the PKK, but we have members of these YPG or YBS militias, which are also armed forces, but supported by the Iraqi Government, and they have some relations with the PKK, but they are not direct members of the PKK because PKK is a forbidden organization in Iraq and Turkey, but also in Europe.

So these are people who have some sympathy for PKK, and one of the reasons why they joined YPG or YBS is because they were the ones who, in 2014, liberated more than 150 thousand Yezidis from the Mountain when ISIS attacked the Yezidis. At that time the Peshmerga forces collapsed, the Iraqi forces collapsed, and these people came and saved the lives of tens of thousands of Yezidis who were surrounded in the mountain, without food or water. So this is one of the reasons some of the people in the area have some sympathies for these forces and joined them.

We also have armed force which belongs to the Iraqi Hash al-Shabi Forces [Popular Mobilization Forces] who are Yezidis from one side, and which also have some relations with YPG or YBS. The problem is that KDP said that Sinjar should belong to them, and the Peshmerga say that these groups do not belong to the Peshmerga and they are not legal groups, so they should leave. But the problem is that these people are from Sinjar, not from outside. This is a problem that we have and we have tried to solve this conflict in a peaceful way, but unfortunately it has not been possible.

The Kurds seem set on independence. What is your position on this?
There is a wish for independence among the Kurdish people, we support this wish, but we think that these problems, especially in the disputed areas, because most of the Yezidi people and the minorities, Yezidi and Christian, in Iraq, are living in these disputed areas and we think the only way to declare independence is if it is peaceful, because a war will damage our community.

The Yezidis have some demands from Iraq and from Kurdistan, and our demands are to have some special autonomous areas, self-administered autonomous areas, for Yezidis, a province in Sinjar and Nineveh Plain, and these areas should be in cooperation between Bagdad and Kurdistan. This is the wish of the Yezidi people. Because there has been no referendum, we don't know what the people will decide, we think that it is the best way to find what the Yezidi people want. I think the Yezidis will agree, but not without conditions.

If Kurdistan does become independent, and an autonomous region for minorities were to be created, should it be linked to Bagdad or to Erbil?
After all the problems that we had, after the genocide, I think it is the full right of the Yezidis and the Christians to have some demands in order to be part of Kurdistan or not. This is the position of the Yezidis at the moment. Most of the Yezidis would like to be in Kurdistan, because we don't think that we have a future with Mosul, we think there is no future between Yezidis and Mosul, because all the attacks were planned in Mosul, Yezidis were sexually enslaved in Mosul by Sunni Arabs, so there is no way in the next generation to be integrated so smoothly with Mosul, but with the Kurds we have the same roots, we have ethnical roots, so it could be. But we have to have a democratic background and to save the lives and the future of Yezidi existence, their political and social entity, I don't think the Yezidis will agree without conditions.

When you speak of an autonomous region, you would be living side by side with other minorities, such as Christians, Shabaks, Turkmen, etc. Is this what the Yezidis want as well?
Yes, this is the idea, that all the minorities live together in peace.

The Kurds reserve places in their parliament for ethnic minorities, but this does not include Yezidis. They say Yezidis are Kurds with a different religion. What is your opinion on this?
The Yezidis are not united about this issue. Some of them say we are an independent nation, some say we are Kurds, and some say we are an ethno-religious entity and that this ethno-religious entity should be respected. So we have three versions, and my opinion is that the identity of the Yezidis has been established now as an identity after genocide, so the feeling of the Yezidis before and after 2014 is different. The politicians in Iraq and Kurdistan didn't realize this until now, unfortunately, but they should recognize it.

Christians seem very divided in this region, with more than a dozen political parties and at least six militias. The Kurds are also quite divided, although all seem to agree on independence. Does this problem affect the Yezidis as well?
Unfortunately yes.

The community is divided because of the genocide and the massacres, and the genocide has not stopped yet. So my community is also divided in membership among different parties. We have Yezidis who belong to the PKK, Yezidis who belong to the KDP, PUK, independent Yezidis, some small Yezidi parties which were useless in the last two years. Now the elections will come and there will be new political identities of Yezidis, so I think my community is also very divided, maybe not as badly as our Christian brothers, but also divided.

I see you used the term Christian brothers. If there is this autonomous region you would be living as brothers with the Christians, Shabaks, Turkmen... Are relations between Yezidis and Christians and these other minorities brotherly, would it be easy to live in this autonomous region in peace?
I think that between Yezidis and Christians there is no problem. With the Shabak Shias we have no problem. The Shabak Sunnis, unfortunately, joined ISIS. The Shabak themselves are divided. And for Turkmen it is also very difficult because we have Turkmen Shias and Turkmen Sunnis and these aggressively joined ISIS, and they were members and they attacked Yezidis, but we have very good relations with the Turkmen Shia, so you will find that the minorities are even divided among themselves and that ISIS destroyed the harmony of the societies, but in my opinion Yezidi, Christians, Shabak Shias and Turkmen Shia can understand each other. Any relationship with Sunni Muslims, because of ISIS, cannot be included in such projects, in my opinion.

For the creation of an autonomous region you would need support and allies. Bagdad and/or Erbil, but also international allies. Do you have allies for this plan at the moment?
Unfortunately we are trying to lobby at the European Union level and at the American level. Everybody, from the UN or different Western countries, they tell us that we are right, that we need an autonomous area, but everybody is asking us who will pay for it. And this is a problem which we have now. We have some solidarity from the Western countries, but nobody is ready, until now to establish a project... I think the international community as a whole is responsible for this.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Nova via para beatos que lêem livros perigosos

Caminho aberto para beatificação?
O Papa criou ontem uma nova categoria para processos de beatificação. É uma novidade interessante que vem clarificar a distinção entre quem dá a vida como mártir e quem a dá por amor ao próximo.

O mesmo Papa escreveu o prefácio para a Bíblia Jovem YouCat, advertindo que a Bíblia é um livro extremamente perigoso. Pode ler o texto completo do Papa aqui.

Um ano depois de terem ido à Polónia para participar nas JMJ, um grupo de portugueses recebeu os seus amigos polacos no santuário de Nossa Senhora das Dores, na Guarda.

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