quarta-feira, 4 de março de 2015

As conspirações de Fátima e os novo pecados mortais

O Papa disse esta quarta-feira que o abandono dos idosos equivale a um “pecado mortal”. Bem dito.

Não sabemos se foi por influência directa ou não, mas ontem Francisco recebeu uma colecção das obras completas do padre António Vieira

Foi publicada ontem nova legislação que regulará a reforma dos assuntos económicos. Segundo um influente observador do Vaticano, o cardeal australiano George Pell sai reforçado com estas mudanças. Vamos ver no que dá.

Entretanto ontem foram libertados mais quatro cristãos na Síria. Neste artigo damos algumas das explicações possíveis por detrás desta atitude do Estado Islâmico, embora não haja certezas para além do facto de que ainda há cerca de 200 cristãos detidos pelos terroristas.

Hoje é dia de artigo do The Catholic Thing, este diz-nos directamente respeito, enquanto portugueses. Howard Kainz fala de Fátima e das teorias da conspiração que existem à volta das aparições. A não perder!

Não esqueçam que é já amanhã que estreia o Godspell. Não percam a oportunidade de ver!

Fátima e as Teorias da Conspiração

Howard Kainz
As aparições de Nossa Senhora aos três pastorinhos de Fátima, em 1917, que culminaram em Outubro desse mesmo ano com o maior milagre público da história, diante de 70,000 pessoas, é um exemplo formidável da intervenção amorosa de Nossa Senhora, para alertar o mundo para as ameaças vindouras e oferecer formas de evitar as guerras e alcançar a paz.

Mas é da maior importância fazer uma interpretação correcta de Fátima.

Há várias décadas que o padre canadiano Nicholas Gruner, conhecido como o “padre de Fátima”, e o Fátima Center que ele fundou, afirmam que os males deste mundo e, sobretudo, os que a Igreja está actualmente a sofrer, podiam ser evitados se o Papa e os bispos do mundo tivessem consagrado a Rússia correctamente, tal como Nossa Senhora pediu à irmã Lúcia a 10 de Dezembro de 1925. Correctamente, para o padre Gruner, significa mencionar a Rússia pelo nome.

Em Dezembro de 1983 o Papa João Paulo II consultou a irmã Lúcia, a única vidente de Fátima que ainda estava viva, sobre o cumprimento do desejo manifestado por Nossa Senhora. Enviou cartas para todos os bispos do mundo para se juntarem a ele na consagração da Rússia e do mundo a 25 de Março de 1984. Isso foi feito e o Papa acrescentou, diplomaticamente, talvez tendo em conta as ameaças soviéticas ao movimento Solidariedade na Polónia: “De forma especial, confiamos e consagramos-te todos os indivíduos e as nações que precisam de ser confiados e consagrados de forma particular”.

Mais tarde, a irmã Lúcia escreveu que o Papa tinha cumprido a vontade de Nossa Senhora e, anos mais tarde, o mundo assistiu à queda do muro de Berlim e ao desmantelamento da União Soviética. Como já escrevi noutro lado, e ainda noutro artigo, a prometida “conversão” da Rússia parece já ter começado, com liberdade religiosa, uma grande proliferação de igrejas, mosteiros e seminários e níveis de prática religiosa comparáveis aos de Portugal onde, como Nossa Senhora prometeu à irmã Lúcia, “a doutrina da fé será sempre preservada”.

Mas o padre Gruner e o seu séquito de Fatimistas mantêm que a consagração tem de ser repetida, mencionando a Rússia especificamente, e que os cinco minutos passados a fazê-lo farão surgir uma conversão milagrosa, como o mundo nunca viu. Gruner até recomenda a leitura de um romance, “Russian Sunrise”, no qual o seu “avatar” aparece com o nome Nicholas Gottschalk, e finalmente convence o Papa a seguir o seu conselho, levando a mudanças milagrosas na Rússia.

A alegada “conspiração” de silêncio em relação a Fátima não fica por aqui mas, de acordo com os Fatimistas, o terceiro segredo de Fátima, revelado pelo Papa João Paulo II em 2000, contém uma segunda parte essencial que tem sido escondida. A própria irmã Lúcia, quando revelou o terceiro segredo em 1944 e enviou para o Vaticano em 1957, disse que apenas podia dar os detalhes daquilo que tinha visto mas que não estava autorizada a fornecer a interpretação que Nossa Senhora lhe tinha revelado.

Mas os Fatimistas não têm a menor dúvida. Eles desconfiam que o “texto que falta” diz respeito, de forma apocalíptica, “à visão, em que a Virgem explica pelas suas próprias palavras que uma crise interna de fé e disciplina da Igreja será acompanhada por um grande castigo a todo o mundo”. Ou então, talvez, que “o segredo previa as mudanças do Concílio Vaticano II, sobretudo no que diz respeito à liturgia e ao diálogo ecuménico, como fazendo parte da ‘grande apostasia’ que os líderes da Igreja se recusam a reconhecer”.

Deixando as teorias da conspiração de parte, devemos focar-nos no essencial da mensagem de Fátima. Nas aparições de Maio e de Junho de 1917 Nossa Senhora pediu aos três pastorinhos que rezassem o terço todos os dias, para que acabasse a Primeira Guerra Mundial e pela paz no mundo. Este foi o seu principal pedido.

Padre Nicolas Gruner
A 10 de Dezembro de 1925, Nossa Senhora fez outro pedido/promessa extraordinária – Os cinco primeiros sábados. “Prometo assistir à hora da morte, com as graças necessárias para a salvação, todos aqueles que, nos primeiros sábados de cinco meses consecutivos, se confessarem, comungarem, recitarem cinco dezenas do Rosário e me façam companhia durante 15 minutos enquanto meditam nos 15 mistérios do Rosário, com a intenção de me fazer reparação”.

Porquê os “cinco” Primeiros Sábados? Para fazer reparação pelas cinco blasfémias contra o Coração Imaculado de Maria. A 29 de Maio de 1930, Nosso Senhor explicou à Irmã Lúcia que blasfémias são essas:

1. Contra a Imaculada Conceição de Maria. Embora o próprio Martinho Lutero acreditasse tanto que Nossa Senhora viveu uma vida toda sem pecado, como na Imaculada Conceição, os protestantes, em geral, negam estes conceitos devido à ausência de confirmação explícita na Bíblia. Muitos ortodoxos também duvidam, porque isso implicaria uma limpeza do pecado original antes da chegada do Redentor.

2. Contra a Virgindade Perpétua de Maria. Embora Lutero, Calvino e Zwingli tenham afirmado todos a virgindade perpétua de Maria, muitos protestantes agora negam-no, concluindo que as referências bíblicas aos irmãos e irmãs de Jesus dizem respeito a irmãos biológicos e não, como acontece frequentemente na Bíblia, a primos ou outros parentes. Como se, depois de ter dado à luz ao Filho de Deus, Maria estivesse interessada em ter outros filhos! Ou como se Maria tivesse tido outros filhos mas nenhum deles pudesse tomar conta dela depois da crucifixão. Pelos vistos São João seria a única pessoa disponível.

3. A sua divina maternidade e maternidade de toda a humanidade. Embora Lutero, Calvino e Zwingli desencorajassem a veneração de santos, abriram excepções para a Virgem Maria. Os Ortodoxos também reverenciam tradicionalmente a Theotokos (Portadora de Deus). Porém, hoje muitos protestantes ignoram Maria e a possibilidade da sua intercessão. Mesmo alguns fundamentalistas, devotos da Bíblia, são hostis, considerando que a devoção a Maria prejudica a fé em Cristo.

4. A tentativa pública de implantar no coração das crianças uma indiferença, ou mesmo desprezo e ódio, pela sua Imaculada Mãe: É triste ver a atitude de alguns protestantes que pensam estar a prestar um serviço a Deus ao inculcar hostilidade para com Nossa Senhora nos seus filhos e ainda mais triste pensar que há católicos liberais ou feministas que temem que qualquer exposição a Maria venha a dar aos seus filhos uma visão ideologicamente inaceitável da condição da mulher.

5. A ofensa de todos os que a insultam directamente, profanando as suas imagens sagradas: Temos visto numerosos incidentes destes ao longo dos últimos anos. Em 1999 uma pintura incluída numa mostra num museu de Brooklyn chamada “Sensation” mostrava Nossa Senhora coberta de fezes de elefante. Em 2011 na Nova Zelândia a Igreja Anglicana fez um cartaz que mostrava a Virgem Maria com um teste de gravidez numa mão e a outra a tapar a boca aberta, com ar de surpresa. Em 2012 protestantes em Belfast colocaram uma estátua de Nossa Senhora numa fogueira, durante as tradicionais festas de Shankir. Em 2014 o Estado Islâmico destruiu a imagem de Nossa Senhora da Igreja de Mosul e fez explodir a igreja. Em Janeiro deste ano em Perugia, Itália, cinco muçulmanos destruíram a imagem de Nossa Senhora da capela de São Barnabé, e urinaram-lhe em cima. Este tipo de incidentes está a tornar-se cada vez mais comum, juntamente com a destruição de igrejas católicas no Médio Oriente.

Na missa do Primeiro Sábado deste mês fiquei admirado com o número reduzido de pessoas presentes, para além dos habitués da missa diária. Haverá tão poucos católicos interessados em responder ao pedido do Céu de fazer reparação pelas múltiplas ofensas à Virgem Maria? Será que cumprem os primeiros sábados uma vez que seja, para poderem beneficiar das extraordinárias graças prometidas por Maria? Quantos católicos rezam o terço diariamente – o primeiro e certamente o mais importante e simples pedido de Nossa Senhora de Fátima?

Milagre do Sol, Fátima 1917
Existe um mandato divino urgente para reparar os insultos feitos ao Imaculado Coração de Maria. Nosso Senhor, no seu corpo glorificado, presumivelmente tem emoções corporais. O recente comentário do Papa Francisco sobre a reacção natural de um homem ao ver a sua mãe insultada talvez seja uma boa analogia.

Mas os fatimistas acreditam mesmo que se o Papa “consagrar a Rússia” de novo, utilizando a expressão exacta, em cinco minutos, de repente vamos assistir a conversões milagrosas por todo o lado, entre as multidões de cristãos actualmente a utilizar contraceptivos como os pagãos, a promover a homossexualidade e a profanar o casamento?

A União Soviética já não está a perseguir cristãos nem a “espalhar os seus erros pelo mundo”. Isso agora cabe aos islamitas. Nossa Senhora não divulgou qualquer segredo sobre o Islão em Fátima. Não é preciso “segredos” especiais para aqueles que seguem as notícias, mesmo de vez em quando, a crise espiritual é evidente. Mas a solução principal que Maria ofereceu em Fátima mantém a sua relevância. Se pensam que o mundo está no mau caminho, chegou a altura de começar a seguir os pedidos simples de Nossa Senhora – o terço diário e os cinco Primeiros Sábados.


Howard Kainz é professor emérito de Filosofia na Universidade de Marquette University. Os seus livros mais recentes incluem Natural Law: an Introduction and Reexamination (2004), The Philosophy of Human Nature (2008), e The Existence of God and the Faith-Instinct (2010)

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no Sábado, 28 de Fevereiro de 2015)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Alguns reféns cristãos libertados e Godspell em Portugal

O drama dos cerca de 200 cristãos raptados na Síria continua, mas ontem houve uma boa notícia, com a libertação de cerca de 20 pessoas. Não é certo se foi pago um resgate ou se a libertação resultou de outro tipo de negociação, mas estão livres, que é o que interessa.

A notícia surgiu um dia depois de os curdos, a principal força armada anti-Estado Islâmico na região, terem dito que estão dispostos a trocar jihadistas presos pelos cristãos, mas não se sabe se isso influenciou a libertação dos 19.

Enquanto isto, o chefe da segurança do Vaticano deu uma rara entrevista na qual admite que o nível de alerta é elevada por causa das ameaças do terrorismo islâmico, mas que o Papa continua a querer manter o seu estilo de pontificado.

Há duas reportagens que não devem perder, sobre o trabalho levado a cabo no terreno por congregações religiosas. Em Coimbra as freiras vão para a rua para ajudar prostitutas e no bairro da Fonte da Prata são as Escravas do Sagrado Coração de Jesus que estão a trabalhar com pessoas em situações de carência. Dois projectos que vale a pena conhecer.

E parabéns à selecção de futsal de padres que conquistou o ouro no campeonato europeu!

Dois avisos para esta semana: Para quem vive ou trabalha na Baixa de Lisboa, vai haver uma sessão de esclarecimento sobre o projecto Escola no Chiado. A ideia é mesmo essa, um projecto educativo cristão no Chiado, numa colaboração entre a paróquia da Encarnação, dos Mártires e a Fundação Maria Ulrich. A reunião é na quarta-feira, às 21h15, no salão paroquial da Igreja da Encarnação.

Também esta semana estreia o “Godspell”. Trata-se de uma nova produção do famoso musical de Broadway que vai a palco com músicas totalmente adaptadas a português. É encenado por Matilde Trocado, que fez também o musical “Wojtyla” e “O Quadro”. Conheço quem tenha ido aos ensaios e ficaram espantados com a qualidade, por isso recomendo vivamente e espero ir ainda esta semana também. Aqui podem ver um vídeo promocional e aqui podem comprar bilhetes. As datas são de 5 a 15 de Março no Tivoli de Quintas e Sextas as 21h30, Sábados às 17h00 e 21h30 e Domingos às 17h00.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Sem-abrigo, bispo e príncipes - todos iguais diante de Deus

Um sem-abrigo nas ruas de Roma
Um homem sem-abrigo de Roma, que morreu no Vaticano, vai ser sepultado num importante cemitério da Santa Sé. É a primeira vez que tal acontece e a autorização foi dada directamente pelo Papa Francisco.

Por falar em Papa Francisco, um grupo de estudantes de Viseu foi conhecer o Papa, depois de terem angariado dinheiro através da venda de rifas. E tudo começou com uma conversa com Aura Miguel…

Uma distinção para a Ordem Hospitaleira, que trabalha sobretudo com doentes mentais, e que recebeu o prémio “Cidadão Europeu” pela sua obra.

Piora a situação para os cristãos raptados pelo Estado Islâmico na Síria. Inicialmente falava-se em 2000 pessoas. O número entretanto foi revisto em baixa para 90 mas agora já subiu para 150. Seja como for, o grupo terrorista ameaça matá-los a todos. Oremos.

Recentemente queixei-me que Obama estava armado em teólogo. O padre Mark Pilon concorda comigo mas leva o assunto mais longe ainda no artigo desta semana do The Catholic Thing em português. Não deixem de ler!

O nosso Presidente-Teólogo

Pe. Mark A. Pilon
Diga-se o que se disser sobre os terroristas que estão a massacrar cristãos, muçulmanos e pessoas de outras religiões, parece-me extremamente arrogante que o presidente dos EUA se reserve ao direito de declarar quem é, ou não é, um verdadeiro muçulmano, ou quem é, ou não é, um verdadeiro líder muçulmano. No seu discurso no encontro na Casa Branca na semana passada, o presidente, declarou “ex-cathedra” que os líderes do Estado Islâmico não são líderes religiosos mas simplesmente terroristas que interpretaram falsamente a religião muçulmana: “Não são líderes religiosos”, afirmou, dizendo ainda: “estamos em guerra contra pessoas que perverteram o Islão”.

Essa afirmação poderá ser verdade, ou não, mas depende sobretudo de como se interpreta os textos sagrados do Islão. Por exemplo, que peso atribuímos aos escritos iniciais, por oposição aos mais tardios? Por isso, que um não muçulmano, que certamente não é um especialista em religiões e que não é capaz de ler os livros sagrados nas suas línguas originais (algo muito importante para os estudiosos do Islão) se coloque na posição de juiz de quem é, ou não é, um verdadeiro muçulmano, revela extrema arrogância e ignorância. Como se interpreta estes textos antigos de forma precisa – com base no qual se determina quem é ou não um muçulmano fiel –, é algo que, no fim de contas, só pode ser resolvido no seio desta antiga religião.

Se eu fosse muçulmano, de que confissão fosse, (sabendo que existem várias seitas, dependendo da forma como se lê os textos sagrados, por exemplo), ficaria muito ofendido se um infiel decidisse determinar se eu, ou qualquer outro muçulmano, era um verdadeiro crente ou um verdadeiro  líder religioso. A verdade é que não existe uma autoridade suprema no Islão que tenha o direito de determinar quem é um imã válido ou um verdadeiro líder religioso. Como é que um infiel se arroga ao direito de o fazer? Se isso não constitui uma ameaça ao Islão vinda do mundo infiel, então é o quê?

O que se está a passar na mente do presidente ou nas mentes dos seus conselheiros é muito perturbador. Estas declarações não se explicam pela sua tendência de improvisar, são demasiado consistentes e repetidas. A sua defesa persistente do Islão, quando confrontado por actos terroristas de homens que se identificam como muçulmanos fiéis é bastante bizarra e está em desacordo com a sua obsessão com coisas como a “identidade de género”. Neste campo, a sua administração acredita claramente que se deve dar total crédito ao que as pessoas dizem ser o seu género, mesmo quando esta identificação choca com a sua constituição biológica.

No passado mês de Dezembro, por exemplo, o Departamento da Educação publicou um memorando que afirma que o artigo IX das Emendas da Educação de 1972 é para ser interpretado como abrangendo a identificação de género dos estudantes e obrigando todos os outros aspectos de planeamento e implementação da educação a corresponder a essa auto-identificação.

Por isso, mesmo as crianças mais novas que se possam identificar biologicamente como sendo de um sexo devem ser respeitados se escolherem declarar que pertencem ao sexo oposto, independentemente dos factos biológicos. Mas os adultos que se identificam como muçulmanos ou como líderes muçulmanos não devem ser respeitados ou receber qualquer crédito se não preencherem os critérios do presidente e dos seus conselheiros em assuntos de religião. Há algo tão bizarro sobre tudo isto que me parece estarmos perante um problema muito mais profundo.

Obama a receber inspiração divina para
melhor cumprir o seu papel de supremo teólogo

Parece que chegámos ao mundo representado nos livros de Huxley e Orwell sobre líderes totalitários que abandonaram a verdade em troca do poder da propaganda, novalíngua, manipulação e duplipensar. As palavras já não têm qualquer ligação directa com a realidade. São puros instrumentos de manipulação política. Ambos os autores compreenderam bem o poder que a linguagem tem para manipular, mas foi Orwell quem explicou melhor a metodologia usada pelo ironicamente denominado Ministério da Verdade.

Um dos propósitos do Ministério é desenvolver e promover a Novalíngua, que é descrita como:

“Uma vontade leal de dizer que o preto é branco quando tal for exigido pela disciplina partidária. Mas significa também a capacidade de ACREDITAR que preto é branco e, mais, de SABER que preto é branco e esquecer-se de que alguma vez se acreditou no contrário. Isto exige uma modificação contínua do passado, tornada possível pelo sistema de pensamento que na verdade abarca tudo o resto e que é conhecida, em Novalíngua, como DUPLIPENSAR.”

A história e o passado têm de ser totalmente alterados para acomodar a grande mentira, por exemplo, e os seus efeitos, precisamente da mesma maneira que os nossos líderes políticos falam tão levianamente das Cruzadas e da Inquisição sem verdadeiramente compreender uma coisa ou outra.

Se repetirmos a mentira vezes suficientes as pessoas começarão a acreditar nela. Os totalitários do século passado compreendiam bem isso. A descrição de Orwell mantém-se válida:

Dizer mentiras de forma deliberada, enquanto se acredita genuinamente nelas, esquecer qualquer facto que se tenha tornado inconveniente, e depois, quando se torna necessário novamente, trazê-lo de volta do esquecimento pelo tempo estritamente suficiente, negar a existência de uma realidade objectiva e, todavia, tomar em conta a realidade que negamos – tudo isto é indispensavelmente necessário.

Tudo isto está a acontecer no mundo da política Novalíngua de hoje, apesar de termos acesso a mais informação do que em qualquer outra época. Podemos fazer juízos absurdos sobre a identificação religiosa de alguém, porque a verdade é tudo aquilo que serve a agenda política. Verdade histórica objectiva? Esquece isso! O que é a verdade?

Essa pergunta cínica foi colocada por outra figura política, e conduziu à morte da encarnação da Verdade. Hoje está a conduzir ao caos social.


O padre Mark A. Pilon, sacerdote da Diocese de Arlington, Virginia, é doutorado em Teologia Sagrada pela Universidade de Santa Croce, em Roma. Foi professor de Teologia Sistemática no Seminário de Mount St. Mary e colaborou com a revista Triumph. É ainda professor aposentado e convidado no Notre Dame Graduate School of Christendom College. Escreve regularmente em littlemoretracts.wordpress.com

(Publicado pela primeira vez na quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015 em The Catholic Thing)

© 2015 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

200 cristãos raptados na Síria num só dia

Zak Ebrahim, filho de terrorista, escolheu a paz
O dia de segunda-feira começou da pior maneira, com notícia de ataques do Estado Islâmico a aldeias cristãs no Nordeste da Síria, que resultaram no rapto de cerca de 200 homens, que são agora reféns dos islamitas.

Como que para nos recordar que isto não tem sempre de ser assim, temos uma entrevista com o filho de um dos terroristas que ajudou a planear o 11 de Setembro. Zak foi educado no fundamentalismo, mas escolheu o caminho da paz.

A Conferência Episcopal portuguesa saudou D. Manuel Clemente por ter sido elevado ao cardinalato e traçou objectivos para o próximo encontro plenário dos bispos.

O mesmo D. Manuel Clemente já começou as suas catequeses quaresmais e ontem aproveitou para elogiar a preparação do sínodo sobre a família, que decorre em Outubro.

Estreou a semana passada um documentário sobre a vida de um capelão prisional. Saiba mais, aqui, sobre este filme das irmãs Leitão.

Termino com um apelo. Os organizadores da iniciativa de 40 dias de oração pela vida lamentam a falta de voluntários. Só se pede que vão rezar. Não é preciso abordar ninguém, falar com ninguém, apenas rezar. Quantos o podem fazer mas estão em casa por preguiça? Penso em mim também.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Barack o Teólogo e Lutero o Playmobil

A cristandade continua a tentar perceber como reagir ao terrível martírio dos 21 cristãos coptas às mãos do Estado Islâmico. Mas se a notícia nos chocou a todos, que dizer da aldeia egípcia de onde eram naturais 13 dos homens? Segundo o pároco, “houve gritos em todas as casas, em todas as ruas”.

Ontem Barack Obama falou do Estado Islâmico. Não contente com o facto de ser líder político e comandante supremo das Forças Armadas, Obama agora também é teólogo e decide o que é o verdadeiro Islão e o que são deturpações…

Já escrevi sobre este assunto antes, aqui, mas escusado será dizer que sou da opinião de que não cabe aos líderes políticos fazer este tipo de juízos. E não estou sozinho! Não deixem de ler este excelente e autoritário artigo que explica, bem explicado, o que é o Estado Islâmico e em que é que acreditam.

Mudando de tom, porque bem falta nos faz rir, os responsáveis da empresa alemã Playmobil estão estupefactos com o maior fenómeno de vendas de sempre daquele brinquedo… Nada mais nada menos que Martinho Lutero! Bom, neste caso um bocadinho menos, porque afinal de contas é só um boneco…

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