Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

Novo Patriarca de Lisboa

Vários órgãos de informação estão a avançar que o próximo Patriarca de Lisboa é D. Manuel Clemente, e que a decisão será anunciada oficialmente amanhã.

Esta notícia coloca-me numa posição complicada uma vez que o órgão de informação para a qual trabalho está sujeita a um embargo em relação à divulgação do próximo Patriarca, que apenas termina amanhã, às 11h00, altura em que a notícia será avançada oficialmente pelo Vaticano.

Contudo, hoje a Renascença divulgou uma notícia dando conta de que a agência Lusa está a avançar que o próximo Patriarca é D. Manuel Clemente, mas que ainda não é oficial. Sendo assim, julgo que já posso fazer o mesmo através deste e-mail para o benefício dos meus leitores.

Este serviço existe para vos fazer chegar informação variada e, sempre que possível, em primeira mão. Contudo, não violarei embargos para o fazer. A jornalista que avançou com esta notícia em primeira mão, Rosa Ramos, do jornal “i”, explica que não violou qualquer embargo porque transmitiu a informação às 18h00, recebida de fontes que não estão sujeitas a embargo, e que apenas recebeu a informação embargada às 19h.

Amanhã, portanto, às 11h00 será conhecida a notícia oficial do próximo Patriarca de Lisboa. Tudo indica, por enquanto, que D. Manuel regressa a casa. Vale a pena estarem atentos ao site da Renascença, que terá certamente muita informação, segunda-feira enviarei mail com um apanhado do mais importante.

Cumprimentos,
Filipe

Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

Um de Sete

Brad Miner
Eric Metaxas é autor de alguns livros religiosos para crianças e duas biografias muito bem recebidas de William Wilberforce (2007) e Dietrich Bonhoeffer (2011), e o seu mais recente livro “7 Men – and the Secretsof Their Greatness”, inclui breves perfis tanto do abolicionista inglês como do pastor evangélico alemão martirizado. Os outros cinco são George Washington, o velocista Eric Liddell, o grande jogador dos Dodgers Jackie Robinson, o falecido amigo de Metaxas, Charles W. Colson, e – mais importante para os nossos leitores – o Papa João Paulo II.

Embora escrito para um público adulto, “7 Men” pode ser lido por adolescentes, sendo aliás muito recomendado para estes. Estes perfis devem ser inspiradores, e são-no, embora me aborreça que o autor use o termo “herói” como sinónimo de “modelo” [Role Model]. Jackie Robinson foi heróico e por isso, suponho, talvez sirva de modelo para miúdos, mas o carácter é uma realidade tão complexa que duvido.

Todos os heróis de “7 Men” foram, em mais do que um sentido, fortes, e Metaxas escreve que “a ideia de Deus de tornar os homens fortes era de que usassem essa força para proteger mulheres e crianças e mais quem precisasse”. Por outras palavras, tinham cavalheirismo, (um tema que me é caro). Este pode ser definido como força “posta ao serviço de Deus”. De que outra forma é que homens conseguem fundar uma nação (Washington), acabar com a escravatura (Wilberforce), voltar as costas à fama (Liddell), sacrificar tudo (Bonhoeffer), quebrar a barreira racial (Robinson), mudar o mundo (João Paulo II), e ultrapassar a humilhação pública (Colson)?

Cada um destes homens tinha uma firmeza quase preternatural para fazer a coisa certa. No caso de Washington não se tratava só de liderar os novos Estados Unidos, mas dar um exemplo de moderação ao abandonar o cargo público e retomar a vida privada. Wilberforce poderia ter sido primeiro-ministro, mas dedicou a sua vida a libertar os africanos da escravatura. Liddell opôs-se ao rei e à nação para poder honrar o sábado, depois abandonou o atltetismo para se dedicar às missões na China. Bonhoeffer enfrentou os nazis, abandonando a segurança dos Estados Unidos para regressar à Alemanha, e por isso foi enforcado. Robinson manteve a calma quando confrontado com o racismo mais selvagem, abdicando, nas palavras de Metaxas, de algo a que poucos abdicam, o direito à retaliação. Chuck Colson subiu, caiu e pôs-se de pé outra vez: “A sua fé era tão forte que sabia que a única coisa a fazer era confiar em Deus tão completamente que pareceria loucura para o mundo... Mas a ele não interessava o que pensassem os outros – apenas Deus”.

E depois há João Paulo II: “De todos os homens neste livro, apenas um passou a ser conhecido como ‘magno’”.

A informação biográfica sobre Karol Wojtyla incluída em “7 Men” é já do conhecimento de quem tenha lido a obra de George Weigel, mas o Sr. Metaxas, que é de tradição Ortodoxa, captura de forma clara a essência da sua vida extraordinária: “Cada incidente, cada pessoa que conheceu, cada talento que lhe foi dado o ajudou ao longo do caminho que Deus lhe tinha traçado”.
 
João Paulo "Magno"
Aqui estava um homem, mais até que os restantes seis, chamado por Deus, dirigido por Deus e protegido por Deus.

Dada a necessidade de descrever a vida do Papa Wojtyla em apenas vinte páginas, não sei o que é que incluiria (ou o que deixaria de fora), mas Metaxas foca-se, sabiamente, naqueles incidentes que sustentam a premissa de que o futuro Papa não só tinha sido chamado por Deus a desempenhar o papel histórico que desempenhou, mas também que era um homem que nunca hesitou em cumpri-lo. Durante a segunda Guerra Mundial, ele e os amigos estavam a esconder-se de alemães que faziam uma busca casa-a-casa. Enquanto os outros se apertavam, assustados, “Lolek” Wojtyla prostrou-se em oração. Os soldados passaram sem entrar.

Quando o pálio papal lhe foi passado, respondeu: “É a vontade de Deus. Aceito”.

A fé do Papa era de tal maneira forte – a palavra de Deus na sua mente e no seu coração era tão clara – que católicos de todas as facções o aceitaram como seu. Apoiou a Solidariedade, e também o mercado livre. Falou da beleza do amor e do sexo, mas nunca se desviou da ortodoxia da Humanae Vitae. E a sua capacidade de reconciliar vários interesses concorrentes dentro da Igreja ganhou-lhe muitas conversões.

Daí que Jennifer Bradley, do liberal New Republic, que apesar de não ter gostado muito dele, no início, não deixou de participar numa missa papal, escrevendo depois : “Agora o meu cepticismo terá de partilhar espaço com admiração e, estranhamente, gratidão”.

Uma aceitação da Cruz sem medo, escreve Metaxas, foi o verdadeiro segredo da grandeza de João Paulo II: “Ele não procurou a grandeza nem o poder, mas ambos vieram ter com ele na medida em que focava a sua atenção e a sua energia, tal como Deus tinha ensinado, naqueles que tinham menos capacidade de retribuir.”

Regressamos ao cavalheirismo. Omnia vincit amor.


(Publicado pela primeira vez na Segunda-feira, 6 de Maio 2013 em The Catholic Thing)

Brad Miner é editor chefe de The Catholic Thing, investigador senior da Faith & Reason Institute e faz parte da administração da Ajuda à Igreja que Sofre, nos Estados Unidos. É autor de seis livros e antigo editor literário do National Review.

© 2013 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Sexta-feira, 10 de Maio de 2013

Votar, no Paquistão, é só para muçulmanos bem comportados

Francisco com Tawadros e o seu gangue
O Pontificado do Papa Francisco será consagrado a Nossa Senhora na próxima segunda-feira dia 13, em Fátima. O santuário espera um “boom” de acessos ao site para assistir às cerimónias.

O Papa dos Coptas esteve hoje com o Papa dos Católicos a venerar São Pedro, no Vaticano. Francisco elogiou Tawadros e falou no “Ecumenismo do sofrimento”, uma realidade cada vez mais presente no Médio Oriente.

A polícia turca diz ter frustrado um plano para assassinar o Patriarca de Constantinopla. O homicídio serviria para comemorar a ocupação islâmica daquela cidade, hoje chamada Istambul.

Domingo é dia das Comunicações Sociais, a Igreja está cada vez mais presente nas redes sociais, mas é um processo de aprendizagem que tem altos e baixos. Por exemplo, os bispos dizem todos que é muito importante estar nas redes sociais, mas em Portugal só dois dão o exemplo.

Amanhã o Paquistão vai a votos. Mas quatro milhões de pessoas só podem votar se renegarem oficialmente a fé… viva a democracia!

Durante a próxima semana vou estar fora e por isso não vai haver mails.

Quinta-feira, 9 de Maio de 2013

Três Papas no Vaticano...

É uma daquelas pessoas a quem faz impressão ver dois papas no Vaticano? Então saiba que a partir de hoje estão lá três… Mas não se preocupe, um deles é o Papa Tawadros, da Igreja Copta Ortodoxa.

Como se não bastasse o recorde de “papas no Vaticano ao mesmo tempo”, no Domingo o Papa Francisco vai-se tornar também um recordista de canonizações. Com mais de 800 de uma assentada, ultrapassa em larga escala o Papa João Paulo II.



Não fazem eles, faço eu: Não deixem de passar pelo blogue do Actualidade Religiosa, onde podem ler um artigo do The Catholic Thing sobre os padres enquanto “Ungidos de Deus”, visitem o grupo no Facebook, que hoje ultrapassou as 1300 pessoas e já conta com dois novos administradores, e se estiverem no Twitter, sigam-me para estarem a par das mais recentes novidades!

E por fim, se vivem na área da grande Lisboa marquem o dia 18 de Maio na agenda e peçam convites para ir à festa do Ponto de Apoio à Vida, uma organização que ajuda, no terreno, as mulheres a escolher a vida e que bem merece as “25 vidas” que custa o convite. A festa promete, nem que seja porque eu vou lá estar e, se me pedirem discretamente, dou autógrafos.

Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

Das directas e dos ungidos de Deus

Clicar para aumentar
O Papa reuniu-se hoje com superioras gerais de ordens religiosas e sublinhou o aspecto maternal da sua vocação, bem como a ideia de obediência e de autoridade.






E por fim, atenção jovens de Braga… quem quiser fazer uma directa com Deus, é só clicar na imagem para saberem como se podem inscrever!

O Papa Francisco e os “Ungidos de Deus”

Padre Bevil Bramwell, OMI
Acontece tanta coisa durante um ano litúrgico que muitos eventos importantes passam sem sequer darmos por eles. Um acontecimento bastante importante – ao qual quase ninguém deu importância na altura – foi quando o Papa Francisco falou especificamente ao clero, mesmo antes da Páscoa, sobre o sacerdócio, durante a sua homilia na missa crismal, em São Pedro. Vale a pena olhar de perto para as suas palavras.

Na missa crismal o bispo benze os óleos que serão usados durante o ano para os baptismos, crismas, unção dos doentes e ordenações. A graça desses sacramentos preserva e ajuda a desenvolver a Igreja pela qual ele é responsável.

Em Roma, o Papa Francisco disse: “As Leituras e o Salmo falam-nos dos «Ungidos»: o Servo de Javé referido por Isaías, o rei David e Jesus nosso Senhor. Nos três, aparece um dado comum: a unção recebida destina-se ao povo fiel de Deus, de quem são servidores; a sua unção «é para» os pobres, os presos, os oprimidos”.

Ele não disse que era para os “católicos pobres”, etc. Há muito que a Igreja atende a, e defende, os pobres e oprimidos de qualquer comunidade em que está presente.

A expressão usada pelo Papa recorda as palavras amargas usadas pelo último imperador pagão de Roma, Juliano, o Apóstata: “Enquanto os sacerdotes pagãos ignoram os pobres, os odiosos galileus [i.e., cristãos] dedicam-se a obras de caridade e, ao exibir esta falsa compaixão estabeleceram e efectivaram os seus erros perigosos. Esta prática é comum entre eles e conduz ao desprezo pelos nossos deuses”. (Epístola aos sumos sacerdotes pagãos)

Claro que os “Deuses” de Juliano não existiam. E numa cultura que os promovia, actos de verdadeira caridade mostravam até que ponto esses “deuses” eram de facto nada mais que imaginação. Não devemos encarar isto com leveza, tendo em conta que os dois falsos deuses, criados da imaginação moderna – o nazismo e o marxismo – assassinaram dezenas de milhões de pessoas no século XX e a contagem do extremismo liberal em assuntos como o aborto na nossa própria sociedade é grande e continua a crescer.

O Papa estabelece uma ligação entre a unção e os actos dos ungidos, os padres. Originalmente: “Também no peitoral [do sacerdote] estavam gravados os nomes das doze tribos de Israel (cf. Ex 28, 21). Isto significa que o sacerdote celebra levando sobre os ombros o povo que lhe está confiado e tendo os seus nomes gravados no coração. Quando envergamos a nossa casula humilde pode fazer-nos bem sentir sobre os ombros e no coração o peso e o rosto do nosso povo fiel, dos nossos santos e dos nossos mártires, que são tantos neste tempo”.

Psicológica e espiritualmente, estamos perante um homem de natureza diferente. Este padre que conscientemente “carrega” o seu povo quando se aproxima do altar do Senhor. A graça e o esforço moldaram a sua consciência para agir dessa forma. O padroeiro dos padres, São João Vianney, considerava-se responsável pelas falhas morais do seu povo.


Francisco usa repetidamente o termo “seu povo”. O padre não é um director executivo, mas o pastor do seu rebanho. O termo, retirado das escrituras, ainda tem peso. Não foi substituído por alternativas seculares e modernas.

Mais, o pastor tem um efeito sobre o seu rebanho:

“O bom sacerdote reconhece-se pelo modo como é ungido o seu povo; temos aqui uma prova clara. Nota-se quando o nosso povo é ungido com óleo da alegria; por exemplo, quando sai da Missa com o rosto de quem recebeu uma boa notícia. O nosso povo gosta do Evangelho quando é pregado com unção, quando o Evangelho que pregamos chega ao seu dia a dia, quando escorre como o óleo de Aarão até às bordas da realidade, quando ilumina as situações extremas, ‘as periferias’ onde o povo fiel está mais exposto à invasão daqueles que querem saquear a sua fé. “

Não estamos perante a boa nova da homilia de “duas piadas e um anúncio”, mas da verdadeira Boa Nova, com maiúsculas. Além disso, o Papa faz esta afirmação sabendo por experiência que a fé genuína é recebida com hostilidade.

A sua reflexão termina com um olhar sobre a paróquia:

“As pessoas agradecem-nos porque sentem que rezámos a partir das realidades da sua vida de todos os dias, as suas penas e alegrias, as suas angústias e esperanças. E, quando sentem que, através de nós, lhes chega o perfume do Ungido, de Cristo, animam-se a confiar-nos tudo o que elas querem que chegue ao Senhor: ‘Reze por mim, padre, porque tenho este problema’, ‘abençoe-me, padre’, ‘reze para mim’… Estas confidências são o sinal de que a unção chegou à orla do manto, porque é transformada em súplica – súplica do Povo de Deus.”

A visão que o Papa tem de uma verdadeira paróquia é sumamente interpessoal e verdadeiramente comunal (a “comunidade”, infelizmente é um conceito que foi esvaziado de verdadeiro sentido nos Estados Unidos). Ele enfatizou o aspecto interpessoal de forma negativa também, falando do padre que “não colocando em jogo a pele e o próprio coração, não recebem aquele agradecimento carinhoso que nasce do coração”.

Este é um Papa que tem uma forma bastante terra-a-terra, mas solidamente teológica, de comunicar a fé. E ainda agora começou.


(Publicado pela primeira vez no Domingo, 5 de Maio 2013 em The Catholic Thing)

Bevil Brawwell é sacerdote dos Oblatos de Maria Imaculada e professor de Teologia na Catholic Distance University. Recebeu um doutoramento de Boston College e trabalha no campo da Eclesiologia.

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Segunda-feira, 6 de Maio de 2013

O'Malley nos Açores, Ameal em Seoul

PSY reconhece superioridade de Thereza Ameal
Este fim-de-semana estive nos Açores para cobrir as festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres e entrevistar o Cardeal Sean O’Malley.


Como sempre pode ler a transcrição integral aqui. A conversa decorreu toda em português.

As festas em si foram marcadas, infelizmente, pela greve da Sata, que deixou milhares de emigrantes apeados. Mas dos que conseguiram voltar à terra Natal para as festas todos concordam que nada se compara ao original.

Entretanto o Papa também falou dos abusos na Igreja, este fim-de-semana, pedindo coragem na defesa das crianças. Dirigiu ainda umas palavras às mães, por ter sido dia da Mãe em muitos países.