quarta-feira, 29 de Outubro de 2014

Especialist em terapia familiar em Portugal

Médica a tratar doente com ébola
O Papa Francisco falou esta quarta-feira da luta contra o ébola e mostrou-se próximo de todas as pessoas que lutam contra esta doença.

Entretanto continuamos atentos ao que se passa na Síria e no Iraque, onde o Estado Islâmico continua a lançar o terror. O último ataque fez 30 mortos, mas há dados positivos, com reforços a chegar finalmente a Kobani para socorrer os curdos.

A notícia de o Papa ter “aceite” a teoria do Big Bang, esta semana, causou alguma surpresa nos media e entre comentadores, apesar de a teoria ter sido desenvolvida por um padre católico e a Igreja estar em paz com essa e outras teorias científicas, como da evolução, há décadas. Ainda assim, há quem insista em dizer que a teoria da evolução e a religião são incompatíveis… David G. Bonagura mostra porque não é assim, neste excelente artigo que vale bem a pena ler.

Aproveito para lançar um desafio a todos. Está cá em Portugal o Dr. Peter Damgaard Hansen, psicólogo, terapeuta da família, especialista na Teologia do Corpo. Vem dar uma série de conferências sobre “Os quês e os porquês das relações humanas”, que recomendo vivamente.

Hoje conversei com ele, uma entrevista que estará disponível esta semana, mas estou a falar do assunto agora para marcarem nas vossas agendas as conferências e tentarem ir, se possível.

Assim, quinta-feira de manhã, no Seminário dos Olivais, ele fala exclusivamente a padres, das 10h às 15h30, com enfoque no trabalho com casais. Uma vez que tantos padres têm responsabilidades nestas áreas, não deixem de ir, se puderem.

Amanhã à noite fala das 17h às 20h a agentes da Pastoral da Família, no Instituto Diocesano de Formação Cristã, Rua Camilo Castelo Branco, nº 4, Lisboa.

No sábado haverá outro workshop destinado a profissionais da área, das 10 – 18h, no Auditório Orlando Ribeiro, em Telheiras e, por fim, uma sessão aberta a todos, das 21h30 – 23h, na segunda-feira dia 3 de Novembro, no auditório de São João de Deus.

Há mais informações na página da APSIC. Divulguem e apareçam. Não nos podemos apenas lamentar da crise das famílias e do casamento sem fazer nada para a contrariar.

A Evolução e a Fé são Irreconciliáveis?

Por David G. Bonagura Jr.
“A verdade não pode contradizer a verdade”. Assim ensinou o Papa Leão XIII e é por essa perspectiva que a Igreja Católica aborda a ciência e a revelação de Deus. Não existe uma única verdade científica que contradiga a palavra de Deus. Se as coisas do mundo natural foram criadas por um Deus omnipotente e reflectem a sua presença, então devem estar de acordo com aquilo que Deus revelou de si mesmo e do Universo, através da sagrada tradição e das sagradas Escrituras.

Às vezes as novas descobertas científicas parecem desafiar a nossa compreensão religiosa do mundo, como quando aprendemos que é o Sol e não a Terra que se encontra no centro do sistema solar. Mas este facto não só não afecta a centralidade do ser humano na criação de Deus (o dogma que supostamente era posto em causa na altura), como acrescenta uma nova perspectiva sobre outra verdade da revelação: que Cristo, representado na iconografia primitiva como o sol, é o verdadeiro centro e fonte de vida da criação e das nossas vidas.

Não há, por isso, qualquer razão para afirmar – como fez um biólogo recentemente no New York Times – que a ciência e a religião são irreconciliáveis. Nem nos devemos contentar em dizer que a ciência e a religião se resumem a “magistérios não coincidentes” que dizem respeito, respectivamente, a factos e a valores. Pelo contrário, os “factos” da ciência são a fundação racional sobre a qual assentam a revelação sobrenatural e os seus “valores”. Claro que a ciência e a fé têm objectos diferentes, que têm em consideração as suas diferenças inerentes mas, com o São João Paulo II, sabemos que não existe “razão para qualquer concorrência entre razão e fé: cada um contém o outro e cada um tem o seu campo de acção”.

Mais do que qualquer outra teoria científica contemporânea, a evolução constitui um feroz ataque à compreensão judaico-cristã da origem da humanidade. Desde os autocolantes nos carros que mostram um peixe, símbolo do Cristianismo, com pernas (às vezes com a legenda “Darwin”) ao recente artigo no Times que tenta explicar porque é que a fé e a teoria da evolução são incompatíveis, certo defensores da evolução têm afirmado publicamente que a sua versão da génese da humanidade é correcta e que o Genesis não passa de uma história parva.  

É fundamental para a Igreja enfrentar os desafios da teoria da evolução e das origens da humanidade, uma vez que ela ensina de forma infalível que os seres humanos são feitos à imagem e semelhança de Deus, que dotou cada um de uma alma imortal. (A Igreja nunca ensinou como é que isto se passou, uma vez que isso nunca nos foi revelado). Algumas teorias da evolução (existem muitas variações) contradizem esta verdade, afirmando que a existência da humanidade é um acidente material resultante de mutações genéticas e não de intervenção divina. Tais teorias devem ser consideradas incompletas, uma vez que excluem Deus do processo de criação.

Num famoso discurso, São João Paulo descreveu a teoria da evolução como “mais do que uma hipótese”, embora tenha usado o mesmo discurso para apontar os problemas com certas abordagens filosóficas da teoria. Mas deixemos de lado os méritos da teoria da evolução em si. O biólogo do Times dá aos seus leitores três razões pelas quais a teoria da evolução exige que se abandone a fé judaico-cristã na criação. Estas razões, que dizem mais respeito a conclusões humanas do que à ciência, podem ser desmontadas dentro do âmbito científico.

Pe. George Lemaitre, autor da
teoria do Big Bang
Em primeiro lugar, o autor argumenta que “um processo inteiramente natural e espontâneo, nomeadamente a variação aleatória e a selecção natural” explica a complexidade de organismos que aparentemente requerem um autor inteligente e sobrenatural. Mesmo que tomemos como boa essa afirmação, este “fenómeno inteiramente mecânico e estatisticamente poderoso”, apenas exclui a criação Deus ex machina defendida por certas leituras fundamentalistas e equivocadas da Bíblia. Este método não exclui a criação física por Deus através da causalidade secundária, o modus operandi normal de Deus no mundo. Quanto à suposta aleatoriedade, São João Paulo ensina-nos que aos olhos de Deus não há coincidências.

Em segundo lugar, o autor aponta para as ligações filogenéticas entre diferentes espécies. Mas este facto também não faz nada para excluir Deus do processo da criação. Na melhor das hipóteses a diferença extraordinária que existe entre os seres humanos e outros primatas com uma estrutura de ADN semelhante (alguma vez se viu um chimpanzé a debater as suas origens?) aponta para a existência de uma alma humana infundida nos humanos por Deus. Esta é a grande diferença entre homens e bestas. O autor tem razão num ponto, porém: “Nenhum traço literalmente sobrenatural foi alguma vez encontrado no Homo sapiens”. A biologia evolutiva, por si, não é capaz de medir a alma imaterial, que é produto de Deus e não da criação material.

Por fim, o problema do mal é colocado de uma perspectiva evolutiva: a predação, a doença e a morte mostram que os humanos “são produzidos por um processo natural e totalmente amoral, sem qualquer indicação da existência de um criador controlador e benevolente”. Mas o esforço levado a cabo pelos homens – em todos os tempos e em todas as culturas e religiões – para encontrar sentido no sofrimento e atribuir códigos morais à procriação, mostram que há muito a dizer sobre estes animais racionais do que meramente a sua natureza animal. Os biólogos têm tentado encontrar um “gene moral”, mas o sentido e a moralidade transcendem os limites daquilo que qualquer outro animal pode fazer. É estranho que uma espécie supostamente gerada pelo acaso, sem qualquer sentido, tenha esta vontade inata tão intensa de encontrar sentido em todas as coisas.

Pedimos desculpa ao nosso professor de biologia, mas os seus alunos e leitores não precisam de abandonar a sua fé judaico-cristã à luz da teoria da evolução. Pelo menos em termos das três críticas que ele propõe, não há nada na dimensão científica da evolução que exclua o papel de Deus na criação dos humanos e na infusão das suas almas. Pelo contrário, talvez o professor é que precisa de reavaliar a sua fé na evolução, interpretada a uma luz intencionalmente ateia. 


David G. Bonagura, Jr. é professor assistente de Teologia no Seminário da Imaculada Conceição, em Huntington, Nova Iorque.

(Publicado pela primeira vez na Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014 no The Catholic Thing)

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terça-feira, 28 de Outubro de 2014

Terra, Tecto e Trabalho!

Lutando pelos direitos das mulheres em todo o mundo...
Lembram-se de Narin Afrin? É a mulher que comanda as tropas que defendem Kobani do Estado Islâmico. Pois bem, ela escreveu um artigo de opinião para o New York Times no qual critica a Turquia e afirma que neste momento os curdos combatem pelos direitos das mulheres em todo o mundo.

Porque é que critica a Turquia? Bom, sei lá, talvez por coisas como esta.

O Papa falou hoje a membros do Encontro Mundial dos Movimentos Populares e disse que os direitos à Terra, ao Trabalho e à Habitação são sagrados e que as bem-aventuranças são um “guia revolucionário”. A meio do discurso gracejou que quando fala destas coisas vem sempre alguém dizer que é comunista.

Asia Bibi, a paquistanesa condenada à morte por blasfémia no Paquistão, escreveu uma carta ao Papa, a pedir-lhe as suas orações mas mostrando-se confiante no “plano de Deus” para ela.

Cuba vai ter uma nova Igreja, a primeira em mais de 55 anos.

Os bravos combatentes do Boko Haram voltaram a fazer aquilo que fazem melhor, raptar meninas adolescentes.

E a minha colega Rosário Silva foi à procura dos tesouros da diocese de Évora, que partilha connosco aqui.

segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

O "grande Papa" e o "Big Bang"

O Papa recebeu este fim-de-semana representantes do movimento de Schoenstatt, a quem disse que a família e o casamento nunca têm sido atacados como agora.

O Patriarca D. Manuel Clemente também está preocupado com a família e também falou do assunto, durante o lançamento da caminhada sinodal do Patriarcado de Lisboa.

Esta segunda-feira o Papa Francisco voltou a falar. De manhã descerrou um busto de Bento XVI, a quem chamou “um grande Papa” e depois recebeu a Academia Pontifícia das Ciências, a quem disse que o “Big Bang” não era obra do acaso.

Os europeus ocidentais podem ter-se esquecido deles, mas ainda há quem esteja disposto a morrer pelos valores europeus. É isso que diz o Patriarca da Igreja Greco-Católica da Ucrânia, que também revela coisas interessantes sobre o sínodo da Família, no qual participou.

Passa a Palavra! A tua primeira Bíblia” é a nova obra de Maria Teresa Maia Gonzalez, para ter debaixo de olho, sobretudo para quem tem filhos.

Se participou na Caminhada Pela Vida, ou se não participou e gostaria de ter participado, não deixe de responder a este inquérito para ver se para o ano tudo corre ainda melhor. Não se esqueçam que a data já está marcada! 3 de Outubro.

E para quem tem filhos e se interessa por estes assuntos, não percam uma interessante conferência, que terá lugar na sexta-feira, sobre: “A Internet e a Família”, que conta com o autor do recente livro: “A exploração sexual das crianças no ciberespaço”. Ver convite na imagem.

sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Motards v. Estado Islâmico

A outra faceta dos motards
Se pensa que já viu tudo na guerra contra o Estado Islâmico, apresento-lhe os motards do No Surrender e do Median Empire que foram lutar ao lado dos curdos. Pronto, agora já viu tudo… por enquanto.

Enquanto as coisas vão de mal a pior para os cristãos no Iraque e na Síria, no Egipto vão de mal a menos mal, o que já é qualquer coisa.

O Papa emérito Bento XVI “falou” novamente em público. Ou melhor, escreveu um discurso que foi lido por outro, mas que vale a pena conhecer.

Entretanto a Sé de Leiria foi classificada como monumento nacional. Neste momento só falta Beja, por razões burocráticas que, tanto quanto sei, estão em processo de resolução.

Decorre no Minho, por estes dias, o congresso da Associação de Imprensa de Inspiração Cristã. A crise não deixou de afectar estes órgãos de comunicação social, mas há novas possibilidades de financiamento.

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Reflexões sobre o regresso dos radicais

Orgulhosamente canadiano!
O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, diz que alguns dos portugueses que estão nas fileiras do Estado Islâmico querem voltar a Portugal.

Se isso acontecer é possível que incorram em acusações legais, mas certamente terão de ser alvos de vigilância e acompanhamento psicológico, alerta Cristina Sá Carvalho.

O imã David Munir, por sua vez, diz que a comunidade não lhes virará as costas e dará apoio espiritual se for solicitado, tentando explicar que o que fizeram não é islâmico, mas confessa que não existe formação na comunidade para lidar com situações de radicalização.


Entretanto está neste momento em curso uma gigantesca operação policial para capturar atiradores na capital do Canadá que esta tarde mataram um soldado. Não há certezas quanto à motivação, mas anteontem dois soldados foram atropelados por um muçulmano radicalizado, por isso tudo indica que se trata de mais um acto de terrorismo.

Mudando de assunto, o Patriarca de Lisboa falou ontem sobre o sínodo, elogiando o ineditismo daquele encontro dos bispos.

E numa altura em que o mundo parece estar de pernas para o ar (atentados terroristas no Canadá?!?!?!), temos Anthony Esolen, do The Catholic Thing, para nos dar alguns traços de sanidade. O que é a sanidade?  Adaequatio mentis ad rem: A adequação do intelecto à realidade.

Sanidade em Tempos de Loucura

Anthony Esolen
No curto mas assinalável tratado, The Christian Idea of Man, Joseph Pieper explica porque é que a prudência é a maior das virtudes, aquela que está na origem de todas as outras. O seu raciocínio é claro: “O bem pressupõe a verdade, a verdade pressupõe o ser”. Logo, “a realização do bem pressupõe o conhecimento da realidade”, pois, “quem não sabe como as coisas verdadeiramente são, não pode fazer o bem; pois o bem está em concordância com a realidade”.

Pieper esclarece que não está a falar das ciências empíricas, mas do “contacto verdadeiro com a realidade objectiva”, especialmente a mediada pela audição. Pois o homem prudente anseia por conhecer a partir do “conhecimento genuíno da realidade de que beneficia a mente superior”, incluindo a mente de Deus, como revelada nas Escrituras.

Por isso o homem prudente “olha primeiro para a realidade; e em virtude de, e com base nesse conhecimento da realidade, decide o que deve ser feito e o que não deve ser feito, como deve ser feito e como não deve ser feito”. Logo, “toda a virtude depende da prudência”, e cada pecado é uma violação da prudência.

A prudência é a sanidade em acção, e a sanidade, como nos ensinam na escola, é a adaequatio mentis ad rem: A adequação do intelecto à realidade.

Conheço uma mulher que tem pavor de pássaros, por mais pequenos e inofensivos. Ela sabe que o pardal não a vai magoar, e por isso compreende que o seu medo é injustificado e procura adequar as suas acções à realidade. Seria melhor se conseguisse deliciar-se com a beleza destas simpáticas criaturas, mas pelo menos colocou-se no caminho da sanidade.

Conheço outra pessoa que finge não temer o Senhor, embora passe a vida a murmurar e a esquivar-se na sua pose de ateísmo. Seria melhor se temesse, porque devemos temer o Senhor; e as murmurações e o esquivar são recordações teimosas do que lhe resta da sanidade.

O oposto desta adequação é o abraço voluntário da irrealidade. Podemos chamá-lo coercio rei ad phanstasiam: coacção da realidade para concordar com as suas fantasias. Estes dias as fantasias tendem a ter a ver com sexo.

Devia ser mais fácil enlouquecer devido a abstracções do que realidades que são imediatamente perceptíveis. Devia ser mais fácil ficar confuso acerca do patriotismo, do que o facto de se ser rapaz ou rapariga. Devia ser mais fácil desviar-se do caminho certo quando se está a tentar perceber o que é o dinheiro, do que quando se tenta perceber o que é um bebé.

A profundidade da nossa loucura pode ser avaliada de acordo com isto. É uma loucura o Walter Mitty pensar que é um líder de nações; mas para confirmar que não é precisa de consultar a sua mente, o seu coração e o seu percurso de vida. É loucura em cima de loucura acreditar que é Napoleão, para isso apenas tem de consultar a certidão de nascimento.

Imaginemos então que estamos perante um rapaz. Chamemos-lhe Jim. Jim é um rapaz. Não há dúvidas sobre isso. Não é por alguns nascerem hermafroditas que podemos duvidar da masculinidade do Jim.

Salvo acidente ou doença, em breve o Jim será mais forte, mais rápido e mais ágil que a sua mãe. Pouco depois disso será também mais alto do que ela. As suas mãos e os seus pés serão maiores que os dela. A sua voz mais profunda. O seu sistema adrenérgico será mais rápido. Os seus músculos e ossos mais grossos. Tudo isto são factos. Vemo-los todos os dias.
 
Não stresses Jim, a coisa melhora!
Carregará no seu seio as sementes de crianças. Isto é um facto. Tornar-se-á um pai in potentia. Se os seus pais e professores forem sãos, educá-lo-ão, dia após dia, de forma a adequar a sua mente à realidade do seu corpo. Muito antes de ter a forma de um homem será encorajado a adoptar os hábitos de um homem.

Para perceber como isto funciona, coloquemos o Jim numa quinta. Qualquer dia ele terá de fazer o grosso do gradar e do lavrar, semear e colher. Terá de lidar com maquinaria pesada e animais domésticos de grande porte. Por isso preparamo-lo já para essas realidades. Conduzimo-lo, em mente e em hábito, ao lugar para onde caminha o seu corpo.

O mesmo se aplica à sua paternidade. Jim é um rapaz. Os rapazes casam-se com raparigas e tornam-se pais. Estas são realidades. Por isso treinamo-lo já para a paternidade. Por vezes fala-se do assunto, mas na maioria das vezes mostramos essa realidade em acção. Não se trata tanto de determinação severa, tem a ver com amar o rapaz e conduzi-lo à maturidade. Torna-se a maturidade uma coisa natural.

Uma vez que o Jim carrega com ele as sementes de crianças humanas, e não de cães ou gatos, todos os dias abrimos-lhe os olhos para a realidade do casamento. Um cão tem vida, mas não tem história. Um gato enrola-se ao sol e aí se encontra a sua única aproximação à eternidade. Mas o ser humano coloca o seu olhar nos próprios limites do universo, e mais além.

Uma criatura destas requer pais que a amem, que voltem os seus olhares para os limites da vida e mais além. Este é um facto.

Quando chegar a altura de Jim conhecer estas coisas, os seus pais ensinar-lhe-ão a realidade: que tem dentro dele o potencial da paternidade e que foi criado para um amor que só dá, nunca se retrai. Isto não é fantasia. A vida será dura, as pessoas são pecadoras, mas a palavra de um homem é a sua obrigação.

A alternativa é a loucura, aquilo que Pieper define como ideologia: “Uma percepção não objectiva da realidade, ditada pela vontade”. Trata-se de obrigar o mundo a obedecer aos ditames da vontade. É povoar o mundo de Napoleões.


Anthony Esolen é tradutor, autor e professor no Providence College. Os seus mais recentes livros são:  Reflections on the Christian Life: How Our Story Is God’s Story e Ten Ways to Destroy the Imagination of Your Child.

(Publicado pela primeira vez na Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014 em The Catholic Thing)

© 2014 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

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