quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Islão e Democracia

Num artigo do ano passado falei de “apóstatas” do Islão como Nonie Darwish, que afirmavam que a democracia, no sentido ocidental do termo, é uma impossibilidade em países de maioria islâmica, porque as leis da “sharia” devem sempre ter precedência sobre as outras. Os golpes de Estado e as ditaduras podem trazer períodos mais calmos, como aconteceu sobretudo na Turquia, mas há sempre uma corrente forte de insatisfação entre muçulmanos observantes para com estadistas relativamente “seculares” como Kemal Ataturk, Hosni Mubarak no Egipto, Zine el Abidine Ben Ali da Tunisia e Moammar Gaddafi na Líbia.

Existe uma analogia no Cristianismo para esta “primazia da Sharia” islâmica, que tem as suas raízes na resposta que Pedro dá às autoridades que lhe ordenaram a deixar de pregar Cristo: “Importa mais obedecer a Deus do que aos homens” (Actos 5, 29). Este padrão é recorrente ao longo da história do Cristianismo – cristãos que se recusam a adorar deuses pagãos; cristãos executados por se recusar a dizer “Não há outro Deus que não Alá e Maomé é o seu profeta”; pacifistas cristãos a recusarem-se a ir para a guerra e, actualmente, várias entidades cristãs a resistir ao mandato da administração Obama que os visa obrigar a fornecer seguros de saúde aos seus funcionários que cubram contraceptivos, esterilizações e serviços abortivos.

De forma semelhante, “seguir a sharia”, para muçulmanos observantes, diz respeito a “obedecer a Deus mais do que aos homens”. Mas o significado é muito diferente. Ignora as normas que se têm desenvolvido na civilização cristã sobre escravatura, direitos de mulheres e de crianças e a liberdade religiosa. Quando os muçulmanos estão no poder, sharia implica a subordinação de judeus e cristãos e outros infiéis; o direito à escravatura sexual e a crianças-noiva; estatuto legal mínimo para infiéis e para mulheres (incluindo mulheres muçulmanas); a proibição de igrejas cristãs e até de símbolos cristãos como crucifixos; e a proibição, incluindo pena de morte, para a apostasia do Islão ou até para críticas ao Islão e a Maomé.

As leis da Sharia até encorajam aquilo que Jesus profetizou: “Sereis expulsos das sinagogas; há-de chegar mesmo a hora em que quem vos matar julgará que presta um serviço a Deus!” (Jo. 16,2). Cristãos que recusam converter-se são mortos em nome de Alá, frequentemente ao som de “Allahu Akbar”. O Sheikh Abu Ishaq al-Huwaini, um pregador salafista no Egipto, não tem qualquer pejo em afirmar: “Se alguém impedir o nosso dawa [convite à conversão] ou se colocar no nosso caminho, então devemos matá-los, ou levá-los reféns e confiscar os seus bens, mulheres e crianças.”

Em “Crucified Again: Exposing Islam’s New War on Christians”, Raymond Ibrahim documenta a perseguição massiva de Cristãos, agora exacerbada devido à “Primavera Árabe”, que os media têm transmitido, de forma ingénua, como um arauto do advento iminente da democracia no Médio Oriente.

Há anos que Ibrahim se dedica a traduzir informação recolhida de fontes de língua árabe, transmitindo-os aos media americanos e de outros locais. As suas reportagens frequentemente não entram nos principais órgãos de informação nos Estados Unidos, a não ser que sejam demasiado espectaculares para ignorar, como o massacre de Outubro de 2010 numa Igreja de Bagdade em que morreram uns 58 cristãos. Contudo, em 2012, ele conseguiu, com base em relatos árabes, expor o facto de que Islamistas ligados à al-Qaeda estavam a ameaçar atacar embaixadas americanas a não ser que a América libertasse o “sheikh cego” e vários outros presos, três dias antes dos ataques à embaixada americana em Benghazi. 

Cristãos de luto por vítimas de massacre no Iraque
Uma reportagem da Reuters de 2012 estima que 100 milhões de cristãos sejam perseguidos em todo o mundo. Ibrahim documenta, com base em fontes árabes, incidentes de perseguição a cristãos em mais de trinta países:

Em todo o lado e sempre que os Muçulmanos estão no poder, ou conquistam mais poder, as Igrejas são proíbidas, queimadas, bombardeadas, enquanto Bíblias e crucifixos são confiscados e destruídos. A liberdade de expressão – falar de forma favorável sobre o Cristianismo ou de forma crítica em relação ao Islão – é negada, frequentemente sob pena de morte. 

De acordo com Ibrahim, a situação no Egipto tem-se tornado particularmente severa. Durante as eleições presidenciais, Mohammed Morsi deu uma ideia clara da sua agenda enquanto Presidente: “O Alcorão é a nossa constituição, o Profeta é o nosso líder, a jihad é o nosso caminho e a morte em nome de Alá é o nosso objectivo”. Raptos e massacres de cristãos em Maspero, Luxor e outros lados, nalguns casos filmados e transmitidos no YouTube, foram seguidos, nas últimas semanas, pela queima de pelo menos 44 igrejas e a pilhagem de vinte instituições cristãs no Egipto.

A revolta síria não tem sido muito melhor. Na cidade de Homs, que anteriormente tinha uma população de 80 mil, o último cristão foi morto em 2012. Ibrahim cita uma entrevista a rebeldes muçulmanos, de Dezembro de 2012, que deixou chocado o entrevistador Tim Marshall: 

Marshall perguntou aos quatro jihadistas sobre o future das minorias cristãs na Síria e Ahmed, Basah e Hamid Hassan concordaram todos – os Cristãos apenas poderiam viver lá se se convertessem ou pagassem a “Jizyah” – um imposto especial cobrado a não muçulmanos nos tempos passados no Médio Oriente. Caso contrário, disse Bahar, podiam ser mortos. Quando ele lhes perguntou porquê a resposta foi simples: porque o Profeta Maomé assim ordenara. Depois convidaram-me a aderir ao Islão.

Episódios destes são frequentemente ignoradaos no Ocidente. Quando a mais alta autoridade religiosa na Arábia Saudita, Abdulaziz ibn Abdullah Al al-Sheikh, o grão mufti do Reino da Arábia Saudita, declarou que “é necessário destruir todas as Igrejas na Península Arábica”, os media ocidentais não acharam que isso merecesse ser relatado. Já a resposta da Casa Branca ao massacre de Maspero foi pedir “calma a todas as partes”.

A Comissão dos Estados Unidos para a Liberdade Religiosa Internacional recomendou a Hillary Cllinton que o Departamento de Estado colocasse o Egipto na lista de “países de preocupação particular” por causa do assassinato de cristãos e a conversão forçada de jovens cristãs raptadas, mas ela recusou. Entretanto a mais recente escolha para o Conselho dos Direitos Humanos da ONU é o Presidente Omar al-Bashir, famoso por matar milhões durante os seus esforços para impor a Sharia no Sudão.

O Ocidente pode não querer ver, mas esta história continua e está longe do fim.


Howard Kainz é professor emérito de Filosofia na Universidade de Marquette University. Os seus livros mais recentes incluem Natural Law: an Introduction and Reexamination(2004), The Philosophy of Human Nature (2008), e The Existence of God and the Faith-Instinct (2010)

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na Quinta-feira, 22 de Agosto de 2013)

© 2013 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Amar a Todos – e a Ninguém

James V. Schall S.J.
Certo dia o Joseph Wood perguntou-me porque é que eu gostava tanto do Samuel Johnson. No fundo, penso que quem o lê não pode se não gostar dele. Ao ver o Papa Francisco a relacionar-se com as pessoas surge-me uma questão que Johnson já abordou. O Papa, tal como muitos políticos, passa muito tempo a cumprimentar pessoas, a tocá-las, a fazê-las sentirem-se próximas. O Papa João Paulo II era um génio neste domínio. Para desespero dos polícias e dos que se encarregam da sua agenda, figuras como estas insistem em conversar com praticamente toda a gente.

É-nos pedido que amemos o nosso próximo como a nós mesmos. Mas sempre que o tentamos fazer damos de caras com o alerta aristoteliano de que “aquele que é amigo de todos não é amigo de ninguém”. É por esta razão, entre outras, que suspeitamos que os papas e os políticos são pessoas bastante solitárias. Cada vez mais ouvimos dizer que o Presidente, tão dado no palco, parece não ter amigos. Diz-se que os reis não têm amigos que não outros reis.

Este assunto é abordado numa transcrição feita por Boswell, a 15 de Abril de 1778, de uma conversa entre Johnson e uma quaker chamada Srª Knowles, por quem Johnson parece ter-se deixado encantar. Um tal Soame Jenyns tinha escrito um livro “View of the Internal Evidence of the Christian Religion”, no qual afirmava que “a amizade não é uma virtude cristã”, uma posição a que a Srª Knowles se opunha com vigor.

Mas Johnson concordava com Jenyns: “Minha senhora, em bom rigor, ele tem razão. Toda a amizade é a preferência pelos interesses de um amigo, negligenciando, se não mesmo opondo-se aos interesses de outros…. O Cristianismo recomenda benevolência universal, que consideremos todos os homens como nossos irmãos, o que é contrário à virtude da amizade.” De seguida Johnson recorda o nome classicamente atribuído aos Quakers e diz: “Certamente, Senhora, a sua seita deve aprovar isto, pois chamam a todos os homens ‘amigos’”.

A Srª Knowles responde a Johnson que somos “ordenados” a chamar a todos os homens amigos, sobretudo os que partilham a mesma fé. Johnson replica que esta definição é muito abrangente, pelo que tal amizade deve ser uma coisa muito difusa. A isto a Srª Knowles observa que Cristo tinha doze apóstolos, mas amava um mais que os outros. Johnson responde: “Com um brilho benigno nos olhos, ‘muito bem, é verdade, senhora. Disse muito bem’”.
 
Mary Knowles
Esta passagem faz-me sempre pensar no curioso impacto que a revelação cristã tem nas relações humanas. Aristóteles conhecia os diferentes tipos de amizade – de utilidade, de prazer e aqueles baseados na mais alta forma de virtude. Devemos considerar-nos afortunados se, no decurso de uma vida, conseguirmos ter um ou dois bons amigos. Sabemos que leva toda uma vida a conhecer bem uma pessoa. O Cristianismo nega-o? Como a Srª Knowles deixa implícito, os Cristãos querem o melhor dos dois mundos, amar a todos como amigos, mas manter a intimidade de um grupo mais restrito. Isto significa que devemos ser claros.

Faz algum sentido pensar que possamos ser amigos de toda a gente, ou sequer de todas as pessoas que partilham a nossa fé? Muitos dos problemas que esta questão levanta já foram vistas por Platão. Em “A República” ele propõe destruir a família porque as suas relações internas são exclusivas, tendem a separar toda a gente em pequenos grupos.

Mas a separação de pessoas em pequenos grupos é a própria essência da mais alta forma de amizade em que vivemos juntos em vida e em conversa. Platão também queria que todos fossem amigos, foi precisamente neste ponto que chegou Aristóteles para avisar dos perigos de pensar que todos possam ser amigos neste mundo. Platão e o Cristianismo tinham o mesmo objectivo: que todos sejam amigos.

Diz-se que no Paraíso nem se casam nem serão dados em casamento, sendo este o exemplo mais óbvio e exclusivo de amizade permanente. Isto significa que não há amizades maritais no Céu? Significa que não há procriação quando for atingido o número de eleitos. Mas estaria Johnson correcto nas suas afirmações iniciais sobre o Cristianismo? Isto pulveriza os elos de amizade? Este desejo que vemos  nos papas de querer conhecer e cumprimentar toda a gente, a incentivar-nos a sermos amigos de todos, é uma ilusão?

O Cristianismo ensina que qualquer pessoa pode ser nossa amiga, não apenas os da nossa cidade ou da nossa religião. Depois, há a pequena questão de amar os nossos inimigos e aqueles que nos odeiam. Mas ninguém nos pede que sejamos ingénuos. O Cristianismo não revoga Aristóteles. O que faz é pedir-nos que encontremos algo a amar em cada pessoa, a reconhecer que todos somos amados por Deus. Toda a nossa vida é apenas uma introdução, uma antevisão daquela vida eterna em que, finalmente, teremos a presença permanente para conhecer e amar aqueles que respondem ao chamamento que Deus faz a todos para que se aproximem dele.


James V. Schall, S.J., é professor na Universidade de Georgetown e um dos autores católicos mais prolíficos da América. O seu mais recente livro chama-se The Mind That Is Catholic.

(Publicado pela primeira vez na Terça-feira, 20 de Agosto 2013 em The Catholic Thing)

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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Nada de Milagres

Anthony Esolen
O excerto que se segue é de Anne Roche Muggeridge, num estilo irónico, digno do seu sogro Malcolm:

O que é que, na verdade, deve fazer o cristão moderno, crítico e maturo, quando reúne os seus filhos para celebrar o Natal? Deve juntar os pequenos de volta do presépio e ler Raymond Brown [biblista da escola histórico-crítica] em vez de São Lucas a falar da concepção virginal de Jesus?: “Concluindo, o meu juízo é de que a totalidade das provas cientificamente controláveis deixam a questão em aberto”. Como os seus olhos brilharão e os seus pequenos corações arderão no seu peito enquanto ouvem essas palavras! Quão comovidos ficarão quando a criança mais pequena colocar, reverentemente, um ponto de interrogação na manjedoura vazia.

Quando estamos de caras com um milagre, aquilo que é “cientificamente controlável”, por definição não entra em cena. O Raymond Brown é suficientemente inteligente para o perceber, mas gosta de jogar nos dois campos, aparecendo para o Natal, mas piscando o olho aos illuminati. Ou devemos acreditar que o Deus que criou o universo é incapaz de frutificar um óvulo no seio de uma mulher?

Este é mais um exemplo da mitologização dos desmitologistas. Acreditar no nascimento virginal de Jesus e na criação divina do mundo é coerente. Não acreditar nem num nem noutro também. Mas acreditar no primeiro e dizer que o segundo é impossível é que não é coerente.

Isso seria transformar Deus numa coisa imaginária: Um Deus suficientemente potente para criar um universo, mas que é incapaz de fazer maravilhas dentro desse mesmo universo. Tal completada. Um Apollo que não é bem de fora do mundo, nem bem presente em todo o mundo; um Deus comprovado nem pela Escritura, os ensinamentos da Igreja ou as conclusões do raciocínio metafísico. Uma fantasia dos académicos.

Quando eu era novo, passei um Verão numa casa de Operários Católicos, onde conheci um noviço jesuíta que tinha sido enviado para trabalhar lá como parte da sua formação pastoral. Foi dele que ouvi pela primeira vez o Mito dos Farnéis Escondidos.

O Mito dos Farnéis Escondidos é um bom exemplo da mitologização moderna. A maioria dos meus leitores não deve conhecer. Quando Jesus e os seus apóstolos estavam com as multidões no deserto e caiu a noite e o povo não tinha que comer, Ele instruiu os seus discípulos a distribuir uns poucos pães e peixes e shazzam! De repente aquelas pessoas, envergonhadas, tiraram os seus Farnéis Escondidos e comeram abertamente, e até partilharam a sua comida uns com os outros, e os restos chegaram para encher 12 cestos, e toda a gente se divertiu.

 “Ora bem”, diz o modernista, com o braço à volta do seu ombro, a sua voz cheia de sinceridade, “não será esse o verdadeiro milagre nesta cena? Que as pessoas tenham aberto os corações? Que me dizes? Tu és inteligente, és subtil, não compras esta banha da cobra, sabes onde está a verdade!”

Vamos lá então examinar de perto aquilo que o Mito dos Farnéis Escondidos pede que acreditemos:

Devemos acreditar que não tenha ocorrido aos discípulos de Jesus, que tinham passado meses a viajar com ele sobre estradas difíceis em campo aberto, que talvez as pessoas tivessem pensado em trazer comida consigo se tivessem a pensar estar longe das suas casas durante um ou mais dias.

Devemos acreditar que pessoas que tinham de pensar todos os dias sobre o que é que iam comer não tivessem pensado nisso desta vez, quando o texto nos diz que era nisso que os discípulos estavam a pensar, porque as multidões tinham seguido Jesus no calor do momento, por assim dizer, e os discípulos sabiam que não havia nada para eles comerem.
 
Somos todos tão fixes e tão modernos!
É suposto acreditarmos que os discípulos não teriam feito o mais óbvio, perguntando às pessoas na multidão se havia comida.

Devemos acreditar que as pessoas esfomeadas não teriam, por sua livre iniciativa, retirado a comida que tinham consigo, se é que tinham, e começado a comer.

Devemos acreditar que, numa sociedade em que a primeira das virtudes era a hospitalidade, todas as pessoas estavam a esconder pães e peixes por dentro das suas capas, como o Tio Patinhas agarrado às suas moedas, algo que nem nós, no auge do nosso egoísmo, faríamos.

Devemos acreditar que os apóstolos eram completamente estúpidos no que toca a questões em que eles, como homens habituados a suar para ganhar o seu pão, tinham de facto maior conhecimento, os hábitos diários dos seus conterrâneos.

Devemos acreditar que ficaram completamente estupefactos quando os Farnéis Escondidos apareceram.

Devemos acreditar que o milagre, referido pelos quatro evangelistas, é por isso acidental.

Uma vez que tudo isto aconteceu não por vontade do Senhor, mas por vontade das pessoas, não pode ter nada a ver com a maravilha que é a Eucaristia, nem com o maná do deserto, nem com as bodas do Cordeiro. Não tem nada a ver com a encarnação do Verbo em Nazaré, presente em todos os sacrários do mundo. É um mito de auto-celebração. “Vede como somos bons! Partilhamos as nossas sanduíches de paio e as nossas bolachas!”

Perguntei ao novice se Deus poderia ter feito o milagre como vem descrito nos Evangelhos. “Teria de pensar no assunto”, respondeu. Poucos dias depois disse-me que sim, Deus poderia tê-lo feito.

Espero que Ele esteja devidamente agradecido pela cedência.


Anthony Esolen é tradutor, autor e professor no Providence College. Os seus mais recentes livros são:  Reflections on the Christian Life: How Our Story Is God’s Story e Ten Ways to Destroy the Imagination of Your Child.

(Publicado pela primeira vez na Quarta-feira, 14 de Agosto de 2013 em The Catholic Thing)

© 2013 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Mistérios e ministérios

Tu queres... mas o Ministério não facilita.
Este é o último post diário de Agosto, uma vez que a partir de segunda-feira estarei de férias.

Mas não vos deixo sem antes alertar para esta história, verdadeiramente fantásticas e misteriosa… um padre que aparece literalmente do nada na cena de um acidente, reza com a vítima e depois desaparece misteriosamente. Foi no Missouri, vale a pena conhecer a história.


Por fim, estamos perto das celebrações de Fátima do mês de Agosto, quando os grandes protagonistas são sempre os emigrantes. Podem ler aqui a notícia e ouvir a entrevista a D. Vitalino Dantas, responsável pela pastoral da migração.


Continuaremos pelo Facebook e pelo twitter, mas mails só em Setembro, se Deus quiser!

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Dois Papas e duas Burkas

Jiya, heroína da assiduidade escolar
Mais de dois anos depois do começo da Guerra Civil na Síria, os rebeldes estão a tentar chegar ao berço da família Assad, uma região com grande concentração de alauitas que até agora tem estado firmemente ao lado do regime.

O Papa já publicou a mensagem para o dia das Missões, que se assinala em Outubro. Novamente o apelo a chegar às “periferias”.

Outro Papa, o dos coptas, que vive precisamente na periferia, consta de uma lista de “alvos a abater” no Egipto.


Duas notícias de burka… Em França pondera-se proibir os véus islâmicos nas universidades. Ironicamente, isso impediria a professora Jiya, uma heroína de desenho animado paquistanesa que incentiva o estudo, de frequentar o ensino superior francês…

A entrevista do Papa a bordo do avião que o trouxe do Brasil continua a dar que falar. No artigo desta semana de The Catholic Thing, o padre Mark Pilon desaconselha este tipo de acção por parte de Francisco. É um texto com o qual, em traços gerais, não concordo, mas que espelha uma opinião bastante comum e que constitui mais uma achega para a discussão sobre o assunto.

Pérolas a Porcos

Pe. Mark A. Pilon
Recentemente na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, o Papa Francisco encorajou os jovens católicos a “ir pelo mundo inteiro criar confusão!”. Disse que queria sacudir a Igreja. Claro que ele quer criar confusão através da proclamação não adulterada do Evangelho de Jesus Cristo. A revolução que o Papa pede é uma revolução espiritual, um movimento contracultura para combater o materialismo e a secularização.

Infelizmente, este pontificado vibrante já está a enfrentar problemas. Por isso eu também quero criar alguma confusão e sugerir que estas entrevistas espontâneas com a imprensa talvez não sejam a forma mais adequada do Papa abordar o mundo. Na verdade, penso que ele devia usar uma estratégia de Bento XVI, mas falarei disso adiante.

Por exemplo, na sua viagem de regresso o Papa teve uma longa conversa com os jornalistas, na qual expôs, muito resumidamente, a sua posição sobre o problema da homossexualidade e dos padres homossexuais.

O Papa não disse nada de novo nem diferente do que os seus antecessores têm dito sobre a questão. Distingue claramente entre orientação sexual e actos homossexuais, falou de confissão e arrependimento e repetiu o ensinamento da Igreja de que os homossexuais não devem ser marginalizados por causa da sua orientação sexual. Nada disto é revolucionário.

Mas a imprensa focou uma única frase, “Quem sou eu para os julgar?”. Lido no contexto do que o Papa disse nesta entrevista, ou noutros lados, por diversas vezes, isto não tem nada de novo ou de surpreendente.

A imprensa, contudo, em larga medida e sobretudo nos Estados Unidos, optou por interpretar a afirmação não no contexto do resto do seu discurso, mas no contexto da moralidade relativista da nossa sociedade.

No mundo contemporâneo não julgar as pessoas é entendido como não julgar as suas acções e a imprensa leu isto como uma abertura por parte da Igreja para reconsiderar a condenação moral das relações e actividades homossexuais. Não interessa o que o Papa disse antes ou depois desta afirmação; a imprensa optou por apresentá-lo como abrindo as portas a uma nova atitude moral.

Este é o perigo de entrevistas espontâneas nos nossos dias. O que interessa mesmo à imprensa são apenas “sound bites” e controvérsia. Assuntos complexos como a homossexualidade e homossexuais no sacerdócio não podem ser discutidos com a imprensa desta forma sem ter de estar constantemente a corrigir as suas más interpretações e sensacionalismo.

No geral a imprensa não se interessa pela Igreja nem pela sua verdadeira missão, mas apenas quer saber dos escândalos e controvérsias que envolvem os assuntos quentes da cultura contemporânea e como a Igreja se encaixa nos mesmos.

Ninguém que tenha seguido este Papa e compreenda a sua profunda fé e o peso dos ensinamentos da Igreja e da tradição na sua abordagem a qualquer um destes temas quentes acredita que ele vai fazer alterações substanciais.

Mas a maioria dos jornalistas está-se nas tintas para a Igreja e mais ainda para o carácter vinculativo dos seus ensinamentos morais no que diz respeito à sexualidade e o carácter definitivo dos seus ensinamentos sobre questões como a ordenação das mulheres. Quando o Papa afirma, nesta entrevista, que a ordenação das mulheres é um assunto excluído de forma “definitiva”, isso quer dizer “absoluta”.

Mas eles não compreendem o sentido de definitivo ou de absoluto. Nada os vai impedir de continuar a insistir em qualquer tipo de mudança.



Quando o Papa falou de homossexuais a procurar o perdão dos pecados, isso quer dizer que ele considera definitivamente que os actos homossexuais são pecado sério, mas duvido que os jornalistas o tenham compreendido. Eles concentraram-se na citação de que ele não seria o seu juiz (final?), o que pode ser entendido de muitas formas, mas não quer dizer que não julgue que os seus actos são gravemente desordenados e pecaminosos.

Também não nos diz nada acerca da sua posição sobre os homossexuais no sacerdócio. Será que difere em relação a Bento XVI sobre se os homossexuais devem ser admitidos aos seminários, ou estava apenas a falar de homossexuais que já são sacerdotes?

Não creio que o Papa Bento tenha pedido alguma vez que tais padres sejam removidos do sacerdócio desde que não sejam homossexuais praticantes nem discordem dos ensinamentos da Igreja sobre actos homossexuais. O Papa Francisco estava a responder a uma pergunta sobre o alegado lobby gay. Se um padre começa a fazer lobbying para mudar as regras de forma a justificar o seu comportamento, duvido que o Papa deixe de o julgar.

Da mesma forma, estou certo de que o Papa, um prelado que viveu no mundo, possa ser ingénuo sobre os problemas que coloca ter este tipo de indivíduos nos seminários. Um homossexual casto provavelmente não seria o tipo de homem que vai a público divulgar a sua condição como se fosse uma medalha. Mas homens desses têm uma agenda e quando os seminários toleraram esse tipo de conduta ao longo do último século, rapidamente se tornaram bastiões de activistas homossexuais.

Desconfio que o Papa sabe isto e a sua opinião sobre o assunto não será diferente da de Bento XVI. Nenhum dos dois Papas quer uma repetição dessa situação. Por isso quando perguntou quem era ele para julgar, estava da possibilidade de aproximação a Deus de qualquer homem que procura viver uma vida casta. Ele não diz que isso é impossível para um homem com tendências homossexuais, mas dificilmente diria o mesmo para um activista homossexual.

Na nossa cultura demasiado sexualizada e relativista, é sem dúvida mais difícil para qualquer homem abraçar uma vida de castidade, mas muito mais um homossexual a viver sempre no meio de outros homens, como num seminário ou numa casa paroquial.

Este tipo de assunto não é, certamente, adequado para entrevistas espontâneas. Esperemos que o Papa reformule a sua generosidade natural e abertura ao diálogo. E aqui deixo uma alternativa positiva: porque não seguir o exemplo de Bento XVI e conceder entrevistas longas a um entrevistador educado e inteligente, para serem publicadas em forma de livro?

Ajudaria a evitar interpretações erradas, mas é apenas uma sugestão de um velho criador de confusões.


O padre Mark A. Pilon, sacerdote da Diocese de Arlington, Virginia, é doutorado em Teologia Sagrada pela Universidade de Santa Croce, em Roma. Foi professor de Teologia Sistemática no Seminário de Mount St. Mary e colaborou com a revista Triumph. É ainda professor aposentado e convidado no Notre Dame Graduate School of Christendom College. Escreve regularmente em littlemoretracts.wordpress.com

(Publicado pela primeira vez na Quinta-feira, 1 de Agosto de 2013 em The Catholic Thing)

© 2013 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Candidatos a beatos rogai por nós!

O Papa falou ontem pela primeira vez em público desde que regressou do Brasil. Francisco pediu aos jovens que enfrentem o vazio de valores na sociedade actual.

Uma semana depois do seu sequestro não há mais notícias do padre Paolo Dall’Oglio, mas o maior grupo da oposição Síria já pediu a sua libertação.

Rebentou uma bomba num templo budista na Indonésia, que feriu três pessoas e agrava o clima de hostilidade entre muçulmanos e budistas naquela zona do mundo.


E finalizamos com uma notícia interessante. Foi dado como morto o bispo de Pyongyang. Francis Borgia Hong Yong-ho (na imagem) estava oficialmente desaparecido há mais de 60 anos. Hoje teria 106, e foi dado como morto a pedido da diocese de Seoul, para que se possa abrir um processo de beatificação.

Portanto já sabem. Francis Borgia Hong Yong-Ho e Gilbert Keith Chesterton, rogai por nós!

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Seminaristas "sieg heil"

A notícia é de ontem, mas só foi feita depois de ter sido enviado o mail diário… Os apoiantes de Kristina Kirchner, a presidente da Argentina que achou boa ideia pedir ao Papa para intervir no caso das Falklands, decidiram usar uma fotografia dela com o Papa para usar em campanha. O mau gosto, confirma-se, não tem limites.

Por falar no Papa Francisco, o pontífice deixou um donativo de 20 mil euros aos moradores da favela da Varginha. O dinheiro será aplicado após diálogo com os populares.

Mais más notícias para os seguidores da religião Bahá’i no Irão. Agora foi o próprio Ayatollah Khamenei a emitir uma “fatwa” contra eles, considerando-os “depravados e enganadores”.

E da Alemanha um bom exemplo. Dois seminaristas que achavam piada fazer saudações nazis e festejar o nascimento de Hitler, foram expulsos após uma investigação chefiada por um juiz.

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