quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Jihad em Stanford, Georgetown e Além

Matthew Hanley
É mais difícil ser aceite em Stanford do que em qualquer outra universidade americana, apenas 5% dos candidatos o conseguem. Mas recentemente Stanford achou por bem admitir uma pessoa que usou o espaço concedido para o ensaio de candidatura – em resposta à questão “o que é importante para si, e porquê?” – para escrever 100 vezes “#BlackLivesMatter”. Imaginem como se devem sentir os candidatos merecedores que ficaram de fora.

Acontece que este candidato tinha estagiado com a Hillary Clinton (obviamente); acontece também que é muçulmano. Mas nenhuma das reportagens nos media se preocupou em saber como ele reconcilia a sua evidente preocupação por vidas de negros com o facto de ainda haver escravatura de negros em partes de África, às mãos de muçulmanos. Mais ninguém o faz, em mais parte nenhuma. Não é uma imagem bonita.

Estará este aluno de Stanford a repudiar o exemplo de Maomé, que detinha escravos e aprovou pessoalmente incursões para a captura de escravos? Estará? Podemos achar que tudo isto é uma vergonha, e deixar por aí. Mas há mais a dizer sobre o facto de ser mais fácil entrar em Stanford do que abordar factos desconfortáveis sobre o Islão naquela universidade. Perguntem ao Robert Spencer.

Um grupo de alunos convidou-o para ir à Universidade falar dos seus estudos meticulosos sobre as fontes islâmicas que justificam e até ordenam a jihad. O resultado foi uma indignação generalizada, pedidos para que o evento fosse cancelado e um apelo ao boicote. Embora ele saiba mais sobre o assunto do que a maioria dos imãs, os alunos agitados apelidaram-no de “ininteligível”, “não académico” e “lixo”. Os administradores lamentaram o seu alegado historial de incitação ao ódio.

Será que Stanford desencoraja a tomada de posição contra coisas hediondas como o assassinato em nome da jihad, escravatura, as muitas indignidades que a sharia reserva para as mulheres, etc., quando estas se encontram embebidas de tal forma numa religião? Será esta religião tão merecedora de adulação acrítica que estes aspectos devem ser ignorados?

Stanford não imitou a postura de Berkeley, cancelando o evento ou recorrendo à brutalidade para evitar que uma voz curiosamente pouco bem-vinda fosse ouvida. Em vez disso desenvolveram um plano mais subtil – e com semanas de antecipação – para alcançar o mesmo fim.

Pouco depois de a sua conferência ter começado, ouviu-se por breves e tensos segundos um canto islâmico, aparentemente vindo do telefone de alguém. Na verdade, a quantidade de pessoas que estavam a olhar para os seus telefones era estranha, tendo em conta que a sala estava tão cheia que muitas pessoas viram negado o acesso. Alguns minutos mais tarde a maioria da assistência levantou-se e abandonou a sala num uníssono coreografado – ao som do canto agressivo e supremacista a berrar dos telemóveis: Allahu Akbar sem a violência. Aqueles a quem tinha sido recusada a entrada por falta de espaço viram então negada a oportunidade de ocupar os lugares deixados vagos.

Spencer tinha acabado de relatar um facto objectivo que devia ser bem-vindo em qualquer local de ensino superior: que de acordo com a maior autoridade de jurisprudência sunita – a Universidade al-Azhar, no Cairo – um factor chave da jihad é que o sangue e as posses de alguém apenas estão seguros se aceitar o domínio do Islão; ninguém fora dele é merecedor de protecção. Isto poderia ser descrito como uma legitimação religiosa precisamente de uma forma de “discurso de ódio” fortemente enraizado que os alunos pensavam que estavam a denunciar ao abandonar a sala.

Robert Spencer
Spencer acredita que os administradores da Universidade sancionaram a perturbação que, seja como for, tem todas as marcas do fascismo; pode parecer um termo muito forte, mas ao montar, primeiro, uma campanha contra ele e depois evitar que outros fossem expostos às suas ideias, Stanford merece a caracterização.

Foi dito que a mera presença do orador gerava um sentimento de insegurança entre os muçulmanos – porém o único a precisar de um contingente de segurança foi o próprio Spencer. Ele sempre disse que os seus críticos se rebaixam ao nível de ataques pessoais porque não conseguem prevalecer no debate de factos e de ideias. O abandono do auditório em Stanford comprova-o, tal como aqueles que cometeram actos de violência em reacção ao discurso do Papa Bento XVI em Ratisbona, em que comentou criticamente as tendências violentas no Islão, o comprovaram.

Ao não permitir que a jihad seja analisada segundo os seus próprios critérios, Stanford escolheu legitimá-la. Aparentemente, figuras islâmicas que repetem, com aprovação, textos islâmicos que apelam, por exemplo, ao extermínio de judeus, devem ser aceites sem questionar. Só o denunciar desta realidade é que é problemático, o pecado secular da “islamofobia” (um termo forjado pelos sauditas).

As empresas também contribuem para este clima de conformismo. Bem perto de Stanford, os dirigentes da PayPal impediram o site de Spencer de usar os seus serviços, privando-o assim de uma fonte de financiamento. Era precisamente isso que queria o Southern Poverty Law Center (SPLC), especializado em classificar como “grupos de ódio” as organizações de que não gosta. Eles limitam-se a declarar que o grupo de Spencer é um grupo de ódio e os media cumprem o seu dever de o papaguear, não obstante a natureza claramente tendenciosa do SPLC.  

Mas Stanford está longe de estar sozinha. A Universidade Católica de Georgetown organiza iniciativas financiadas pelos sauditas, pensadas para promover uma visão positiva do Islão. Os aspectos ameaçadores são, ao que parece, uma preocupação marginal. Mas o que alguns consideram marginal pode ter graves consequências: Perguntem a Nova Iorque, Londres, Paris, Bruxelas, Nice, Madrid, Barcelona, Berlim, até a Escandinávia.

Igualmente arriscado é sugerir que a postura “marginal” de Spencer está em desacordo com a posição globalmente conciliatória da Igreja moderna em relação ao Islão:

Discordo da afirmação do Papa Francisco quando ele diz que “o Islão autêntico e uma leitura correcta do Alcorão opõem-se a todo o tipo de violência”, como qualquer pessoa no seu perfeito juízo e devidamente informada, seja católica ou não, deve discordar. Se esse é, de facto, o ensinamento da Igreja, então a Igreja Católica tem um problema sério, pois está a apresentar falsidades como “ensinamento da Igreja” e não merece a confiança nem dos católicos nem de mais ninguém.

Há vários anos um funcionário do gabinete de admissões de Stanford despediu-se para se tornar padre. Não faço ideia se as banalidades e a burocracia universitária desempenharam algum papel. Mas não posso deixar de pensar: se o tipo de falsidade ingénua que agora domina praticamente tudo começar a dominar também os meios eclesiásticos em que ele agora circula, para onde irá a seguir?


Matthew Hanley é Investigador sénior no Centro Nacional de Bioética Católica e autor, juntamente com Jokin de Irala, de ‘Affirming Love, Avoiding AIDS: What Africa Can Teach the West’, que foi recentemente premiado como melhor livro pelo Catholic Press Association. As opiniões expressas são próprias, e não da NCBC.

(Publicado pela primeira vez na terça-feira, 21 de Novembro de 2017 em The Catholic Thing)

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